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Patagônia Chilena

cover punta arenas
Roteiros, Viagens

Sul da Patagônia Chilena: Punta Arenas

Depois dos dias no Parque Torres del Paine, voltamos à Punta Arenas para passar dois dias e, em seguida, retornar à Santiago.

Como iríamos devolver o carro que havíamos alugado para ir ao Parque, decidimos nos hospedar no centro da cidade para facilitar a locomoção. Como passaríamos os dias 24 e 25 de dezembro, não tínhamos a pretensão de fazer nada além de descansar e bater perna pela cidade. Em outras datas, além de passear pelos pontos turísticos da cidade, é possível realizar passeios ao Forte Bulnes e pegar um barco até a a Isla Magdalena e Isla Marta para ver os pinguins.

Apesar de ser uma das maiores cidades da região, Punta Arenas é uma cidade relativamente pequena, com cerca de 150 mil habitantes.

Foi fundada em 1848 e abrigou o principal porto de navegação entre os oceanos Pacífico e Atlântico, em razão da sua localização geográfica muito próxima do Estreito de Magalhães, até a fundação do Canal do Panamá em 1914.

Além de suas raízes indígenas e hispânicas, a cidade teve forte imigração croata até a década de 1920 e essa influência é notável nos nomes das ruas, lojas e nos sobrenomes.

Nos hospedamos no Hotel José Nogueira, que fica em um prédio centenário – a casa de José Nogueira e sua esposa, Sara Braun –  importantes figuras históricas da região. O prédio é muito bonito e bem conservado e abriga também o Bar Shackleton, um bar com ares de taverna, assim chamado em homenagem ao explorador anglo-irlandês Ernest Henry Shackleton, que foi um dos principais exploradores da Antártida.

hotel punta arenas

O Hotel fica ao lado da praça Muñoz Gamero, que abriga o monumento à Bernardo O´Higgins (uma das figuras principais da Independência do país), a Catedral da cidade e prédios do governo municipal.

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Essa área da cidade também é bem servida de lojas, bancos, casas de câmbio, agências de viagem locadoras de automóveis e restaurantes. Destaque para a Rua Bernando O´Higgins que concentra a maior parte dos restaurantes da cidade.

No Natal foi um desafio achar um restaurante aberto e que não tivesse preços exorbitantes nesses dias de feriado. Acabamos optando pelo Mesita Grande novamente e não nos arrependemos. Ô lugar bom!

mesita punta

Para a sobremesa, recomendo o La Chocolatta, uma chocolateria que fica no centro da cidade e oferece várias opções de tortas, bebidas quentes, além de alfajores e chocolates para levar pra casa.

chocolateria

A algumas quadras de distância é possível chegar ao calçadão na beira da “praia”, que garante um ótimo lugar para aproveitar o entardecer (ainda que este aconteça às 23h). No dia do Natal, nem o vento polar a 50 km por hora impediu as crianças de estrearem seus patins e bicletas no calçadão da praia.

entardecer punta arenas

Para quem curte arte de rua, é possível encontrar alguns murais e intervenções na cidade.

street art

Punta Arenas conta também com uma Zona Franca que possui várias lojas de perfumaria, bebidas, eletrônicos, etc. Apesar de afastada do centro, é fácil chegar de ônibus, taxi ou taxi comunitário.

 

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Sul da Patagônia chilena: de Torres del Paine à Punta Arenas

Quem já leu meus outros relatos de viagem  já percebeu que o terceiro dia de viagem é o dia da zica climática e, dessa vez, não foi muito diferente.

Confesso que a minha grande preocupação em relação a essa viagem para Patagônia era pegar chuva e tempo fechado, mesmo sendo verão. Mas quando chegamos lá, descobrimos que o problema não era esse, como eu expliquei no post anterior, o que é normal ocorrer é a inconstância, o tempo abre e fecha várias vezes ao longo do dia.

No nosso terceiro e último dia no parque, nos despedimos da paisagem que rodeia a Hostería Pehoé e partimos em direção aos mirantes que ainda não havíamos visitado.

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Pegamos a estrada rumo a Guarderia Pudeto e fizemos uma pausa para tomar um café. Ao lado  Havia vários ônibus de linha chegando de Puerto Natales com destino ao parque.

cafeteria

Aproveitamos para apreciar a outra ponta do Lago Pehoé, de onde saem passeios de barco.

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Em seguida, fizemos uma pequena caminhada até o mirante do Salto Grande, foi então que percebemos que o vento estava muito mais forte do que nos outros dias. Foi difícil até tirar fotos da cachoeira.

Cachoeiras

O vento estava tão forte que desistimos de fazer a caminhada até o mirante do lago Nordenskjold, tivemos até que abaixar por alguns minutos para esperar as rajadas de vento passarem.

Dirigimos, então, até o Hotel Grey e iniciamos uma pequena trilha para se aproximar dos blocos de gelo. Infelizmente, o vento também não permitiu que déssemos seguimento na caminhada, mas ao menos foi possível visualizar os blocos azuis de gelo contrastando com o tom cinza esverdeado do lago Grey.

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Foi um pouco frustrante não ter conseguido aproveitar esse último dia conforme havíamos programados, mas, ao mesmo tempo, fiquei aliviada de termos pegado essa ventania toda nesse dia e não no dia da trilha até a base das torres #polianafeelings

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Seguimos, então para a saída do parque rumo a Puerto Natales. Lá, paramos para almoçar em uma pizzaria chamada Mesita Grande. Além de pizzas, o restaurante oferece massas e saladas. Experimentamos a pizza de salmão com a Fernando de Magallanes, uma cerveja muito boa da região.

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Chegamos em Punta Arenas no final da tarde e ainda aproveitamos para dar umas voltas no centro da cidade, aproveitando o clima natalino. No próximo post, eu conto como aproveitamos o nosso tempo em Punta Arenas 😉

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Sul da Patagônia Chilena: a trilha até a base das Torres

Para o segundo dia no parque, havíamos programado fazer a trilha até a base das Torres, o trekking mais famoso do parque, que leva até a paisagem que é o seu cartão postal, com o lago esverdeado e as três torres ao fundo.

Para quem está interessado em caminhadas mais longas, o parque oferece vários circuitos de trekking como o W, cujo trajeto se assemelha à letra W e que dura entre 4 e 5 dias, e o Circuito O, que contorna o maciço Paine e  requer entre 7 a 10 dias de caminhada. Para quem quiser saber mais, o site Destino Trilha apresenta informações bastante detalhadas sobre esses circuitos.

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Considerando a duração da nossa viagem, não seria possível fazer um circuito, mas queríamos ter pelo menos a experiência de um dia de caminhada no parque e, claro, ver a base das torres, que só é acessível por meio de trilha.  Li vários relatos de pessoas de várias idades que fizeram essa trilha para me convencer de que eu não iria pifar no meio do caminho. São 18 km no total e cerca de 8 horas de duração, o que não parece tanto, mas havia que se considerar as eternas subidas. No dia, estava chovendo quando acordamos e ficamos em dúvida se iriamos ou não (mal sabíamos que ia chover e parar de chover umas 500 vezes por dia). Aquela coisa, “tá tão bonito aqui embaixo, já vi tantas paisagens bonitas só andando de carro”. Esse pensamento durou pouco e decidimos ir em direção ao Hotel Las Torres, onde se inicia a trilha.

Não é preciso mapas ou guias, a trilha é bem movimentada e sinalizada por pontos laranjas e placas. Pelos relatos que eu li, eu havia entendido que havia uma grande subida no final, logo na chegada nas Torres, então eu estava psicologicamente preparada para esta subidona.

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Porém, não se engane, a trilha toda é permeada por subidinhas e subidonas. O bom é que você sempre pode fingir que está tirando umas fotos da paisagem pra descansar um pouquinho. Na foto abaixo é possível avistar o lago Nordenskjold.

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Logo na primeira subida, topamos com um grupo descendo uma maca com um cara completamente imobilizado. Digamos que não foi a melhor motivação para começar a trilha, mas ao ir cruzando com pessoas de várias nacionalidades e idades, você acaba sendo tomado pela empolgação.

A trilha não é nada monótona, as paisagens vão mudando de subidas para vales, bosques arborizados, rios, cachoeiras, etc. Às vezes eu me sentia como se estivesse passando pelas fases do jogo de videogame do Sony (e que bom que não teve a fase da água).

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Um dos momentos mais marcantes foi chegar no Vale do Rio Ascencio, que eu havia ouvido falar bastante em razão dos fortes ventos, que obrigam em alguns dias a se fazer essa parte da trilha agachado.

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O tempo é dinâmico para dizer o mínimo: chove, neva, faz sol em questão de minutos. A única certeza que você pode ter é que não vai parar de ventar nunca. Então, você fica em um eterno dilema de estou com calor/estou com frio. Em um primeiro momento, pode até parecer que você vai passar calor com aquele tanto de roupa, mas acredite, lá encima vai fazer frio, por isso é tão importante vestir-se em camadas. 

Ficamos muito empolgados quando chegamos na fase final da trilha: a temida subida que, toma quase 1/4 do tempo da trilha. Nesse momento o tempo fechou e começou a nevar um pouco,  tornando a chegada ainda mais dificultosa.

subida

Quando finalmente chegamos na base das torres, a frustração foi enorme. Estava tudo fechado, nevando, nada de laguinho verde, nada de torres. Pior ainda era pensar em andar mais 9km pra voltar.

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Mas, a vantagem do tempo inconstante é que em menos de 15 minutos já estava tudo limpo de novo e, aos poucos, as torres foram se revelando por entre as nuvens. Enquanto isso, nos refugiamos junto com outras pessoas que não haviam desistido de esperar o tempo abrir e avistamos um filhote de lobo andando pelas pedras.

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Quando as nuvens finalmente se dispersaram, tivemos a certeza de que tudo valeu a pena, a vista das torres é realmente de outro mundo.

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Tiramos fotos até as mãos congelarem e nos preparamos para a volta, que foi mais rápida do que a ida, afinal, descer e bem mais fácil do que subir, né?

selfies torres

Chegamos por volta das 21h horas no Hotel Las Torres. Para encerrar o dia, jantamos no restaurante do hotel antes de voltar para a hostería em que estávamos hospedados.

fim da trilha

Pedimos o famoso cordeiro patagônico com molho de calafate (uma berry típica da região) e o filé mignon com purê de milho. Os preços são igualmente proibitivos, mas a comida estava significativamente melhor do que a da Hosteria Pehoé (afinal, o que não é bom depois de horas de caminhada a base de biscoito e barrinha de proteína?)

restaurante las torres

Algumas dicas práticas:

  • Vista-se em camadas;
  • Opte por calçado e casaco impermeável, para evitar se molhar na chuva intermitente.
  • Para quem sente muito frio nas mãos, um par de luvas pode ser necessário na chegada da base das torres.
  • O bastão para caminhada não é imprescindível, mas ajuda bastante, principalmente se estiver carregando mochilas pesadas.
  • É importante levar lanches para todo o percurso. Ao longo do caminho, há apenas uma lanchonete em um dos refúgios e os preços – como os demais no parque, são bastante salgados.
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Sul da Patagônia Chilena: de Punta Arenas ao Parque Torres del Paine

Desde que voltamos da viagem à Região dos Lagos no Chile, ficamos doidos para retornar ao país e ir até a Patagônia. No final do ano passado, surgiu a oportunidade de, enfim, marcarmos nossa esperada viagem para a região. Como tínhamos apenas uma semana, começamos o árduo processo de selecionar o que seria factível nesse número de dias. Decidimos, em primeiro lugar, que a viagem iria se restringir à Patagônia chilena, por maior que fosse a tentação de querer ir ao Glacial Perito Moreno em El Calafate na Argentina. Seria possível fazer um passeio por dia e “conhecer” tudo, mas seria muito corrido, extremamente cansativo e, ainda por cima, muito caro, considerando que cada passeio custa em torno de $100 dólares por pessoa (coloque aí R$ 800,00 por casal por dia). Mas, ainda assim, o que se chama de Patagônia chilena é uma região muito vasta, então fechamos que iríamos nos ater ao sul da Patagônia, que compreende as províncias de Última Esperança e de Magalhães.

A partir dessas decisões, optamos por comprar o voo de Santiago para Punta Arenas, ir de carro até o Parque Torres del Paine. A intenção era passar três dias e duas noites no parque, quando iríamos visitar de carro os principais mirantes, fazer a trilha até a base das torres e visitar o Glacial Grey. Em seguida, retornaríamos à Punta Arenas para passar o Natal e, de lá, voltaríamos para Santiago.

Chegamos em Punta Arenas e, já no aeroporto, pegamos o carro que havíamos reservado. Tivemos muita sorte, pois o humilde carro que reservamos não estava disponível e nos deram uma caminhonete, muito melhor para andar nas estradas de rípio do parque. Não é que seja necessário ir com uma caminhonete ou 4×4 para andar no parque, mas ela certamente fez a nossa vida mais fácil (e muito mais glamourosa :P).

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No dia seguinte, fomos ao centro de Punta Arenas resolver algumas pendências e, em seguida, partimos em direção à Puerto Natales, capital da província de Ultima Esperanza, que fica de frente para o canal de mesmo nome. A cidade foi assim batizada porque foi nesse lugar que o navegador espanhol Juan Ladrilleros alimentou suas últimas esperanças de localizar o Estreito de Magalhães. Chegamos em Puerto Natales na hora do almoço, então paramos para comer algo e dar umas voltas na cidade, que é bem menor do que Punta Arenas, mas aparentou ter uma infraestrutura turística até mais desenvolvida, em razão de sua proximidade do Parque. De lá, saem ônibus para o Parque e várias agências oferecem passeios não só para o parque, mas também para outros glaciares mais afastados

Puerto Natales

Em seguida, pegamos a estrada novamente em direção ao Parque Torres del Paine. O parque, que é considerado o mais importante no Chile, constitui uma das reservas da biosfera da Unesco. “Paine” é um termo nativo tehuelche para “azul”, que alude aos tons azuis dos glaciares, icebergs, rios e lagos. O parque abriga o maciço Paine, um bloco de picos e agulhas de granito que tem ao fundo o campo de gelo do sul. Optamos por entrar no parque pela entrada da Laguna Amarga, pois eu havia lido que era mais bonita.

Pelo caminho avistamos vários guanacos, camelídeos que lembram as llamas peruanas, andando livremente pelo parque.

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Fizemos esse caminho com calma, apreciando cada mirante do parque até chegarmos na Hosteria Pehoé, onde ficaríamos hospedados pelos próximos dois dias.

Mirante

Nós não havíamos sequer pesquisado as opções de hotéis dentro do parque porque sabíamos que seria muito caro, mas quando vimos as fotos dessa hosteria, eu ousei pesquisar. Li também que de todas era a mais modesta, mas com a vista mais bonita. E realmente era verdade, vejam a foto abaixo da vista do nosso quarto.

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Pelas avaliações, eu sabia que ia ser aquele tipo de local que você paga pela paisagem, porque a estrutura e os serviços são não condizentes com o preço exorbitante. Quanto a isso, posso dizer que me surpreendi, à exceção da vista, que eu tinha grandes expectativas, eu não esperava nada do lugar e a hospedagem foi muito boa, exceto pelo café da manhã incluso na diária e pelo restaurante, que era caríssimo para a qualidade mediana do que ofereciam. Mas, enfim, não nos arrependemos, ver todas as cores do parque, do nascer do sol ao entardecer, foi inesquecível.

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