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Comer bem, Viajando sozinha

O Mercado Central em Florença

Tinha tanta coisa para falar no post sobre a comida italiana que nem sobrou espaço para comentar a minha experiência no Mercado Central em Florença.

Antes de mais nada, eu preciso admitir, tenho uma mania estranha: adoro ir em supermercado em outras cidades, ficar andando nos corredores, vendo os produtos diferentes, comparando preços. Isso mesmo, tipo criança que sempre precisa conhecer o banheiro quando vai em um lugar novo, sabe? Melhor ainda do que ir em supermercado quando estou viajando, é poder ir em um mercado ou feira local e, sabendo da fama gastronômica da Itália, eu já fui com a expectativa de visitar algum.

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Em Florença, a dona da pousada havia me dado algumas dicas de bons lugares para comer e uma delas foi o Mercado Central. Mais do que apenas um mercado local,  ele é uma das atrações turísticas da cidade,  fica próximo aos demais pontos de interesse da cidade e é bem fácil de chegar. Durante o dia, você pode passear pelas bancas de produtos locais, frutas e vegetais frescos, massas, queijos, embutidos, cogumelos, doces, temperos, vinhos e por aí vai. Dá vontade de levar todas as alcachofras e aspargos pra casa, daí você se lembra que não pode e o jeito é só admirar mesmo.  Aproveitei para comprar alguns condimentos, massas e frutas vermelhas desidratadas. Além das bancas de comida, havia algumas que vendiam almoço, mas estavam cheias e o menu do dia não me apeteceu.

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No dia seguinte, um casal de brasileiros que conheci no caminho de San Gimignano também me falou bem dos restaurantes do mercado e eu fiquei intrigada, pois não tinha visto nada que me chamasse tanta atenção. Foi então que me explicaram que, além da parte térrea, o mercado tem um piso superior com vários restaurantes, que inclusive abrem a noite para o jantar. Foi uma ótima notícia, já que era o meu último dia em Florença e não ia dar tempo de passar no mercado no dia seguinte. Fui, então, conhecer a versão noturna do mercado e achei um empreendimento muito legal. O ambiente muda completamente, a parte térrea é fechada, na entrada um recepcionista te encaminha para o piso superior. Nele, encontram-se vários restaurantes e bares, o pedido é feito diretamente no balcão e você pode se acomodar nas mesas e balcões disponíveis. O espaço tem uma cara moderna, uma luz bem legal (nada de luz de geladeira), música ambiente e televisores, inclusive, no dia que eu fui estava sendo transmitida uma partida de futebol e estava um clima super legal. Pelo o que eu vi, são realizados vários eventos nesse espaço, vale a pena conferir a agenda caso esteja com viagem marcada para Florença 🙂

san lorenzoMercado Central à noite

Também me explicaram que foi feita uma espécie de concurso para selecionar os doze restaurantes que iriam fazer parte da “praça de alimentação” do mercado, que representassem bem a gastronomia local e abrangessem uma variedade de opções de comida, de peixes à street food. Além de tudo isso, o piso superior também tem uma lojinha do Eataly e abriga a Escola de Cozinha Lorenzo de Medici, que é toda de vidro e permite que se veja as pessoas aprendendo a cozinhar. Outra informação importante é que ao lado do mercado tem uma variedade de bancas de artesanatos, souvenirs e produtos em couro (ou não rs).

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E o que eu comi? Nada, era tanta opção boa que eu não consegui decidir, acabei voltando para o meu já tradicional Yellow Bar perto do hotel.

Informações Úteis

Mercato Centrale

Piazza del Mercato Centrale, 50123 Firenze

 

Florence planning
Roteiros, Viajando sozinha

É possível conhecer a Toscana sem carro?

Para mim, não existe maior diversão do que construir um roteiro de viagem. Então, quando decidi que ia para a Itália, já tratei de pensar quais seriam as  cidades visitadas. Essa decisão partia da premissa de que seria impossível visitar todas as cidades italianas da minha lista de desejos em uma viagem de dez dias e, considerando que a viagem seria no início da primavera, deixei a parte centro/sul do país para uma próxima oportunidade quando tempo estivesse mais quentinho para poder aproveitar as praias. Assim, fiquei com as seguintes opções: (1) ir para a região norte da Lombardia e visitar o lago Como e talvez até algumas cidades na Suíça; (2) Ir para a região de Vêneto, passando por Pádova, Verona, até chegar em Veneza; e (3) Ir para a região de Bolonha ou esticar até a Toscana.

A primeira opção eu descartei de cara, pois o foco da viagem era conhecer a Itália, então não faria sentido passar a maior parte da viagem na Suíça, certo?Já a decisão entre a segunda e a terceira opção foi mais difícil, porque eu queria as duas coisas e não tinha tempo pra tudo, a não ser que eu apenas passasse em Milão, sem conhecer direito e eu não queria fazer isso. Então, como uma boa libriana, acabei decidindo fazer pouco das duas opções. Decidi ir para a Toscana, mas sem parar em Bolonha (snif), passar o fim de semana em Milão e, por último, ir para Veneza direto (sem Pádova e Verona.. snif 2). Deu super certo! A minha maior dúvida na montagem do roteiro pela Toscana era se seria possível explorar a região sem carro, já que eu estaria sozinha e não ia compensar alugar um. Depois de ver e ouvir alguns relatos, percebi que era possível visitar vários locais usando apenas ônibus e trens, sem contar a possibilidade de contratar passeios nas agências de turismo de lá.

Então, o roteiro ficou assim: cheguei de Brasília por Milão no domingo e aproveitei a tarde para começar a conhecer a cidade. Na segunda pela manhã, peguei o trem para Florença, que seria onde eu iria dormir nos próximos quatro dias e iria conhecer em maior profundidade. A partir de lá, fui decidindo qual cidade visitar a depender do tempo e do meu ritmo mesmo, poderia, inclusive, ter decidido passar os quatro dias inteiros em Florença (e certamente teria muita coisa para fazer por lá).  Como eu estava sozinha, o tempo acaba rendendo bem mais, então deu para conhecer Pisa, Lucca, San Gimignano e Siena. É claro que não deu tempo de entrar em cada igreja de Lucca e subir em todas as torres de San Gimignano, eu selecionei as atrações que mais me interessavam em cada cidade e aproveitei o resto do tempo para aproveitar a cidade nos dias ensolarados. Sou daquelas que gosta mais de andar pela cidade do que entrar em todos os museus e igrejas #prontofalei. Nesse ritmo, a cidade que ficou mais prejudicada foi Siena, que merece uma visita mais longa e aprofundada.

A maior vantagem de utilizar o transporte público foi não ter que se preocupar em dirigir nessas cidades-formigueiro, buscar estacionamento, etc. A maior desvantagem foi não ter a flexibilidade de horário e de trajeto que um carro te dá. No caso de San Gimignano, por ter que pegar dois ônibus, se você não coordenar os horários direitinho, acaba perdendo muito tempo esperando na rodoviária. E não dá para parar pra bater foto quando você vê uma coisa incrível, né? Na volta de Siena, peguei um pôr do sol maravilhoso naqueles campos de filme da Toscana, mas aparentemente a única pessoa comovida no ônibus era eu, os locais estavam com aquela cara de “essa é a paisagem que eu vejo todo dia na volta do trabalho”.

IMG_0354Pôr do sol no caminho de Siena para Florença

Mas tem solução para resolver todos esses problemas: em Florença, várias agências oferecem passeios e tours privados que te levam a essas cidades menores, aos vales do Chianti, ao Val d´elsa, degustação de vinhos, passeio de bicicleta, de Vespa, de Cinquecento e tudo mais que você imaginar. Acabei optando por deixar esses passeios para uma próxima viagem, quando os campos estivessem mais verdinhos, mesmo tendo sol, a vegetação ainda estava meio acinzentada, sabe? E não ia ter girassol 🙁

IMG_0316Vista dos campos da Toscana em San Gimignano

Bom, depois dos passeios pela Toscana, eu voltei para Milão para passar o fim de semana e, no domingo a tarde parti para Veneza. Apesar de ter ficado apenas um dia e meio, deu para conhecer bastante coisa, andei horrores, visitei as ilhas de Burano e Murano, fiz o passeio de gôndola… Em síntese, consegui aliviar a ansiedade de conhecer Veneza ainda nessa viagem, é claro que ainda tem muita coisa para se explorar em uma segunda visita, dessa vez combinando com Verona e Pádova, quem sabe?

Informação importante: Todos os trechos de trem foram feitos pela Trenitalia, companhia estatal italiana. Os trechos curtos dos bate-e-volta foram comprados na hora nas máquinas da empresa nas estações de trem e o trecho Milão-Veneza foi comprado com mais antecedência no guichê da companhia. A exceção foi o trecho Milão-Florença -Milão que eu decidi comprar na Italo, a concorrente da Trenitalia. Os preços estavam iguais, o tempo de viagem era o mesmo, comprei apenas para experimentar e recomendo, os trens são modernosos, com wi-fi, opções de lanchinhos do Eataly e tem até um vagão que passa filme, tipo cinema.

O site Passeios na Toscana e o blog Planejando a Viagem tem avaliações bastante detalhadas dos trens italianos, que me ajudaram bastante a planejar a viagem 😉

Resumo do roteiro 

Milão – 3 dias e 3 noites

Florença – 4 noites, 2 dias inteiros na cidade

Pisa- meio dia

Lucca – meio dia

San Gimignano – meio dia

Siena- meio dia

Veneza – um dia e meio e uma noite