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Roteiros

Um roteiro pelo Jalapão: parte 2

Como eu contei no primeiro post sobre o Jalapão, o nosso primeiro dia de viagem foi bem intenso em horas de trepidação na estrada, intercaladas com paradas para conhecer os atrativos ao longo do caminho.

O segundo dia foi o oposto: bem menos horas de trepidação e mais tempo nos atrativos. Começamos o dia com uma visita ao fervedouro Belavista, que mais parecia uma jacuzzi feita pela natureza (muito melhor do que as jacuzzis feitas pelo homem, não?)

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Fervedouro Belavista

Mas nem tudo na vida pode ser assim tão perfeito, então tinha algumas espécimes humanas com uma caixa de som portátil ouvindo música enquanto curtiam o fervedouro. Eu não preciso dizer o que tocava a caixa de som, porque está implícito o que ouve alguém que carrega uma caixa de som para um fervedouro, não é?

Como o número de banhistas  é limitado, rola uma espécie de rodízio para entrar no fervedouro, então tivemos a nossa chance de curtir o lugar sem música.

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Fervedouro Belavista

O segundo atrativo do dia foi a Cachoeira da Formiga. Certamente é uma das cachoeiras mais lindas em que já estive, fui enfeitiçada pela água esverdeada e transparente e fiz algo que alguém que não sabe nadar nunca faz: entrei sem nem pensar na profundidade e tive que usar todo o meu nado cachorrinho para me segurar em alguma borda.

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Cachoeira da Formiga

Mesmo sendo feriado, as atrações estavam tranquilas. A exceção foi a Cachoeira da Formiga, que estava lotada de locais curtindo o feriado, o que era uma cena alegre de ser ver, os moradores da região curtindo as belezas da sua terra.

Tivemos bastante tempo para curtir a Cachoeira da Formiga porque o nosso ônibus quebrou. Aliás, se tem algo certo em uma viagem para o Jalapão é que o seu ônibus vai quebrar em algum momento – ou em vários momentos. Vai ser o ar condicionado, o pneu, o freio ou todos eles.

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O 4X4 da expedição

Eu mesmo só fiquei sabendo pelos amigos que haviam me indicado a empresa que o ônibus deles tinha quebrado depois de fechar a nossa expedição. Pensei em ficar abalada com a informação, mas a minha amiga foi logo me dizendo que o das outras empresas também quebraram naquele dia e, como um bom ser humano, o fato da tragédia ser compartilhada amenizou a minha própria potencial tragédia, algo do tipo: “se todo mundo está lascado, que mal faz você estar?”

A primeira vez pode ser um pouco chocante, mas as operadoras de turismo costumam estar preparados para esse tipo de ocorrência, já que são realmente muitos quilômetros de estrada de chão e de areia.

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Pneu furado na volta para Palmas

Ainda antes do almoço, fizemos uma parada na comunidade quilombola do Mumbuca. Os quilombolas são descendentes de africanos escravizados que mantém tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. No Brasil, existem cerca de 3 mil comunidades certificadas pela Fundação Palmares e o Mumbuca é uma delas. A comunidade, com cerca de 200 habitantes, é como uma grande família formada por remanescentes de quilombolas e indígenas que habitavam a região.

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Árvore genealógica da Comunidade do Mumbuca

A Comunidade do Mumbuca vive da agricultura de subsistência e do artesanato feito com capim dourado. Todo ano, em setembro, é realizada a Festa da Colheita do Capim Dourado, promovida pela Associação dos Artesãos Extrativistas do Povoado do Mumbuca. A festa celebra o começo do período de coleta do capim dourado, que somente é autorizada pelos órgãos ambientais entre os dias 20 de setembro e 30 de novembro. Na edição desse ano, os moradores lançaram a marca Mumbuca, agora o artesanato produzido na comunidade poderá ser identificado mundo afora.

É de se esperar, então, que o Mumbuca seja o melhor local para comprar artesanato feito com capim dourado. Além de ter uma grande variedade de peças, você compra diretamente da comunidade, o que é bom para eles e bom para você, já que os preços são bem mais baixos do que os das lojas das cidades.

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Artesanato feito com Capim Dourado na Comunidade do Mumbuca

A forma como é conduzida a visita ao Mumbuca é uma das poucas críticas que eu tenho ao roteiro da expedição. Acho que teria sido muito importante que os organizadores do passeio contassem antes da visita a história do povoado, pois senão a visita ao local se torna uma mera parada para comprar artesanato e os viajantes de várias partes do país que passam diariamente por lá perdem uma valiosa chance de entender o que significa aquele lugar.

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Uma das ruas da Comunidade do Mumbuca

Saindo de lá, partimos para o almoço na propriedade do fervedouro do Buritizinho, onde tivemos mais uma refeição caseira maravilhosa.

Companheiro de almoço

Companheiro de almoço

De quebra, ainda sobrou um tempo para visitar rapidamente o fervedouro, que é lindo e com forma e tonalidade bem diferente dos outros que havíamos visitado.

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De lá, seguimos para mais algumas horas de trepidação rumo às famosas dunas do Parque Estadual do Jalapão para assistirmos o pôr do sol. Antes de chegar às dunas, tivemos uma bela visão da Serra do Espírito Santo, que é também um dos principais atrativos da região (cenas dos próximos capítulos).

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Vista da Serra do Espírito Santo

As dunas fazem todo o seu entorno parecerem um grande oásis no meio de tanta areia. Lá de cima é possível ver a Serra do Espírito Santo de outro ângulo.

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Vista da Serra do Espírito Santo a partir das dunas

Quase sem luz natural, fizemos uma pequena trilha de volta ao carro e retornamos à Mateiros para o jantar e assim terminou o nosso segundo dia 🙂

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No próximo post, eu conto como foi o nosso terceiro e último dia 🙂