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Roteiros, Viagens

Um roteiro pelo Jalapão: parte 3

Eu contei para vocês nos posts anteriores como foram os primeiros dias da nossa mini mini expedição de 3 dias pelo Jalapão.

Para alguns, o terceiro dia da viagem começou com a subida da Serra do Espírito Santo. Esse é um dos atrativos mais famosos da região, que não estava incluso no passeio de 3 dias, mas foi ofertado como opcional devido à grande demanda do grupo.

Créditos: amigo Vinícius que acordou às 2 AM para ter essa vista

Créditos: amigo Vinícius que acordou às 2 AM para ter essa vista

Para assistir o nascer do sol na Serra, a trilha começa às 3h da manhã. Como íamos ficar sem dormir na noite seguinte por causa do voo de volta para Brasília, optamos por não fazer o passeio. É claro que os amigos apareceram com fotos deslumbrantes da vista da Serra. E é claro que eu me arrependi, né? Mas é fácil se arrepender quando você sabe que vai dormir 8 horas na noite seguinte, né não?

Crédito: Vinícius Amaral

Crédito: Vinícius Amaral

Para os que não subiram a Serra, o primeiro passeio foi visitar a Cachoeira da Velha, que não é uma cachoeira qualquer, mas sim uma meeega cachoeira.

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Lá nos foi ofertada a possibilidade de fazer um rafting pela Novaventura Rafting. Eu nado pouco, morro de medo de barquinhos frágeis sobre águas turbulentas, então nunca fez parte dos meus sonhos fazer um rafting do lado de uma cachoeira gigante. Mentalmente, disse “não, obrigado” e nem escutei o resto das informações.

Mas o nosso grupo se animou e eu me animei, ancorada na ideia de que “se o meu amigo que não sabe nadar vai, eu também posso”, o que racionalmente não faz sentido algum, pois só significa que nos afogaríamos juntos.

A empolgação começou a dar lugar ao pânico quando começaram as instruções de segurança. A frase “o que você deve fazer se você cair do bote” me lembrou que eu poderia, de fato, cair do bote.

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Aprendendo as instruções de segurança. Créditos: Novaventura Rafting

Mais do que isso, me lembrou que além de não saber nadar, eu sou o tipo de pessoa que cai do bote. Ou pior, eu sou tipo de pessoa que bate o remo nos coleguinhas e o derruba o bote.

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Pareço determinada, mas era medo mesmo. Créditos: Novaventura Rafting

Mas não deu tempo de aventar todas as possibilidades de desastres que eu poderia cometer, quando vi já estávamos no bote prontos para começar.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

O prêmio para quem se submete faz o rafting é ver ângulos espetaculares da cacheira do Rio Novo.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Não consigo descrever quão única é a sensação de estar debaixo de uma queda d´água dessas.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Tão emocionante que, por alguns minutos, eu esqueci o que tínhamos pela frente: as corredeiras

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Era hora de colocar em prática todos os códigos e instruções e não cair do barquinho. A sensação de ter uma queda d´água pela frente é desesperadora, mas ao mesmo tempo bem mais segura do que eu imaginava antes de fazer o rafting.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Contrariando todos os meus cenários trágicos, durante a descida das corredeiras,em nenhum momento eu caí ou sequer achei que iria cair. Mal havia tomado gosto pela coisa, já avistamos a prainha do Rio Novo.

Apesar de parecer uma anti-propaganda do rafting ou da empresa, a intenção é justamente o contrário. Só topei fazer porque achei o serviço muito profissional e seguro (e porque eles deram estatísticas de acidentes, e eu sou facilmente impressionada por dados haha) e, ao fazer, confirmei a minha impressão. Recomendo com certeza!

Depois de terminarmos o rafting fizemos um lanche rápido e pegamos à estrada rumo à Palmas. E o resto da história é todo aquele perrengue que não aparece nas fotos:  2 horas de sono, voo promocional de madrugada, correria pra chegar no trabalho. Mas, vai dizer que não vale a pena? 🙂

 

 

 

 

 

Roteiros

Um roteiro pelo Jalapão: parte 2

Como eu contei no primeiro post sobre o Jalapão, o nosso primeiro dia de viagem foi bem intenso em horas de trepidação na estrada, intercaladas com paradas para conhecer os atrativos ao longo do caminho.

O segundo dia foi o oposto: bem menos horas de trepidação e mais tempo nos atrativos. Começamos o dia com uma visita ao fervedouro Belavista, que mais parecia uma jacuzzi feita pela natureza (muito melhor do que as jacuzzis feitas pelo homem, não?)

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Fervedouro Belavista

Mas nem tudo na vida pode ser assim tão perfeito, então tinha algumas espécimes humanas com uma caixa de som portátil ouvindo música enquanto curtiam o fervedouro. Eu não preciso dizer o que tocava a caixa de som, porque está implícito o que ouve alguém que carrega uma caixa de som para um fervedouro, não é?

Como o número de banhistas  é limitado, rola uma espécie de rodízio para entrar no fervedouro, então tivemos a nossa chance de curtir o lugar sem música.

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Fervedouro Belavista

O segundo atrativo do dia foi a Cachoeira da Formiga. Certamente é uma das cachoeiras mais lindas em que já estive, fui enfeitiçada pela água esverdeada e transparente e fiz algo que alguém que não sabe nadar nunca faz: entrei sem nem pensar na profundidade e tive que usar todo o meu nado cachorrinho para me segurar em alguma borda.

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Cachoeira da Formiga

Mesmo sendo feriado, as atrações estavam tranquilas. A exceção foi a Cachoeira da Formiga, que estava lotada de locais curtindo o feriado, o que era uma cena alegre de ser ver, os moradores da região curtindo as belezas da sua terra.

Tivemos bastante tempo para curtir a Cachoeira da Formiga porque o nosso ônibus quebrou. Aliás, se tem algo certo em uma viagem para o Jalapão é que o seu ônibus vai quebrar em algum momento – ou em vários momentos. Vai ser o ar condicionado, o pneu, o freio ou todos eles.

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O 4X4 da expedição

Eu mesmo só fiquei sabendo pelos amigos que haviam me indicado a empresa que o ônibus deles tinha quebrado depois de fechar a nossa expedição. Pensei em ficar abalada com a informação, mas a minha amiga foi logo me dizendo que o das outras empresas também quebraram naquele dia e, como um bom ser humano, o fato da tragédia ser compartilhada amenizou a minha própria potencial tragédia, algo do tipo: “se todo mundo está lascado, que mal faz você estar?”

A primeira vez pode ser um pouco chocante, mas as operadoras de turismo costumam estar preparados para esse tipo de ocorrência, já que são realmente muitos quilômetros de estrada de chão e de areia.

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Pneu furado na volta para Palmas

Ainda antes do almoço, fizemos uma parada na comunidade quilombola do Mumbuca. Os quilombolas são descendentes de africanos escravizados que mantém tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. No Brasil, existem cerca de 3 mil comunidades certificadas pela Fundação Palmares e o Mumbuca é uma delas. A comunidade, com cerca de 200 habitantes, é como uma grande família formada por remanescentes de quilombolas e indígenas que habitavam a região.

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Árvore genealógica da Comunidade do Mumbuca

A Comunidade do Mumbuca vive da agricultura de subsistência e do artesanato feito com capim dourado. Todo ano, em setembro, é realizada a Festa da Colheita do Capim Dourado, promovida pela Associação dos Artesãos Extrativistas do Povoado do Mumbuca. A festa celebra o começo do período de coleta do capim dourado, que somente é autorizada pelos órgãos ambientais entre os dias 20 de setembro e 30 de novembro. Na edição desse ano, os moradores lançaram a marca Mumbuca, agora o artesanato produzido na comunidade poderá ser identificado mundo afora.

É de se esperar, então, que o Mumbuca seja o melhor local para comprar artesanato feito com capim dourado. Além de ter uma grande variedade de peças, você compra diretamente da comunidade, o que é bom para eles e bom para você, já que os preços são bem mais baixos do que os das lojas das cidades.

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Artesanato feito com Capim Dourado na Comunidade do Mumbuca

A forma como é conduzida a visita ao Mumbuca é uma das poucas críticas que eu tenho ao roteiro da expedição. Acho que teria sido muito importante que os organizadores do passeio contassem antes da visita a história do povoado, pois senão a visita ao local se torna uma mera parada para comprar artesanato e os viajantes de várias partes do país que passam diariamente por lá perdem uma valiosa chance de entender o que significa aquele lugar.

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Uma das ruas da Comunidade do Mumbuca

Saindo de lá, partimos para o almoço na propriedade do fervedouro do Buritizinho, onde tivemos mais uma refeição caseira maravilhosa.

Companheiro de almoço

Companheiro de almoço

De quebra, ainda sobrou um tempo para visitar rapidamente o fervedouro, que é lindo e com forma e tonalidade bem diferente dos outros que havíamos visitado.

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De lá, seguimos para mais algumas horas de trepidação rumo às famosas dunas do Parque Estadual do Jalapão para assistirmos o pôr do sol. Antes de chegar às dunas, tivemos uma bela visão da Serra do Espírito Santo, que é também um dos principais atrativos da região (cenas dos próximos capítulos).

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Vista da Serra do Espírito Santo

As dunas fazem todo o seu entorno parecerem um grande oásis no meio de tanta areia. Lá de cima é possível ver a Serra do Espírito Santo de outro ângulo.

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Vista da Serra do Espírito Santo a partir das dunas

Quase sem luz natural, fizemos uma pequena trilha de volta ao carro e retornamos à Mateiros para o jantar e assim terminou o nosso segundo dia 🙂

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No próximo post, eu conto como foi o nosso terceiro e último dia 🙂

Roteiros

Um roteiro pelo Jalapão

Para mim, metade da graça de viajar é planejar a viagem: passar meses montando o roteiro, pesquisando lugarzinhos. É de se esperar, então, que excursões e pacotes de viagem não sejam o meu forte. Mas é inegável que certos destinos são muito mais práticos (e baratos) assim. O Jalapão é um deles.

Eu sempre quis encaixar uma viagem para o Parque Estadual do Jalapão em um feriado prolongado. Acontece que a maioria das operadoras que fazem expedições para lá trabalham com pacotes de 5 dias ou mais.

Eis que um casal de amigos acabara de voltar de uma viagem de 7 dias pelo parque e me recomendou a Norte Tur, uma empresa que oferece expedições mais curtas pela região, a partir de 3 dias.

Quando você vai fazer uma viagem de 3 dias por um lugar que tem atração para 10 dias, a primeira providência a se tomar é: não ler nada sobre as atrações do local, sob pena que ficar imensamente frustrado.

Confesso que não foi uma tarefa fácil não olhar blogs, fotos e roteiros. Em tempos de instagram, mais difícil ainda foi me despir das expectativas geradas por aquelas fotos oníricas dos fervedouros.

Então fomos. A viagem toda foi uma surpresa – das boas. Que alegria é as vezes simplesmente ser conduzido, sem precisar tomar nenhuma decisão, onde ir, onde comer. A cada parada éramos surpreendidos por uma atração natural mais bonita que a outra, e inédita, sem expectativas prévias.

Saímos de Palmas cedo pela manhã rumo ao leste do Tocantins. Nossa primeira parada foi no município de Novo Acordo – há cerca de 180 km de Palmas.

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Lá, conhecemos uma das prainhas do Rio do Sono, onde comemos uma daquelas autênticas refeições caseiras do interior.

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De lá, foram longos quilômetros de trepidação pela estrada de chão, com algumas breves paradas: uma delas para conhecer o Morro da Catedral.

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Muitas horas  de trepidação depois, com o sol quase se pondo, chegamos no município de São Félix do Tocantins para conhecer o primeiro fervedouro da viagem.

Os fervedouros do Jalapão são poços de água transparente cercados por uma densa vegetação, geralmente com muitas bananeiras. O fundo dos poços é formado por areias claras, que tem uma consistência que lembra argila.

Os fervedouros são assim chamados pelas pequenas bolhas que brotam nas águas, em razão de um fenômeno chamado ressurgência: abaixo da camada de areia, há um lençol freático e, logo abaixo, uma rocha impermeável. Por causa das rochas, a água do lençol freático jorra com muita pressão, empurrando para cima a areia e criando pequenas bolhas na água. A ressurgência impede que o corpo afunde nas águas do fervedouro.

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À medida que entardecia, era possível contemplar os diferentes tons de azul e verde da água e da vegetação.

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Findo o passeio, seguimos para Mateiros, cidade onde ficaríamos hospedados pelos próximos dias. O município é bastante pequeno, com  poucas pousadas e restaurante, por isso foi bastante prático já ter tudo arranjado pela operadora de turismo.

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O esquema da Norte Tur é familiar, a pousada é da própria empresa, a hospedagem é simples, mas confortável. Os jantares são feitos em restaurantes familiares na cidade, as refeições são caseiras e bem preparadas, apesar das dificuldades logísticas de transporte de alimentos. O pacote também inclui lanches e água durante todo o passeio.

No próximo post, eu conto como foi o segundo dia da expedição. Aguardem 🙂