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Rússia

Comer bem

Onde comer em Moscou

Eu e a comida “eslava” temos um longo caso de amor e ódio.

Sem querer generalizar, mas já generalizando, uso o termo “eslavo” para me referir a alguns pratos clássicos – o borscht, o pierogi ou pelmeni – de países como a Polônia, Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, entre outros.

Durante os meses que vivi na Polônia, tive muita dificuldade para me adaptar aos hábitos alimentares de inverno: muita sopa, muitos embutidos e muita gordura.

Para piorar um pouco, os meus maiores desafetos alimentares são justamente alguns dos ingredientes mais populares da gastronomia polonesa e eslava, de forma geral: beterraba, repolho e natas (smietana ou smetanka – a onipresente nos pratos eslavos).

Dito isso, não é de se estranhar que o meu primeiro ímpeto ao buscar restaurantes em Moscou foi procurar outras experiências gastronômicas, como é o caso da cozinha dos países do Cáucaso, tão comum por lá e tão distante de nós.

O primeiro restaurante que fomos foi o Uzbekistan. É claro que eu não entrei no Uzbekistan sem saber que o estabelecimento era internacional o suficiente para conseguirmos nos comunicar. Mesmo assim, nunca vou me esquecer do choque que foi entrar no restaurante, que mais parecia um palácio opulento, decorado com divãs, espelhos, lustres. Ouro, muito ouro – daqueles lugares que qualquer pessoa desastrada já fica com medo de ter que vender o rim se quebrar alguma coisa. Mal sabia eu que aquela era a apenas a primeira vez que o meu queixo iria cair na Rússia.

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Mas, a essas horas, você deve estar se perguntando: e a comida? O menu do Uzbekistan, por óbvio, contempla a gastronomia usbeque, com pratos a base de arroz pilaf, noodles, muito cordeiro e vegetais. A comparação mais próxima que eu poderia fazer com algo que é bastante comum no Brasil – e correndo um risco enorme de estar dizendo uma enorme besteira – é que os pratos me lembraram “comida árabe” genericamente falando.  Mas o cardápio vai muito além da gastronomia usbeque, tem opções da culinária da Geórgia, do Azerbaijão e até da China. Nós provamos o Pilaf Usbeque, um prato a base de arroz, com cordeiro, cenoura e tomates.

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Outra culinária na minha listinha era a georgiana. Havia lido maravilhas sobre ela e sabia que não ia ser tarefa fácil escolher um restaurante diante da infinidade de opções em Moscou. Depois da experiência com o palacete do dia anterior, buscamos uma opção que fosse mais moderna e jovem.

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Encontrei o Vysota 5642, um restaurante bem descolado e intimista, mas que ao mesmo tempo oferecia a oportunidade de provar os pratos mais conhecidos da gastronomia georgiana.

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Provamos o Shashlik de cordeiro, que é um espeto de cordeiro na brasa (shashlik é a minha palavra favorita em russo e eu não ia perder a oportunidade de “prová-la”) com uma salada de salsinha e outras folhas que usamos como tempero e tomates de Baku, uma variedade de tomates cultivada no Azerbaijão que é simplesmente maravilhosa.

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Depois provamos um tipo de Khachapuri, um pão super macio recheado com queijo georgiano que  nas fotos parece uma pizza ou uma focaccia e tem um gostinho que lembra um pouco o nosso pão de queijo. Nós pedimos o Adjaruli Khachapuri, que tem um formato de losango com um ovo cru encima. A ideia é ir comendo o pão pelas beiradas e molhando no ovo. Um agradecimento ao garçom que nos explicou isso antes que pudéssemos destruir o pão comendo da forma errada.

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Uma dica imperdível para quem vai a Rússia é aproveitar os vinhos da Geórgia, que são muito bons e bem mais em conta do que outros vinhos importados por lá. A cepa mais famosa é a Saperavi, comum nessa região do Cáucaso.

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Agora era chegada a hora da comida russa propriamente dita. Onze em cada dez blogs de viagem vão sugerir o White Rabbit e o Cafe Pushkin como melhores restaurantes para provar a comida russa em Moscou. Sao duas opções bem diferentes entre si, mas igualmente atrativas. Cogitamos ir ao Cafe Pushkin, mas as opiniões contraditórias que li me deixaram receosas de apostar tanto dinheiro em um lugar.

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No final das contas, a experiência mais legal com comida russa que tivemos em Moscou foi no Lapim i Varim, que tem várias filiais em Moscou e um excelente custo-benefício. O Lapim i Varim é especializado em pelmeni e oferece uma variedade de recheios, massas e molhos. O pelmeni é parecido com um ravioli, mas com uma massa bem fina, existem diversos formatos e recheios a depender da região Rússia. Apesar de ser uma franquia e funcionar quase como fast food, o ambiente do Lapim i Varim é bem descolado e jovem.

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Antes de terminar esse post, eu não poderia deixar de falar no Mendeleev Bar,  um bar “secreto”que eu descobri após uma busca no google por “best cocktail bars in Moscow”. Essa história de bar secreto que nunca é secreto me parece um pouco batida, mas tratando de um bar secreto na Rússia a experiência tinha potencial de ser, no mínimo, engraçada.

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O google havia me dito que o Mendeleev ficava dentro de um restaurante asiático. A rua Petrovska estava bem vazia, a maioria dos estabelecimentos fechados, com exceção de um restaurante de noodles. Ao abrir a porta, deparamos com um restaurante asiático como qualquer outro e antes mesmo de pensar em perguntar pelo bar, vimos um segurança ao lado de uma cortina preta: era lá mesmo.

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O Mendeleev fica no subsolo e tem um ambiente meio taverna, com uma decoração que lembra um laboratório secreto e meio macabro, com uma trilha sonora sensacional. O menu não está em inglês (apesar da capa sugerir que sim), mas a atendente foi bem solícita, nos perguntou o tipo de coquetel que buscávamos, saiu para prepara-los e voltou com um baú com gelo seco verde e os coquetéis dentro.

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Eu não sei se os russos se divertem tanto com a experiência, mas para quem não sabia perguntar quase nada, tudo era muito inusitado e cômico. Adoraria dizer o que tomamos, mas eu nunca vou saber.

 

 

 

Planejamento de viagem

Dicas para programar a sua viagem à Rússia

Dez anos atrás, enquanto fazia intercâmbio universitário na Polônia, estive muito perto de visitar a  Rússia e realizar o  meu sonho infantil de conhecer um pouco do maior país do mundo. Mas não fui porque tive medo: medo de não conseguir ler uma placa na rua, me perder, nunca mais achar meu hotel, não conseguir pedir comida e morrer congelada no banco de uma praça que eu nem iria saber qual era porque não sabia ler #tragica.

Medo bastante potencializado porque precisamente essa era a minha realidade na Polônia. Eu não conseguia ler quase nada – e olha que tudo estava em alfabeto romano.

Em novembro de 2017 consegui finalmente ir a Rússia. Gostaria de chamar isso de coragem, mas talvez o nome adequado seja: smartphone.

Com Google Maps, Duolingo, Google Translator e afins ficou bem mais fácil visitar destinos com idiomas tão diferentes dos nossos. Pensando nisso, reuni aqui algumas dicas para tirar o máximo da tecnologia para planejar a sua viagem à Rússia. E, como bonus, escrevi algumas dicas migratórias também.

Aprenda o alfabeto cirílico

Provavelmente a pergunta que eu mais ouvi ao voltar da Rússia foi: “é possível ir sem falar russo?”. A resposta não é simples e vai sempre envolver um “depende”. Depende de para aonde você vai: Moscou, São Peterbusrgo ou interior da Sibéria?

Como eu só visitei Moscou e São Petersburgo, eu só posso falar da minha experiência nessas duas cidades. São Petersburgo é mais amigável para quem não lê cirílico: as ruas da cidade estão escritas também em alfabeto romano, o metrô é todo traduzido para o inglês e as estações estão escritas com o alfabeto romano também.

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Já Moscou é um pouco diferente. Dentro dos trens, já é possível encontrar os nomes das estações em alfabeto romano e os avisos em inglês. Porém, na estação as informações estão em cirílico e nessas horas não há google maps que te salve.

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A dependência do idioma também varia de acordo com o padrão da sua viagem. Por exemplo, se você pode bancar hotéis de redes internacionais com concierges, transfers e guias turísticos certamente o russo não vai ser uma questão.

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Agora, quanto mais você pretende economizar, fazendo as atividades por conta própria, de transporte público e comendo em restaurantes locais, mais você vai depender de saber um pouco da língua russa.

É por isso que eu sugiro que, se você pretende ter alguma independência na sua viagem e não tem rios de dinheiro para gastar, vale a pena aprender as letras do alfabeto cirílico e algum vocabulário básico de viagem. Você vai ler inúmeros relatos de pessoas que foram à Moscou sem saber uma palavra de russo ou sequer uma letrinha do alfabeto cirílico e sobreviveram. Mas eu ouso dizer que a sua experiência vai ser muito mais suave e bem sucedida se você tirar algumas horas antes da viagem para aprender as letras do alfabeto cirílico e algum vocabulário básico de viagem. A outra opção é inventar formas mirabolantes de memorizar símbolos para ler as estações do metro, o que me parece uma opção muito mais penosa do que aprender as letrinhas do alfabeto de uma vez por todas.

Ative o roaming do seu celular

Com exceção dos hotéis, para acessar o wi-fi público é preciso validar o seu número de celular por meio de um código enviado por mensagem. Então, se o seu celular não estiver com rede, nada de wi-fi. Portanto, não se esqueça de ativar o roaming antes de viajar!

Adquira o chip internacional 

Outra opção para quem não quer depender do wi-fi público é comprar um chip de celular. Nós não compramos, mas conheci alguns brasileiros que compraram um chip com internet antes mesmo de viajar.

Baixe os mapas offline no Google Maps

Essa é uma dica para qualquer viagem, mas se torna ainda mais crucial em países com alfabetos distintos do nosso. Com o mapa offline no celular, a sua chance de ter que perguntar algo para alguém fica bastante reduzida.

Baixe o aplicativo Yandex Metro

Esse é o considerado melhor aplicativo para o Metrô de Moscou e de São Petersburgo. Funciona offline e calcula a melhor rota para você. Disponível na Apple Store e Google Play.

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Compre os seus ingressos online 

Algumas atrações de Moscou e São Petersburgo são bastante disputadas, então vale a pena comprar os ingressos online meses antes da sua viagem. É o caso das apresentações de ballet e ópera nos teatros mais prestigiados dessas duas cidades. Você também pode adquirir os ingressos do Museu Hermitage e evitar filas e as passagens de trem entre Moscou e São Petersburgo.

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Não perca o papel que te dão na alfândega 

Ao entrar em território russo, todo estrangeiro deverá preencher o Cartão Migratório. Esse formulário pode ser distribuído pela companhia de transporte antes do desembarque ou estará disponível no saguão de desembarque.

Em alguns casos, como foi o nosso, o Cartão não é disponibilizado antes e o preenchimento é feito pelo próprio agente de imigração, de maneira informatizada, no momento de passagem pelo Controle de Fronteiras. Nesses casos, o viajante apenas assina o Cartão Migratório no local indicado e o agente de imigração o entrega uma parte do Cartão onde consta o carimbo com a sua data de entrada no território russo.

Agora vem a parte mais importante: as autoridades migratórias russas exigem a devolução do Cartão Migratório no momento da partida do território russo, portanto é necessário mantê-lo até o fim da viagem. A recomendação da Embaixada Brasileira em Moscou é manter consigo o Cartão durante todo o período de permanência em território russo, em caso de requisição pelas autoridades locais. Eu não sei se é a regra, mas nos dois hotéis em que nos hospedamos o Cartão Migratório foi solicitado no check in, então mais um motivo para tê-lo sempre em mãos.

Não se esqueça do Registro Migratório 

De acordo com a Embaixada do Brasil em Moscou, qualquer estrangeiro deve realizar o Registro Migratório junto às autoridades locais russas, dentro de até 7 dias úteis, para cada cidade por onde passar. Se você estiver hospedado em hotel, albergue, pensão ou alojamento, o próprio estabelecimento é responsável pelo seu Registro Migratório. Agora se você estiver hospedado em Airbnb ou com um amigo, é importante assegurar que o anfitrião realize o Registro Migratório.

Os hotéis que ficamos em Moscou e São Petersburgo nos entregaram o comprovante do Registro Migratório e nós guardamos até o final da viagem. Para mais informações, consulte o site da Embaixada do Brasil em Moscou.