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Trastevere: um dos bairros mais lindinhos de Roma

Os outros signos do zodíaco que me desculpem, mas quando Deus fez Roma, meus amigos, ele a fez para os librianos.

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Essa combinação de ruas estreitas e sinuosas, com casinhas em 50 tons de ocre cobertas por plantas é a materialização de tudo que a minha alma libriana sempre quis.

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Tudo bonito, mas com um toque de bagunçadinho – ou bagunçadão, a depender da sua posição no zodíaco.

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E, se tem um lugar em Roma que reúne todas essas qualidades, esse lugar é o Trastevere. O bairro, localizado na margem oeste do rio Tibre, esteve por muito tempo fora dos limites de Roma. Não por acaso, seu nome – Trans Tiberim – significa além do Tibre, em Latim.

Como tudo em Roma, para além da beleza, as ruas sinuosas do Trastevere carregam muita história. O bairro abrigou pescadores, escravos de Roma Antiga recém libertos. Séculos depois, o Trastevere foi habitado pela comunidade síria e por judeus. Posteriormente, a comunidade judaica migrou para a margem leste do Tibre, mais próxima ao centro da cidade. Na década de 1970, marcada pela efervescência cultural e política na Itália, o Trastevere foi morada de escritores, artistas, músicos, ativistas e comunista.

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É talvez desses últimos moradores que o bairro carregue a herança boêmica, sendo hoje conhecido pelos viajantes por abrigar inúmeros restaurantes, cafés e barzinhos descolados.

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A única certeza que eu tinha quando marquei a viagem para Roma é que eu iria me hospedar por lá. Eu não pesquisei transporte, distância das atrações, tudo o que eu queria era acordar e sair por aquelas vielas.

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E nesse aspecto eu fui bem atendida, o nosso hotel ficava numa rua que era praticamente o tipo ideal de rua fofinha em Trastevere e era um prazer acordar todo dia e sair caminhando pelas vielas vazias, ver os cafés e padarias abrindo aos pouquinhos.

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O Trastevere não é um bairro residencial, totalmente local e afastado do boom turístico, mas ele te dá um gostinho local com a conveniência de estar relativamente próximo das atrações, coisa que nenhum hotel na beira da Fontana de Trevi vai te dar, nem se você acordar às 7h da manhã.

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Durante o dia, alguns grupos de turistas e seus guias começam a aparecer, mas é a noite que o bairro parece ganhar mais movimento turístico, quando as pessoas deixam o centro para jantar por lá. Mesmo com o burburinho turístico, você sempre pode encontrar uma ruela tranquila para chamar de sua.

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Eu não sei se o Trastevere é o bairro ideal para você se hospedar em Roma, mas posso garantir que você não pode deixar de visitá-lo!

Comer bem

Onde comer em Roma: massas, cafés, sorvetes e mais

À primeira vista, comer bem na Itália não parece ser uma tarefa complicada, não é? Acontece em cidades com grande fluxo de turistas – como é o caso de Roma,  a proliferação de restaurantes voltados para turista acaba dificultando um pouco essa missão.

Não pretendo dizer que um restaurante turístico é necessariamente ruim, mas em um país com tanta tradição gastronômica, chega a ser um desperdício arriscar não comer bem. Como dizem os próprios italianos:

La vita è troppo breve per mangiare e bere male

E, olha que na maioria dos casos, o menu turístico nem chega a ser mais barato do que o menu de um restaurante comum,  o negócio é realmente pesquisar algumas boas opções próximas dos seus pontos de interesse na cidade e na hora que a fome apertar já saber para aonde ir.

Eis aqui a minha contribuição para a listinha dos futuros visitantes da Cidade Eterna:

Se você estiver perto do Vaticano: La Zanzara Bistrot

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Cacio e Pepe no La Zanzara

O La Zanzara é um restaurante moderninho e descolado no bairro Borgo Vitorio, bem perto do Vaticano. Fica aberto do café da manhã ao jantar. O menu oferece várias opções da gastronomia romana, além de saladas e petiscos. No almoço, fomos de cacio e pepe, uma massa com molho de queijo e pimenta que é típico de Roma.

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Acabamos voltando outro dia para o café, que, aliás, foi o melhor capuccino da viagem.

Se você estiver na Estação Termini: Mercato Centrale

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Café da manhã tipicamente romano: capuccino e cornetto

Descobri o Mercato Centrale pelo Instagram da Giulia (@omgsomuchcaffeine), que aliás, tem dicas gastronômicas ótimas de Roma. O Mercato fica dentro da Estação Termini e oferece opções para tomar café, almoçar, jantar ou beber. Fomos para tomar café da manhã (delícia, por sinal), mas bateu um sério arrependimento de não ter ido almoçar ou jantar, porque as opções pareciam muito boas.

Se você estiver em Campo del Fiori: Obica Mozzarela

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Conheci o Obica por acaso em Milão (veja mais sobre ele aqui). Desde então fiquei com vontade de voltar para provar as tão famosas burratas de lá. Encontrei uma filial do Obica no Campo del Fiori e foi a oportunidade perfeita para provar a burrata e os presuntos e salames da casa. Além dos petiscos, o menu também tem pizzas e outras massas.

Se você estiver em Trastevere: Ristorante Sette Oche in Altalena

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Bom, se você estiver em Trastevere, boas opções de restaurantes e bares não vão faltar. Antes mesmo de eu pesquisar as boas opções por lá, fiz esse achado espontâneo bem próximo ao hotel que ficamos. O Sette Oche in Altalena é um restaurante com opções tradicionais da cozinha romana, mas com um clima mais jovem e descontraído, tem mesinhas na calçada e também um espaço interno, que lembra uma taverninha. Gostei tanto que voltei duas vezes.

Se você estiver na Estação Ostiense: Eataly

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O Eataly (do inglês EAT, comer, e ITALY, Itália) é um grande mercado que reúne alimentos italianos de qualidade, além de utensílios de cozinha, livros e outros artigos relacionados à gastronomia.  Hoje existem 38 filiais do Eataly pelo mundo e a de Roma é simplesmente a maior delas. Além de ser um excelente local para comprar comida italiana para estocar dar de presente, o Eataly também oferece várias opções para almoçar e jantar. O de Roma, por exemplo, tinha restaurantes especializados em massas, peixes, carnes, queijos, além de cervejarias, docerias, sorveterias e por aí vai.

Mas vamos agora ao que realmente importa: o sorvete

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A minha teoria sobre os sorvetes italianos é que eles são muito bons para você desperdiçar seu tempo e dinheiro (e calorias) tomando um sorvete que não seja simplesmente um dos melhores. Veja bem, eu não disse o melhor, porque isso é bem controverso e muito pessoal, se for um dos melhores, já está valendo.

Na minha primeira ida a Itália, gostei muito da gelateria Grom. Dessa vez, acabei encontrando poucas filiais em Roma e nem provei, mas esse é um dos que eu recomendaria. Outra gelateria bem popular é a Venchi, que também tem chocolates e crepes.

Fora estes, li boas recomendações de duas gelaterias:

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A primeira foi a Gelateria del Teatro, onde provamos o sorvete de chocolate branco com manjericão (estranho, mas boom). Uma boa pedida é passar por lá quando estiver indo visitar o castelo e a ponte Sant´ Angelo.

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Provamos também o sorvete do Il Gelato de San Crispino, que ficou especialmente famoso após o livro “Comer, Rezar e Amar” da Elizabeth Gilbert. Além dos sabores tradicionais, lá é possível encontrar opções mais criativas como o gelato de canela com gengibre e o de mel. Gostei dos dois 🙂

 

 

 

 

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Cartas

Querida Milão,

Não me leve a mal, mas eu não sei porque eu decidi te visitar. Ou melhor, eu sei, foi porque eu não queria ir para Roma. Quer dizer, não nessa viagem. Então optei por você por ser a cidade grande mais próxima dos meus outros destinos, a região da Toscana e Veneza.

Comprei a passagem sem saber muita coisa sobre você, além dos clichês: capital da moda, do design e centro financeiro do país.

Então, para além dos pontos turísticos tradicionais, como o Duomo, o Castelo Sforzcesco, o Teatro Alla Scala, Galeria Vittorio Emanuele, etc, comecei a pesquisar um pouco sobre os seus bairros para saber quais lugares seriam interessantes para flanar meio sem rumo e achei Brera e o Navigli.

IMG_0185Detalhes do piso da Galeria Vittorio Emanuele

A primeira vez que eu passei por Brera foi em um dia de semana, achei tão bonitinho, as ruas são estreitas, com alguns becos mais estreitos ainda, lojas de design, artistas comprando tintas, vitrines lindas, floriculturas e frutarias. Mas é ao entardecer que Brera se tornou ainda mais interessante, as ruas estreitas se tornam mais movimentadas, pessoas saindo do trabalho se juntam aos turistas, que se acomodam nas mesas pelas calçadas em busca do aperitivo, o famoso happy hour milanês. Como o tempo estava bom à noite, depois de uma recém saída do inverno, as pessoas pareciam ainda mais empolgadas de poderem sair à rua. Em Brera, fomos ao Obicà Mozzarella Bar, experiência que eu já contei anteriormente, e comemos um docinho na California Bakery. Mas faltou tempo para provar tudo que gostaríamos de ter provado por lá.

IMG_1378 Varandas em Brera

Já o Navigli nós conhecemos em um fim de tarde, fomos caminhando do centro mesmo até chegar aos canais e nos concentramos no Naviglio Grande. As ruas em volta dos canais tem vários restaurantes com mesas ao ar livre e algumas lojinhas. Foi uma ótima escolha ir no final do dia, apesar de estarem com pouca água, os canais ficaram muito bonitos ao entardecer e foi possível observar aquele mesmo movimento de pessoas em direção aos bares e restaurantes.

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Enfim, Milão, você me ofereceu uma ótima experiência. Voltaria fácil para assistir uma ópera no Teatro Alla Scala e perambular por outros bairros 😉

Beijos,

Carla

 

Dicas

Os blogs Milão nas Mãos e O Guia de Milão tem dicas bacanas para planejar a sua estada na cidade.

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Comer bem, Viajando sozinha

O Mercado Central em Florença

Tinha tanta coisa para falar no post sobre a comida italiana que nem sobrou espaço para comentar a minha experiência no Mercado Central em Florença.

Antes de mais nada, eu preciso admitir, tenho uma mania estranha: adoro ir em supermercado em outras cidades, ficar andando nos corredores, vendo os produtos diferentes, comparando preços. Isso mesmo, tipo criança que sempre precisa conhecer o banheiro quando vai em um lugar novo, sabe? Melhor ainda do que ir em supermercado quando estou viajando, é poder ir em um mercado ou feira local e, sabendo da fama gastronômica da Itália, eu já fui com a expectativa de visitar algum.

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Em Florença, a dona da pousada havia me dado algumas dicas de bons lugares para comer e uma delas foi o Mercado Central. Mais do que apenas um mercado local,  ele é uma das atrações turísticas da cidade,  fica próximo aos demais pontos de interesse da cidade e é bem fácil de chegar. Durante o dia, você pode passear pelas bancas de produtos locais, frutas e vegetais frescos, massas, queijos, embutidos, cogumelos, doces, temperos, vinhos e por aí vai. Dá vontade de levar todas as alcachofras e aspargos pra casa, daí você se lembra que não pode e o jeito é só admirar mesmo.  Aproveitei para comprar alguns condimentos, massas e frutas vermelhas desidratadas. Além das bancas de comida, havia algumas que vendiam almoço, mas estavam cheias e o menu do dia não me apeteceu.

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No dia seguinte, um casal de brasileiros que conheci no caminho de San Gimignano também me falou bem dos restaurantes do mercado e eu fiquei intrigada, pois não tinha visto nada que me chamasse tanta atenção. Foi então que me explicaram que, além da parte térrea, o mercado tem um piso superior com vários restaurantes, que inclusive abrem a noite para o jantar. Foi uma ótima notícia, já que era o meu último dia em Florença e não ia dar tempo de passar no mercado no dia seguinte. Fui, então, conhecer a versão noturna do mercado e achei um empreendimento muito legal. O ambiente muda completamente, a parte térrea é fechada, na entrada um recepcionista te encaminha para o piso superior. Nele, encontram-se vários restaurantes e bares, o pedido é feito diretamente no balcão e você pode se acomodar nas mesas e balcões disponíveis. O espaço tem uma cara moderna, uma luz bem legal (nada de luz de geladeira), música ambiente e televisores, inclusive, no dia que eu fui estava sendo transmitida uma partida de futebol e estava um clima super legal. Pelo o que eu vi, são realizados vários eventos nesse espaço, vale a pena conferir a agenda caso esteja com viagem marcada para Florença 🙂

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Também me explicaram que foi feita uma espécie de concurso para selecionar os doze restaurantes que iriam fazer parte da “praça de alimentação” do mercado, que representassem bem a gastronomia local e abrangessem uma variedade de opções de comida, de peixes à street food. Além de tudo isso, o piso superior também tem uma lojinha do Eataly e abriga a Escola de Cozinha Lorenzo de Medici, que é toda de vidro e permite que se veja as pessoas aprendendo a cozinhar. Outra informação importante é que ao lado do mercado tem uma variedade de bancas de artesanatos, souvenirs e produtos em couro (ou não rs).

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E o que eu comi? Nada, era tanta opção boa que eu não consegui decidir, acabei voltando para o meu já tradicional Yellow Bar perto do hotel.

Informações Úteis

Mercato Centrale

Piazza del Mercato Centrale, 50123 Firenze

 

Florence planning
Roteiros, Viajando sozinha

É possível conhecer a Toscana sem carro?

Para mim, não existe maior diversão do que construir um roteiro de viagem. Então, quando decidi que ia para a Itália, já tratei de pensar quais seriam as  cidades visitadas. Essa decisão partia da premissa de que seria impossível visitar todas as cidades italianas da minha lista de desejos em uma viagem de dez dias e, considerando que a viagem seria no início da primavera, deixei a parte centro/sul do país para uma próxima oportunidade quando tempo estivesse mais quentinho para poder aproveitar as praias. Assim, fiquei com as seguintes opções: (1) ir para a região norte da Lombardia e visitar o lago Como e talvez até algumas cidades na Suíça; (2) Ir para a região de Vêneto, passando por Pádova, Verona, até chegar em Veneza; e (3) Ir para a região de Bolonha ou esticar até a Toscana.

A primeira opção eu descartei de cara, pois o foco da viagem era conhecer a Itália, então não faria sentido passar a maior parte da viagem na Suíça, certo?Já a decisão entre a segunda e a terceira opção foi mais difícil, porque eu queria as duas coisas e não tinha tempo pra tudo, a não ser que eu apenas passasse em Milão, sem conhecer direito e eu não queria fazer isso. Então, como uma boa libriana, acabei decidindo fazer pouco das duas opções. Decidi ir para a Toscana, mas sem parar em Bolonha (snif), passar o fim de semana em Milão e, por último, ir para Veneza direto (sem Pádova e Verona.. snif 2). Deu super certo! A minha maior dúvida na montagem do roteiro pela Toscana era se seria possível explorar a região sem carro, já que eu estaria sozinha e não ia compensar alugar um. Depois de ver e ouvir alguns relatos, percebi que era possível visitar vários locais usando apenas ônibus e trens, sem contar a possibilidade de contratar passeios nas agências de turismo de lá.

Então, o roteiro ficou assim: cheguei de Brasília por Milão no domingo e aproveitei a tarde para começar a conhecer a cidade. Na segunda pela manhã, peguei o trem para Florença, que seria onde eu iria dormir nos próximos quatro dias e iria conhecer em maior profundidade. A partir de lá, fui decidindo qual cidade visitar a depender do tempo e do meu ritmo mesmo, poderia, inclusive, ter decidido passar os quatro dias inteiros em Florença (e certamente teria muita coisa para fazer por lá).  Como eu estava sozinha, o tempo acaba rendendo bem mais, então deu para conhecer Pisa, Lucca, San Gimignano e Siena. É claro que não deu tempo de entrar em cada igreja de Lucca e subir em todas as torres de San Gimignano, eu selecionei as atrações que mais me interessavam em cada cidade e aproveitei o resto do tempo para aproveitar a cidade nos dias ensolarados. Sou daquelas que gosta mais de andar pela cidade do que entrar em todos os museus e igrejas #prontofalei. Nesse ritmo, a cidade que ficou mais prejudicada foi Siena, que merece uma visita mais longa e aprofundada.

A maior vantagem de utilizar o transporte público foi não ter que se preocupar em dirigir nessas cidades-formigueiro, buscar estacionamento, etc. A maior desvantagem foi não ter a flexibilidade de horário e de trajeto que um carro te dá. No caso de San Gimignano, por ter que pegar dois ônibus, se você não coordenar os horários direitinho, acaba perdendo muito tempo esperando na rodoviária. E não dá para parar pra bater foto quando você vê uma coisa incrível, né? Na volta de Siena, peguei um pôr do sol maravilhoso naqueles campos de filme da Toscana, mas aparentemente a única pessoa comovida no ônibus era eu, os locais estavam com aquela cara de “essa é a paisagem que eu vejo todo dia na volta do trabalho”.

IMG_0354Pôr do sol no caminho de Siena para Florença

Mas tem solução para resolver todos esses problemas: em Florença, várias agências oferecem passeios e tours privados que te levam a essas cidades menores, aos vales do Chianti, ao Val d´elsa, degustação de vinhos, passeio de bicicleta, de Vespa, de Cinquecento e tudo mais que você imaginar. Acabei optando por deixar esses passeios para uma próxima viagem, quando os campos estivessem mais verdinhos, mesmo tendo sol, a vegetação ainda estava meio acinzentada, sabe? E não ia ter girassol 🙁

IMG_0316Vista dos campos da Toscana em San Gimignano

Bom, depois dos passeios pela Toscana, eu voltei para Milão para passar o fim de semana e, no domingo a tarde parti para Veneza. Apesar de ter ficado apenas um dia e meio, deu para conhecer bastante coisa, andei horrores, visitei as ilhas de Burano e Murano, fiz o passeio de gôndola… Em síntese, consegui aliviar a ansiedade de conhecer Veneza ainda nessa viagem, é claro que ainda tem muita coisa para se explorar em uma segunda visita, dessa vez combinando com Verona e Pádova, quem sabe?

Informação importante: Todos os trechos de trem foram feitos pela Trenitalia, companhia estatal italiana. Os trechos curtos dos bate-e-volta foram comprados na hora nas máquinas da empresa nas estações de trem e o trecho Milão-Veneza foi comprado com mais antecedência no guichê da companhia. A exceção foi o trecho Milão-Florença -Milão que eu decidi comprar na Italo, a concorrente da Trenitalia. Os preços estavam iguais, o tempo de viagem era o mesmo, comprei apenas para experimentar e recomendo, os trens são modernosos, com wi-fi, opções de lanchinhos do Eataly e tem até um vagão que passa filme, tipo cinema.

O site Passeios na Toscana e o blog Planejando a Viagem tem avaliações bastante detalhadas dos trens italianos, que me ajudaram bastante a planejar a viagem 😉

Resumo do roteiro 

Milão – 3 dias e 3 noites

Florença – 4 noites, 2 dias inteiros na cidade

Pisa- meio dia

Lucca – meio dia

San Gimignano – meio dia

Siena- meio dia

Veneza – um dia e meio e uma noite

 

 

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Comer bem, Viajando sozinha

Sobremesas ou como eu aprendi a amar avelãs

Eu contei no post anterior como comer na Itália mudou a minha concepção sobre comida. Agora vamos falar um pouco sobre as sobremesas italianas. A minha maior expectativa recaía sobre os gelatos, o sorvete italiano, que é mais do que uma sobremesa, afinal, pode ser consumido em qualquer momento (foi, inclusive, o almoço em algum dia dessa viagem :P). O grande problema do gelato era o frio, apesar de o tempo não estar congelante, tomar um sorvete quando faz 5 graus não deixa de ser uma quebra de tabu, né? (com direito à voz da sua mãe dizendo “vai gripaaar”). No primeiro dia em Milão, não encarei, mas ao chegar em Florença, havia tantas gelaterias e as pessoas simplesmente tomavam sorvete no frio, no vento, na chuva, que eu decidi não esperar mais. Sim, fez jus à fama. Adorei e tomei todos os dias, apenas tive cuidado para selecionar as marcas tradicionais e não correr o risco de estar tomando um sorvete qualquer, afinal, se era para ganhar uns centímetros no quadril, que fosse com sorvete de qualidade!

O sorvete da Gelateria Dondoli

O sorvete da Gelateria Dondoli

A marca que mais gostei foi a Grom (com destaque para o sorvete de torrone) e a Gelateria Dondoli. A Grom é super fácil de achar em Milão, Veneza e em várias cidades da Toscana (acredito que na Itália como um todo), já a Gelateria Dondoli é um pouco mais exclusiva, fica na Piazza della Cisterna em San Gimignano e já ganhou uma série de prêmios internacionais. Outra marca excelente é a Amorino, famosa pelos sorvetes esculpidos em formato de rosas, cujo sorvete pode ser saboreado não apenas na Itália, mas em outros países europeus, como França e Portugal.

O Panforte é uma sobremesa típica da Toscana, feita de nozes, frutas cristalizadas, amêndoas, farinha e açúcar e mais açúcar. Pode ser consumida com café ou vinho santo (é um vinho doce de sobremesa) depois da refeição. Outra sobremesa que é servida com o vinho santo é o cantucci, um biscoito duro feito de amêndoa, mas esse não sobrou espaço no estômago para testar. O panforte é saboroso, mas com sabor bastante doce e acentuado, a depender do sabor escolhido. Mas é fato que é uma sobremesa muito bonita, daquelas que faz você parar na frente da confeitaria para admirar.

Outro doce maravilhoso bastante conhecido entre nós é o torrone. Assim, como o panforte, também me fazia ficar babando nas vitrines das confeitarias. Confesso que a primeira vez que experimentei o torrone “de verdade” fiquei decepcionada, aliás, mais do que decepcionada, quase fiquei sem dentes. É que a variedade que eu escolhi era muuito dura e eu não estava contando com isso. Daí desencanei, pensei que não estava precisando ficar sem dentes em Veneza sozinha e não comprei mais torrone. Até que no último dia passei super rápido no Eataly em Milão para fazer umas comprinhas gastronômicas (leia-se, prolongar a gordice para mais um semestre em casa) e e peguei dois torrones que pareciam mais molinhos. Gente, pra que? Podia ter ido embora sem saber o tanto que o torrone molinho era bom, chocolate com avelãs, imagina só o sofrimento de não ter trazido um monte. O bolso agradece porque não era um doce barato, em torno de 8 euros.

Tiramisu 

Meu último e mais caprichado tiramisu na Rossopomodoro no aeroporto em Milão

Meu último e mais caprichado tiramisu na Rossopomodoro no aeroporto em Milão

Segundo as minhas pesquisas na internet, a origem do Tiramisu na Itália é controversa, mas ele encontra-se disseminado por todo o país para a alegria de todos. O doce é feito de camadas de biscoito savoiardi molhados no café, intercaladas por um creme feito com queijo mascarpone e, ao final, polvilhado com chocolate amargo. Estava com bastante expectativa para provar o tiramisu legítimo, já que havia provado o doce algumas vezes aqui, mas sabia que seria diferente. Na verdade, sendo um doce bastante difundido por toda a Itália, tive a sensação de que cada Tiramisu que eu provei foi diferente. É claro que a essência era a mesma, mas a forma de servir, mais ou menos café, chocolate extra como cobertura, formato, enfim, cada restaurante dá a sua cara. No meu primeiro dia em Veneza, quando ainda estava perdida, deparei com uma fábrica de tiramisu e decidi entrar para me localizar e provar um. Havia o tiramisu clássico e outras versões com gianduia ou pistache. Provei o de Pistache e passei a achar que todo tiramisu devia era mesmo vir com pistache.

Trufas na feira de chocolates em Siena

Trufas na feira de chocolates em Siena

E não poderia deixar de falar do chocolate! É claro que o chocolate não é algo típico da Itália. Na verdade, quando eu penso em chocolate sempre me vem à mente Suíça ou Bélgica, então meu estômago não estava com grandes expectativas sobre o chocolate italiano. Foi uma grata surpresa, não sobrou espaço para comer chocolate puro, mas ele está em todo lugar, nos sorvetes, no tiramisu, nos biscoitos, nas pastas de chocolate para passar em torradas, pães. Em Siena encontrei uma feira de chocolate, uma verdadeira loucura, cerca de dez barraquinhas com chocolates artesanais em barras, dos mais variados tipos, pastas de chocolate, chocolate quente, trufas, fondue e tudo mais que você puder imaginar que possa ser feito com chocolate. Era tudo tão bonito e tão cheiroso que eu simplesmente não consegui comprar nenhum. Talvez porque não pudesse escolher entre tanta variedade. Ou porque tinha comido horrores no almoço. O fato é que apreciar visualmente foi suficiente.

Bom, sobre os docinhos, a última coisa que eu tenho a declarar é que eu era uma pessoa feliz não gostando de Nutella. Na verdade, para mim Nutella era apenas chocolate, meio que ignorava a existência das avelãs nesse processo. Sei lá, avelã é algo tão distante, nunca vi uma ao vivo no supermercado. Até que depois de passar 10 dias comendo Nutella no café da manhã, sorvete de Nutella, gianduia, torrone de chocolate com avelã, eis que agora essa combinação chocolate +avelã me parece a melhor coisa que já inventaram no mundo. E como explicar para o meu estômago que ele vai ter que se contentar com alfarroba recheada com banana daqui pra frente?

Informações úteis 

Gelateria Grom 

Via del Campanile angolo via delle Oche – Florença

Gelateria Amorino

Alzaia Naviglio Grande, 24 – Milão

Gelateria Di Dondoli

Piazza della Cisterna, 4 – San Gimignano

Eataly

Piazza XXV Aprile, 10 – Milão

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Comer bem, Viajando sozinha

Itália: comer nunca mais será a mesma coisa

Pizza, parma, polpettone, panini, pecorino, é tanta coisa boa que vem da Itália que, por óbvio, o meu estômago tinha desenvolvido grandes expectativas sobre essa viagem. No entanto, junto com uma grande expectativa, a gente sempre se resguarda de uma possível grande decepção.  Mas, por sorte isso não ocorreu, ao contrário, a minha experiência com a comida na Itália conseguiu ser ainda mais surpreendente do que eu esperava. Antes mesmo de viajar, eu me maravilhei com a diversidade da culinária, que tem uma infinidade de pratos típicos que variam de região para região e até mesmo entre as estações do ano (por exemplo, comidas mais leves no verão e pratos mais encorpados no inverno). É claro que isso não acontece apenas na Itália, mas é gostoso ver como alguns países tem uma ligação tão forte com aquilo que comem, como é o caso da França e do Peru. Como disse um amigo italiano, comida não é apenas algo para comer, mas uma importante parte da cultura italiana, é uma relação entre as pessoas, que vai desde a seleção dos ingredientes ao preparo dos pratos.

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Agora, vamos aos pratos. Não tenho uma grande paixão por sopas, principalmente quando tem tanta massa e pizza dando mole por aí, mas decidi que ao menos uma vez nessa viagem iria provar uma sopa como parte da minha experiência gastronômica italiana. Em Florença, li sobre a ribollita e decidi prová-la, fui no Yellow Bar, um restaurante sugerido pela pousada onde fiquei. Apesar do nome gringo, o restaurante tem um menu bastante tradicional, gostei tanto que voltei lá umas três vezes ao longo da viagem. Inclusive, foi nesse restaurante que eu comi o-melhor-tagliatelle-da-vida, que me fez pensar que comer nunca mais seria a mesma coisa. Mas, voltando à sopa, a ribollita tem como base o pão, acompanhado de feijão branco e vegetais, a textura é bastante consistente e difere um pouco das sopas de legumes mais comuns. O nome ribollita vem do fato de antigamente os camponeses faziam sopa em grandes quantidades e requentavam nos dias seguintes. Gostei da experiência, combinou bastante com o tempo frio.  A ribollita é apenas uma das sopas, entre vários outros pratos típicos da cozinha de Florença e da Toscana como um todo. Gostaria de ter tido tempo, estômago e metabolismo para ter provado vários outros, mas considerando que eram os meus primeiros dias de viagem, acabei sendo cativada pelos pratos mais “famosos” da cozinha italiana.

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Já em Milão, eu sabia que tinha que provar o risoto alla milanese com ossobuco e a cotoletta, por nós conhecida como bife à milanesa.  Acabou que no primeiro dia fomos cativadas pelo Obicà Mozzarella Bar, uma rede italiana presente também em cidades como Dubai, Nova Iorque e Londres. Apesar de ser uma rede de restaurantes, o Obicà Mozzarella Bar nos pareceu bastante autêntico. Silvio Ursini, o proprietário, explica que Obicà significa em um dialeto de Nápoles algo que está acontecendo neste momento diante dos seus olhos, o que tem tudo a ver com o tipo de comida que é servido no restaurante: muçarelas feitas por produtores locais, pizzas e saladas com ingredientes frescos de pequenos produtores. Não é a toa que o Obicà é um dos apoiadores do projeto Slow Food, que surgiu na década de 1980 na Itália em defesa da culinária tradicional, da produção local de alimentos e da boa comida e em oposição à massificação dos fast foods.  É claro que nós sabíamos disso tudo quando decidimos comer no Mozzarela Bar, foi apenas sorte de viajante 🙂

Outra experiência legal em Milão foi provar a minha primeira pizza italiana “de verdade”. Tinha acabado de chegar de viagem e decidi começar a caminhada em Milão pelo Duomo – a catedral de Milão. Como ainda estava me situando na cidade, optei por comer algo prático no almoço e achei uma filial da Pizzeria Spontini, que me pareceu ideal. O ambiente é bem descontraído, você faz o pedido no caixa e come em balcões, em pé mesmo. As fatias são fartas, com massa grossa e muito queijo, me lembrou bastante as pizzas da Dom Bosco, pizzaria tradicional de Brasília, que também tem esse ambiente descontraído e vende fatias de pizza de apenas um sabor. Maas, isso não significa que esse seja o padrão das pizzas italianas, percebi que existe uma variedade muito grande de tipos de pizza, que mudam de região pra região e entre os restaurantes.

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Finalmente, o dia seguinte foi o de provar o risoto alla milanese com ossobuco  e não poderia ter sido melhor. A história desse prato vem de uma lenda que conta que um dos artesãos que trabalhava na construção da catedral em Milão tinha como segredo na preparação das tintas misturar um pouco de açafrão e, por esse motivo, ele era conhecido como “Saffron”. O mestre dizia que, um dia, Saffron iria acabar colocando açafrão até no arroz. No dia do casamento da filha do mestre, o artesão decidiu pregar uma peça e colocou açafrão no arroz que seria servido na festa, o que deu origem ao risoto alla milanese. Fomos passear pelo Navigli, um dos bairros de Milão, que tem belos canais, muitos restaurantes e uma vida noturna bastante agitada, e escolhemos um restaurante na beira do canal. Estava quente o suficiente para sentar nas mesinhas de fora e frio o suficiente para comer um risoto com vinho. Perfeito dolce far niente! E, para finalizar, fomos tomar um gelato na Amorino, experiência que fica para o próximo post 😉

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Informações úteis:

Yellow Bar 

Via del Proconsolo, 39r – Florença

Pizzeria Spontini 

Via Santa Radegonda, 11 – Milão

L´altro Luca & Andrea 

Azaia Navligio Grande 24 – 34 – Mião

Obicà Mozzarella Bar

Via Mercato, 28 –  Milão

 

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Cartas

Querida Itália,

Eu sempre quis te conhecer! Sempre do tipo, desde os cinco anos de idade, quando eu via as competições na Olimpíadas de Barcelona e aquele uniforme azul me cativou e eu decidi torcer por você. Não me pergunte o porquê, acho que foi amor à primeira vista – ou, como você diria, um colpo di fumine.

Mas, à medida que foram surgindo outras oportunidades, e viajar tornou-se algo bem menos longínquo e inalcançável do que me parecia aos 5 anos de idade, te visitar foi perdendo espaço na minha lista de prioridades.

E, para piorar, acho que acabei dando ouvido àqueles comentários recalcados de que você “não era tão bonita assim”, o trânsito é um caos, as pessoas falam alto, no verão faz tanto calor que a sua cabeça pega fogo, tem hordas de turistas orientais, as filas intermináveis nos museus de Florença, Veneza fede e por aí vai…

Confesso que algumas dessas intrigas se revelaram verdadeiras (outras eu não tive a oportunidade de confirmar). Mas, como diz aquela frase da Clarisse Lispector, “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.  Acho que esses “defeitos” junto com as demais características a fazem um país único.

Afinal, viajar não é ir para a terra do nunca, um lugar encantado que não tem nenhum defeito, o nome disso é idealização, viajar é apenas conhecer novos imperfeitos e desfrutar de todas a sua imperfeição, que, afinal, é diferente das agruras do nosso dia a dia. Nada como quando a chuva florentina ou as hordas de adolescentes devastando a paz dos museus são os maiores problemas que você vai enfrentar em um dia.

Uma surpresa positiva foram as pessoas, Itália, não que eu pensasse fosse ser mal recepcionada, mas a atenção e o trato com os turistas foi um aspecto que me agradou muito e superou as minhas expectativas.

Adorei as suas ruas estreitas, mesmo quando elas não tinham saída nem nome, os lençóis dependurados nos varais nas varandas de Veneza, as flores coloridas nas janelas de Burano, achar uma loja de chocolate em cada esquina (afinal, nunca se sabe quando você pode precisar de uma), o cheiro de pizza saindo do forno em San Gimignano… ah, a comida merece um texto à parte, pois essa foi a minha maio surpresa. Mas isso é assunto para a próxima postagem.

Abraços e obrigada por tudo.

Carla