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Um roteiro sobre Direitos Humanos em Santiago

É difícil visitar o Chile e não deparar com a memória social da ditadura militar que teve início em 1973 no país, a começar pelo Palácio La Moneda, sede da Presidência da República do Chile e um dos principais pontos turísticos de Santiago, que foi alvo de bombardeio em 11 de setembro de 1973, liderado pelo então comandante do Exército chileno, Augusto Pinochet. Era, então, deposto o presidente Salvador Allende, Fundador do Partido Socialista do Chile,  que governara o país de 1970 até 1973.

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O Palácio La Moneda fica na Plaza de la Ciudadania, bem no centro de Santiago e acessível pela estação do metrô “La Moneda”. Além de apreciar sua fachada externa, é possível fazer tour guiado pelo interior do Palácio. Eu não cheguei a fazer esse tour, mas no Meus Roteiros de Viagem tem um relato bem detalhado de como realizar esse passeio.

No subsolo da Plaza de la Ciudadania, fica o Centro Cultural Palacio La Moneda, que abriga exposições temporárias e permanentes, além de possuir uma sala para exibição de filmes e um café.

Tal como no Brasil, os anos de ditadura militar chilena foram marcados pela ruptura com o sistema democrático, a dissolução do Congresso Nacional, a suspensão dos partidos políticos, a restrição dos direitos civis e políticos, como a liberdade de expressão e de reunião e, principalmente, pela violação dos direitos humanos.

Tendo como base a ideologia da doutrina da segurança nacional, colocou-se em prática uma política repressiva com o objetivo de sufocar toda potencial ameaça à ordem estabelecida, por meio de prisões, torturas, assassinatos e exílio. Essas ações afetaram milhares de chilenos, entre políticos de esquerda, dirigentes sindicais e simpatizantes do governo Allende.

Além da polícia e das forças armadas, foram criados órgãos específicos para essas finalidades, como a Direção de Inteligência Nacional e a Central Nacional de Informações.

Nas últimas décadas, o Chile conduziu várias investigações sobre as violações de direitos humanos realizadas durante o período da ditadura militar. O relatório da Comissão Valech – a comissão da verdade mais recente conduzida no país, reconhece um total de mais de 40 mil vítimas da ditadura chilena.

A melhor forma de conhecer melhor essa história é visitar o Museu da Memória e dos Direitos Humanos em Santiago. Ele explica, de forma bastante didática e interativa, como se deram as sistemáticas práticas de violação de Direitos Humanos durante a ditadura chilena, além de prestar uma homenagem às vítimas e  a suas famílias. Certamente foi uma das atrações que eu mais gostei na cidade, de todos os países que eu já visitei na América do Sul, não tenho conhecimento de nenhum outro que tenha feito um trabalho tão primoroso de reconstrução e exposição dos horrores dos anos de autocracia. Já adianto que o Museu é grande e com muita informação, então, para valer a pena, reserve umas 3 horas para visitar tudo com calma.

Apesar de um pouco distante do centro, o museu é facilmente acessado pela estação do metrô “Quinta Normal”, ao lado de parque de mesmo nome, que também vale a visita.

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Por acaso, outro lugar que encontramos por acaso um pouco da memória social da ditadura chilena em Santiago foi no bairro Brasil, que originalmente havíamos decidido visitar em razão dos resquícios da arquitetura do início do século passado.

No início do século XX, o bairro Brasil era um bairro de luxo, mas a partir da década de 1940 os moradores ricos começaram a migrar para outros bairros mais valorizados e o bairro Brasil caiu em esquecimento. Em razão disso, a região acabou escapando da exploração imobiliária, o que fez com que muitas das belas mansões em estilo gótico e neoclássico, quase todas do início do século XX, sobrevivam até hoje, ainda que desgastadas pelo tempo. Além disso, a presença de universidades próximas ao bairro propiciou uma vida cultural e artistica intensa na região.

O bairro fica um pouco afastado do centro, mas para quem gosta de caminhar é tranquilo chegar até lá andando (e barato chegar até lá de taxi). O melhor lugar para começar a flanar pelo bairro é a Plaza Brasil, que aos finais de semana tem uma atmosfera bem agradável, com uma feirinha de livros antigos e artesanato, pessoas descansando na grama, gente tocando vilão e crianças brincando.

Foi lá que tivemos a grata surpresa de encontrar entre as barraquinhas da feira uma associação chamada FUNA, que em Espanhol significa algo como “esculacho”. O lema da associação é “Si no hay justicia, hay funa“, o que quer dizer que ” Se não há justiça, há constrangimento público”. Conversamos bastante com um dos líderes do movimento, que nos explicou que o trabalho deles consiste em identificar pessoas que atuaram na violação de direitos humanos na ditadura militar chilena, foram condenados, mas permanecem sem punição até hoje. A partir dessa identificação, a associação divulga a história da pessoa, junto com endereço e foto, e organiza atos de constrangimento público em frente à casa da pessoa condenada, cujo passado na maioria dos casos permanecia desconhecido para a maioria da sociedade.

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A Plaza Brasil também é rodeada por cafés e livrarias vinculadas à esquerda chilena. Experimentamos o Crónica Digital, que tinha cafés e tortas maravilhosas.

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Depois do café, seguimos pela Avenida Brasil, a rua principal do bairro, que é cheia de bares, cafés e restaurantes e parece ser o point da noite.

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E, de lá, fomos explorando as ruas menores, que são cheias de casarões antigos.

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E arte de rua….

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E mais arte de rua.

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Bom, esse é certamente um relato restrito de um universo muito mais amplo de atividades e passeios relacionados aos direitos humanos em Santiago, mas espero ter dado minha contribuição aos apreciadores do tema 😉

Comer bem, Roteiros, Viagens

Comer bem em Santiago

O mundo tem lugares o suficiente para você ser um pouco de tudo.

E Santiago foi o lugar que escolhi para ser repetitiva.

Quando chegamos na cidade pela primeira vez, em 2014, depois de 12 dias perambulando pelo Uruguai e Argentina, decidi que queria pela primeira vez naquela viagem comer algo fácil, que nao tivesse que olhar o tripadvisor, os comentários, o endereço e bláblá… eu queria um Mc Donalds.

Mas por ironia, nao achamos um Mc Donalds espontaneamente (e, se fosse pra pesquisar, perderia todo o propósito).

Mas achamos um restaurante peruano. E adoramos comida peruana. Adoramos talvez seja pouco. Somos obcecados por comida peruana, todas aquelas mil batatas, cebolas, lomos e pisco. O local tinha um ar meio sujinho que fez o meu lado hiponcondriaco pensar por uns instante algo do tipo “ai-Deus-se-eu-pegar-salmonella”, mas estava tão lotado que não podia ser ruim.

Fomos uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Conclusão, eu duas viagens ao Chile almoçamos lá todos os dias.

E, se você me perguntar o que tem demais, eu vou dizer que não tem nada de demais, apenas uma comida peruana muito boa com preços excelentes (ainda que a fama tenha levado a um aumento nos preços nos últimos anos).

Tesoros

E digo mais, só nao jantamos lá todos os dias porque descobri um outro vício, o bairro Lastarria, que na verdade é um conjunto de ruas com muitas opções de restaurantes, bares e lojinhas, bem próximo ao centro de Santiago.

Uma boa opção para curtir essa região é começar com um passeio pelo Cerro Santa Lucía no fim da tarde, de onde é possível ter uma visão panorâmica do centro da cidade, com a cordilheira ao fundo.

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Depois, dar umas voltas no Parque Florestal, que é um parque pequeninho, mas com uma atmosfera muito gostosa, chão de areia, vários banquinhos para descansar, além de um parquinho para crianças

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Tomar um sorvete na Heladeria Emporio La Rosa, que tem mais de 24 sabores, entre eles os inusitados laranja com gengibre e chá verde com manga, além dos locais como chirimoya e lúcuma.

La Rosa

Desfrutar do sorvete enquanto passeia pela feirinha de rua (de quinta à domingo) e pelas lojas descoladas da região. Uma das lojas que chamou a minha atenção foi a La Tienda Nacional, loja especializada em artigos da industria cultural chilena, com várias opções de livros, CDs, desenhos e souvenirs.

Lastarria

E, por fim, não deixe de jantar ou comer uns petiscos por lá. A região conta com opções da culinária patagônica, como o Sur Patagonico, lugares para degustar vinhos como o Bocanaríz, para encher a cara de Pisco, como o Chipre Libre 0 República Independiente del Pisco e muito mais.

Cultivando a minha falta de originalidade, acabamos indo ao Tambo. Para dizer que inovei um pouquinho, em vez de pedir o Lomo Saltado (prato típico peruano), optamos pelo risoto de lomo saltado, que estava muito bom. Pedi tambem o suspiro a la limeña, uma sobremesa bem comum no Peru.

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Sul da Patagônia Chilena: Punta Arenas

Depois dos dias no Parque Torres del Paine, voltamos à Punta Arenas para passar dois dias e, em seguida, retornar à Santiago.

Como iríamos devolver o carro que havíamos alugado para ir ao Parque, decidimos nos hospedar no centro da cidade para facilitar a locomoção. Como passaríamos os dias 24 e 25 de dezembro, não tínhamos a pretensão de fazer nada além de descansar e bater perna pela cidade. Em outras datas, além de passear pelos pontos turísticos da cidade, é possível realizar passeios ao Forte Bulnes e pegar um barco até a a Isla Magdalena e Isla Marta para ver os pinguins.

Apesar de ser uma das maiores cidades da região, Punta Arenas é uma cidade relativamente pequena, com cerca de 150 mil habitantes.

Foi fundada em 1848 e abrigou o principal porto de navegação entre os oceanos Pacífico e Atlântico, em razão da sua localização geográfica muito próxima do Estreito de Magalhães, até a fundação do Canal do Panamá em 1914.

Além de suas raízes indígenas e hispânicas, a cidade teve forte imigração croata até a década de 1920 e essa influência é notável nos nomes das ruas, lojas e nos sobrenomes.

Nos hospedamos no Hotel José Nogueira, que fica em um prédio centenário – a casa de José Nogueira e sua esposa, Sara Braun –  importantes figuras históricas da região. O prédio é muito bonito e bem conservado e abriga também o Bar Shackleton, um bar com ares de taverna, assim chamado em homenagem ao explorador anglo-irlandês Ernest Henry Shackleton, que foi um dos principais exploradores da Antártida.

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O Hotel fica ao lado da praça Muñoz Gamero, que abriga o monumento à Bernardo O´Higgins (uma das figuras principais da Independência do país), a Catedral da cidade e prédios do governo municipal.

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Essa área da cidade também é bem servida de lojas, bancos, casas de câmbio, agências de viagem locadoras de automóveis e restaurantes. Destaque para a Rua Bernando O´Higgins que concentra a maior parte dos restaurantes da cidade.

No Natal foi um desafio achar um restaurante aberto e que não tivesse preços exorbitantes nesses dias de feriado. Acabamos optando pelo Mesita Grande novamente e não nos arrependemos. Ô lugar bom!

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Para a sobremesa, recomendo o La Chocolatta, uma chocolateria que fica no centro da cidade e oferece várias opções de tortas, bebidas quentes, além de alfajores e chocolates para levar pra casa.

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A algumas quadras de distância é possível chegar ao calçadão na beira da “praia”, que garante um ótimo lugar para aproveitar o entardecer (ainda que este aconteça às 23h). No dia do Natal, nem o vento polar a 50 km por hora impediu as crianças de estrearem seus patins e bicletas no calçadão da praia.

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Para quem curte arte de rua, é possível encontrar alguns murais e intervenções na cidade.

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Punta Arenas conta também com uma Zona Franca que possui várias lojas de perfumaria, bebidas, eletrônicos, etc. Apesar de afastada do centro, é fácil chegar de ônibus, taxi ou taxi comunitário.

 

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Sul da Patagônia chilena: de Torres del Paine à Punta Arenas

Quem já leu meus outros relatos de viagem  já percebeu que o terceiro dia de viagem é o dia da zica climática e, dessa vez, não foi muito diferente.

Confesso que a minha grande preocupação em relação a essa viagem para Patagônia era pegar chuva e tempo fechado, mesmo sendo verão. Mas quando chegamos lá, descobrimos que o problema não era esse, como eu expliquei no post anterior, o que é normal ocorrer é a inconstância, o tempo abre e fecha várias vezes ao longo do dia.

No nosso terceiro e último dia no parque, nos despedimos da paisagem que rodeia a Hostería Pehoé e partimos em direção aos mirantes que ainda não havíamos visitado.

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Pegamos a estrada rumo a Guarderia Pudeto e fizemos uma pausa para tomar um café. Ao lado  Havia vários ônibus de linha chegando de Puerto Natales com destino ao parque.

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Aproveitamos para apreciar a outra ponta do Lago Pehoé, de onde saem passeios de barco.

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Em seguida, fizemos uma pequena caminhada até o mirante do Salto Grande, foi então que percebemos que o vento estava muito mais forte do que nos outros dias. Foi difícil até tirar fotos da cachoeira.

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O vento estava tão forte que desistimos de fazer a caminhada até o mirante do lago Nordenskjold, tivemos até que abaixar por alguns minutos para esperar as rajadas de vento passarem.

Dirigimos, então, até o Hotel Grey e iniciamos uma pequena trilha para se aproximar dos blocos de gelo. Infelizmente, o vento também não permitiu que déssemos seguimento na caminhada, mas ao menos foi possível visualizar os blocos azuis de gelo contrastando com o tom cinza esverdeado do lago Grey.

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Foi um pouco frustrante não ter conseguido aproveitar esse último dia conforme havíamos programados, mas, ao mesmo tempo, fiquei aliviada de termos pegado essa ventania toda nesse dia e não no dia da trilha até a base das torres #polianafeelings

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Seguimos, então para a saída do parque rumo a Puerto Natales. Lá, paramos para almoçar em uma pizzaria chamada Mesita Grande. Além de pizzas, o restaurante oferece massas e saladas. Experimentamos a pizza de salmão com a Fernando de Magallanes, uma cerveja muito boa da região.

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Chegamos em Punta Arenas no final da tarde e ainda aproveitamos para dar umas voltas no centro da cidade, aproveitando o clima natalino. No próximo post, eu conto como aproveitamos o nosso tempo em Punta Arenas 😉

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Sul da Patagônia Chilena: a trilha até a base das Torres

Para o segundo dia no parque, havíamos programado fazer a trilha até a base das Torres, o trekking mais famoso do parque, que leva até a paisagem que é o seu cartão postal, com o lago esverdeado e as três torres ao fundo.

Para quem está interessado em caminhadas mais longas, o parque oferece vários circuitos de trekking como o W, cujo trajeto se assemelha à letra W e que dura entre 4 e 5 dias, e o Circuito O, que contorna o maciço Paine e  requer entre 7 a 10 dias de caminhada. Para quem quiser saber mais, o site Destino Trilha apresenta informações bastante detalhadas sobre esses circuitos.

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Considerando a duração da nossa viagem, não seria possível fazer um circuito, mas queríamos ter pelo menos a experiência de um dia de caminhada no parque e, claro, ver a base das torres, que só é acessível por meio de trilha.  Li vários relatos de pessoas de várias idades que fizeram essa trilha para me convencer de que eu não iria pifar no meio do caminho. São 18 km no total e cerca de 8 horas de duração, o que não parece tanto, mas havia que se considerar as eternas subidas. No dia, estava chovendo quando acordamos e ficamos em dúvida se iriamos ou não (mal sabíamos que ia chover e parar de chover umas 500 vezes por dia). Aquela coisa, “tá tão bonito aqui embaixo, já vi tantas paisagens bonitas só andando de carro”. Esse pensamento durou pouco e decidimos ir em direção ao Hotel Las Torres, onde se inicia a trilha.

Não é preciso mapas ou guias, a trilha é bem movimentada e sinalizada por pontos laranjas e placas. Pelos relatos que eu li, eu havia entendido que havia uma grande subida no final, logo na chegada nas Torres, então eu estava psicologicamente preparada para esta subidona.

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Porém, não se engane, a trilha toda é permeada por subidinhas e subidonas. O bom é que você sempre pode fingir que está tirando umas fotos da paisagem pra descansar um pouquinho. Na foto abaixo é possível avistar o lago Nordenskjold.

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Logo na primeira subida, topamos com um grupo descendo uma maca com um cara completamente imobilizado. Digamos que não foi a melhor motivação para começar a trilha, mas ao ir cruzando com pessoas de várias nacionalidades e idades, você acaba sendo tomado pela empolgação.

A trilha não é nada monótona, as paisagens vão mudando de subidas para vales, bosques arborizados, rios, cachoeiras, etc. Às vezes eu me sentia como se estivesse passando pelas fases do jogo de videogame do Sony (e que bom que não teve a fase da água).

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Um dos momentos mais marcantes foi chegar no Vale do Rio Ascencio, que eu havia ouvido falar bastante em razão dos fortes ventos, que obrigam em alguns dias a se fazer essa parte da trilha agachado.

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O tempo é dinâmico para dizer o mínimo: chove, neva, faz sol em questão de minutos. A única certeza que você pode ter é que não vai parar de ventar nunca. Então, você fica em um eterno dilema de estou com calor/estou com frio. Em um primeiro momento, pode até parecer que você vai passar calor com aquele tanto de roupa, mas acredite, lá encima vai fazer frio, por isso é tão importante vestir-se em camadas. 

Ficamos muito empolgados quando chegamos na fase final da trilha: a temida subida que, toma quase 1/4 do tempo da trilha. Nesse momento o tempo fechou e começou a nevar um pouco,  tornando a chegada ainda mais dificultosa.

subida

Quando finalmente chegamos na base das torres, a frustração foi enorme. Estava tudo fechado, nevando, nada de laguinho verde, nada de torres. Pior ainda era pensar em andar mais 9km pra voltar.

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Mas, a vantagem do tempo inconstante é que em menos de 15 minutos já estava tudo limpo de novo e, aos poucos, as torres foram se revelando por entre as nuvens. Enquanto isso, nos refugiamos junto com outras pessoas que não haviam desistido de esperar o tempo abrir e avistamos um filhote de lobo andando pelas pedras.

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Quando as nuvens finalmente se dispersaram, tivemos a certeza de que tudo valeu a pena, a vista das torres é realmente de outro mundo.

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Tiramos fotos até as mãos congelarem e nos preparamos para a volta, que foi mais rápida do que a ida, afinal, descer e bem mais fácil do que subir, né?

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Chegamos por volta das 21h horas no Hotel Las Torres. Para encerrar o dia, jantamos no restaurante do hotel antes de voltar para a hostería em que estávamos hospedados.

fim da trilha

Pedimos o famoso cordeiro patagônico com molho de calafate (uma berry típica da região) e o filé mignon com purê de milho. Os preços são igualmente proibitivos, mas a comida estava significativamente melhor do que a da Hosteria Pehoé (afinal, o que não é bom depois de horas de caminhada a base de biscoito e barrinha de proteína?)

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Algumas dicas práticas:

  • Vista-se em camadas;
  • Opte por calçado e casaco impermeável, para evitar se molhar na chuva intermitente.
  • Para quem sente muito frio nas mãos, um par de luvas pode ser necessário na chegada da base das torres.
  • O bastão para caminhada não é imprescindível, mas ajuda bastante, principalmente se estiver carregando mochilas pesadas.
  • É importante levar lanches para todo o percurso. Ao longo do caminho, há apenas uma lanchonete em um dos refúgios e os preços – como os demais no parque, são bastante salgados.
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Sul da Patagônia Chilena: de Punta Arenas ao Parque Torres del Paine

Desde que voltamos da viagem à Região dos Lagos no Chile, ficamos doidos para retornar ao país e ir até a Patagônia. No final do ano passado, surgiu a oportunidade de, enfim, marcarmos nossa esperada viagem para a região. Como tínhamos apenas uma semana, começamos o árduo processo de selecionar o que seria factível nesse número de dias. Decidimos, em primeiro lugar, que a viagem iria se restringir à Patagônia chilena, por maior que fosse a tentação de querer ir ao Glacial Perito Moreno em El Calafate na Argentina. Seria possível fazer um passeio por dia e “conhecer” tudo, mas seria muito corrido, extremamente cansativo e, ainda por cima, muito caro, considerando que cada passeio custa em torno de $100 dólares por pessoa (coloque aí R$ 800,00 por casal por dia). Mas, ainda assim, o que se chama de Patagônia chilena é uma região muito vasta, então fechamos que iríamos nos ater ao sul da Patagônia, que compreende as províncias de Última Esperança e de Magalhães.

A partir dessas decisões, optamos por comprar o voo de Santiago para Punta Arenas, ir de carro até o Parque Torres del Paine. A intenção era passar três dias e duas noites no parque, quando iríamos visitar de carro os principais mirantes, fazer a trilha até a base das torres e visitar o Glacial Grey. Em seguida, retornaríamos à Punta Arenas para passar o Natal e, de lá, voltaríamos para Santiago.

Chegamos em Punta Arenas e, já no aeroporto, pegamos o carro que havíamos reservado. Tivemos muita sorte, pois o humilde carro que reservamos não estava disponível e nos deram uma caminhonete, muito melhor para andar nas estradas de rípio do parque. Não é que seja necessário ir com uma caminhonete ou 4×4 para andar no parque, mas ela certamente fez a nossa vida mais fácil (e muito mais glamourosa :P).

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No dia seguinte, fomos ao centro de Punta Arenas resolver algumas pendências e, em seguida, partimos em direção à Puerto Natales, capital da província de Ultima Esperanza, que fica de frente para o canal de mesmo nome. A cidade foi assim batizada porque foi nesse lugar que o navegador espanhol Juan Ladrilleros alimentou suas últimas esperanças de localizar o Estreito de Magalhães. Chegamos em Puerto Natales na hora do almoço, então paramos para comer algo e dar umas voltas na cidade, que é bem menor do que Punta Arenas, mas aparentou ter uma infraestrutura turística até mais desenvolvida, em razão de sua proximidade do Parque. De lá, saem ônibus para o Parque e várias agências oferecem passeios não só para o parque, mas também para outros glaciares mais afastados

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Em seguida, pegamos a estrada novamente em direção ao Parque Torres del Paine. O parque, que é considerado o mais importante no Chile, constitui uma das reservas da biosfera da Unesco. “Paine” é um termo nativo tehuelche para “azul”, que alude aos tons azuis dos glaciares, icebergs, rios e lagos. O parque abriga o maciço Paine, um bloco de picos e agulhas de granito que tem ao fundo o campo de gelo do sul. Optamos por entrar no parque pela entrada da Laguna Amarga, pois eu havia lido que era mais bonita.

Pelo caminho avistamos vários guanacos, camelídeos que lembram as llamas peruanas, andando livremente pelo parque.

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Fizemos esse caminho com calma, apreciando cada mirante do parque até chegarmos na Hosteria Pehoé, onde ficaríamos hospedados pelos próximos dois dias.

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Nós não havíamos sequer pesquisado as opções de hotéis dentro do parque porque sabíamos que seria muito caro, mas quando vimos as fotos dessa hosteria, eu ousei pesquisar. Li também que de todas era a mais modesta, mas com a vista mais bonita. E realmente era verdade, vejam a foto abaixo da vista do nosso quarto.

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Pelas avaliações, eu sabia que ia ser aquele tipo de local que você paga pela paisagem, porque a estrutura e os serviços são não condizentes com o preço exorbitante. Quanto a isso, posso dizer que me surpreendi, à exceção da vista, que eu tinha grandes expectativas, eu não esperava nada do lugar e a hospedagem foi muito boa, exceto pelo café da manhã incluso na diária e pelo restaurante, que era caríssimo para a qualidade mediana do que ofereciam. Mas, enfim, não nos arrependemos, ver todas as cores do parque, do nascer do sol ao entardecer, foi inesquecível.

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Roteiro pelo Chile: Santiago, Valparaiso e Região dos Lagos

O Chile é muito conhecido entre os brasileiros pelas estações de esqui e vinícolas, mas esse país fininho da América do Sul tem bem mais a oferecer. Fui ao país pela primeira vez em janeiro de 2013, em uma viagem que combinava cidades do Uruguai, da Argentina e do Chile.

Naquela oportunidade, chegamos ao Chile por Mendoza (Argentina) e fomos direto para Valparaiso, cidade costeira que fica a cerca de 120 km de Santiago.

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Valparaíso, na minha opinião, é daquelas cidade que ou se ama ou se odeia, e nós amamos! Explico: não é uma cidade fácil, a geografia é desafiante com os seus mais de 40 morros – os cerros, como são chamados, as ruelas grafitadas, vários cães e gatos de rua (e a sujeira diretamente envolvida).

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Mas, se essas características são detestadas por uns, são justamente o que torna Valparaiso tão atrativa para outros. Nós adoramos a sensação de ter arte por toda parte, a atmosfera politizada e cultural da cidade, vários cafés e restaurantes descolados, além da vista maravilhosa para o oceano pacífico. A essa altura vocês já devem ter notado que eu amo cachorros e gatos (mais gatos do que cachorros, verdade seja dita), então os animais não foram um problema e a canseira de subir os cerros você resolve com os elevadores. Difícil mesmo é aguentar a brisa gelada mesmo no verão, ah, essa sim incomoda um pouquinho.

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Nos hospedamos em um Bed and Breakfast  no Cerro Concepción chamado Puerta Escondida, bom, bonito e barato, só não vou dizer que foi bem localizado porque nada que é encima de um cerro é propriamente fácil de chegar, certo?

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Aproveitamos nossa estada em Valparaiso para dar um passeio pelas praias de Viña del Mar e colocar os pés no (gelado) Oceano Pacífico! Em poucos minutos é possível chegar em praticamente qualquer ponto da região costeira de Viña pelo metrô que sai de Valparaiso.

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Eu não trocaria a hospedagem em Valpo por Viña, mas, olha, o entardecer em Viña é realmente qualquer coisa de fantástico.

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Findo os nossos dois dias entre Valpo e Viña, pegamos um transfer até o aeroporto de Santiago rumo à segunda etapa dessa viagem, que seria um roteiro de 3 dias na região dos lagos chilenos. Voamos pela Sky Airline para Puerto Montt, um companhia chilena que estava com preços bem mais acessíveis do que LAN à epoca. Do aeroporto, pegamos um taxi até Puerto Varas, que foi a nossa base por esses dias. A cidade fica na beira do lago Llanquihue com o vulcão Osorno ao fundo, ficamos no Hotel Cumbre Puerto Varas, na beira do lago para poder aproveitar de forma privilegiada essa paisagem. É uma pena que o tempo não cooperou, chegamos com chuva e, mesmo depois de ela ter dado trégua, o vulcão continuou escondido atrás das nuvens. Resumindo: não vi o vulcão em nenhum dos dias que ficamos por lá! Frustrações à parte, a cidade é muito agradável, nem pacata, nem agitada demais, com boas opções de restaurantes e lojinhas. A influência germânica se faz presente na arquitetura e também na culinária da região.

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No dia seguinte, fomos para Frutillar, uma pequena cidade também à beira do lago, que foi fundada por colonos alemães durante o governo do Presidente Manuel Montt e preserva as influências dessa colonização em sua arquitetura e culinária. A cidade é fofíssima, repleta de flores e docerias, onde é possível provar quitutes de origem alemã e e produtos feitos com morango e chocolate, afinal, frutillar não chama frutillar em vão, né? A cidade também é conhecida por ser a capital da música, onde acontece nos verões um dos mais importantes eventos de música clássica do Chile, as Semanas Musicais de Frutillar.

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O ideal para explorar a região é alugar um carro para poder dar a volta ao lago, conhecer as outras cidades que o circundam e explorar a região do vulcão Osorno e a Reserva Nacional Llanquihue. Como planejamos passar poucos dias, apenas para curtir a paisagem sem muitas trilhas envolvidas, optamos por não alugar um carro. Ainda assim, não foi difícil se deslocar pela região, já que as cidades contam com transporte público, uma espécie de van que faz o trajeto entre as cidades com bons preços. No fim das contas, o tempo ruim acabou tornando a nossa decisão de não alugar um carro muito acertada.

Para vocês verem que nem tudo está perdido, por ironia, acabamos tendo uma linda visão do vulcão e do lago ao fazer uma conexão em Puerto Montt em dezembro passado, quando fizemos uma viagem para a Patagônia chilena.

Para finalizar a viagem, pegamos um voo para Santiago e passamos 3 dias na cidade. Não, não deu para explorar Santiago como ela merece em apenas 3 dias,  principalmente porque já era o ultimo destino de uma longa viagem e estávamos cansados. Mas isso é assunto para o próximo post 😉