Browsing Tag

Arizona

cover flagstaff
Viagens, Viajando sozinha

Flagstaff: uma ótima opção para conhecer o norte do Arizona

Eu nunca tinha ouvido falar de Flagstaff até folhear o meu velho guia dos Estados Unidos em busca de alternativas à Las Vegas para conhecer a borda sul do Grand Canyon.

Essa pequena cidade do norte do Arizona, localizada aos pés do pico Humphrey (a montanha mais alta do Estado) é recortada pela histórica Rota 66 – a famosa rodovia norte-americana que conecta Chicago à Los Angeles.

IMG_2310

Além disso, Flagstaff também é conhecida por abrigar a Northern Arizona University e o Observatório Lowell, de onde foi descoberto o planeta Plutão.

A cidade conta com boas opções de hospedagem, gastronomia e agências de turismo, sendo uma ótima opção de base para explorar o norte do Arizona (entre 1h e 2h30 das princiais atrações)

IMG_2315

Fiquei 3 dias e 4 noites em Flag, hospedada no Grand Canyon Hostel. O albergue é simples, mas fica bastante próximo ao centro da cidade, de restaurantes e da estação de trem. E, de quebra, os preços são bem amigáveis ($25 o quarto compartilhado e $50 o quarto privativo com banheiro compartilhado).

De forma geral, os preços dos hotéis da cidade são mais baratos se comparados às metrópoles americanas ou até mesmo à Sedona. O grande problema para quem não está de carro é que a maioria deles – em geral no estilo motel americano – ficam na beira das estradas e, portanto, um pouco isolados e distante do centro.

No centro, uma opção é se hospedar nos hotéis históricos Monte Vista e Weatherford, que são conhecidos por terem hospedados celebridades nos anos 50-60 e pela fama de serem mal assombrados.

IMG_2570

A cidade tem opções gastronômicas variadas, que vão das usuais redes de restaurantes norte-americanas à cozinha tailandesa.

IMG_2428

Experimentei o Criollo Latin Kitchen, cujo menu é composto por uma mistura de elementos das cozinhas latino-americanas. Lá é possível comer desde feijoada à huevos rancheros. Bomba no happy hour e os drinks são muito elogiados.

criollo

Aliás, bons drinks é o que não falta na cidade. Como cidade universitária, desnecessário dizer que Flagstaff tem vários bares e pubs, além de muitas cervejarias locais. É tipo o paraíso cervejeiro.

brewing company

Fui à Lumberyard Brewing Company, que é um daqueles típicos bares/restaurantes americanos em que você pode ver esportes, beber cerveja e comer hamburger. A comida era OK, mas a variedade de cervejas da casa é realmente incrível.

lumbeyard

O centro da cidade é bem pequeno, então o meu curto tempo livre à noite após os passeios foi suficiente para flanar pelas ruas e visitar as lojinhas.

IMG_2311

Confesso que achei a cidade meio parada à noite para o que eu imaginava de uma cidade universitária, mas desfiz essa impressão à medida que o fim de semana foi se aproximando.

Sem dúvida, a coisa mais legal que eu fiz na cidade foi participar da ArtWalk, evento que acontece em toda primeira sexta-feira do mês, quando as galerias de arte e artesanato da cidade abrem suas portas com exposições, comes e bebes e até música ao vivo.

artwalk

As ruas ficam cheias de gente, pessoas se cumprimentam nas calçadas, conversam nas galerias. Foi um evento que me provocou ao mesmo tempo solidão – por ser uma desconhecida no meio de uma comunidade – e acolhimento, por ter sido tão prontamente incluída nas conversas.  A impressão é a de que basta uma simples interação para dar início a uma longa conversa 🙂

monument cover.jpg1
Viagens, Viajando sozinha

Arizona – dia 3: Monument Valley

O terceiro dia de viagem pelo Arizona foi o dia de conhecer o Monument Valley, as famosas formações rochosas que foram cenário para vários filmes norte-americanos.

IMG_6625

O Monument Valley está localizado nas terras da Nação Navajo, no norte do Arizona, alcançando também uma parte do Estado de Utah.

Processed with VSCOcam with c1 preset

Não foi fácil achar uma empresa que oferecesse esse passeio, já que de Flagstaff até o Monument Valley são quase 2h30 de viagem. A única que eu encontrei foi a Red Stone Tours, cujo guia era bem menos legal que a Marcia (e cheio de piadas conservadoras e machistas), mas deu tudo certo com o passeio em si e vocês vão ver pelas fotos que valeu a pena, apesar de tudo.

A viagem é feita pela Route 89 e é possível observar a mesma transição de paisagem e temperatura que ocorre no caminho para o Grand Canyon, de coníferas para o deserto. Cerca de 1h depois, chega-se a cidade(zinha) de Cameron, já dentro da Nação Navajo. Fizemos uma primeira parada no Cameron Trading Post, um dos locais mais famosos para comprar artesanato Navajo, além de também possuir hospedagem, toaletes e lanchonete.

Processed with VSCOcam with f2 preset

Para além da paisagem desértica, em Cameron, eu já passei a me sentir em outro país e cercado de outro povo. O que, na verdade, faz sentido já que dentro das nações dos povos originários são as regras deles que prevalecem.

IMG_6643

Afora as estradas e alguns equipamentos estatais, cuja construção e manutenção cabem ao Estado, as regras acerca decomo proceder no território Navajo são definidas por eles, o que significa que você precisa pedir permissão para fazer certas coisas, como realizar trilhas, acampar, etc.

As cidades que eu passei eram pequenas, apenas um aglomerado de casas simples com equipamentos estatais, como escolas e postos de saúde, além de lojas de artesanatos e restaurantes. O guia nos explicou que, na concepção dos Navajo, não faz bem viver em grandes aglomerados, por isso as cidades são, em geral, pequenas.

cidade navajo

No território Navajo, há todo o tipo de “modernidade”: hotéis, redes de fast food e até wi fi nos lugares mais impensados. Mas o nível de interação do povo com essas modernidades varia bastante. Se, por um lado, algumas pessoas estão quase totalmente integradas às rotinas e elementos das demais cidades norte-americanas (sobretudo aquelas pessoas que trabalham com turismo), por outro lado, algumas comunidades vivem completamente isoladas no deserto.

IMG_2399

O artesanato é lindo e colorido. Ainda que não vá comprar nada,  as lojas e os trading posts valem uma rápida visita para poder apreciar os vários padrões de tapeçaria e vasos, além de ter contato com o povo Navajo.

artesanato

De Cameron, seguimos até Tuba City e, de lá, até Kayenta, onde já é possível visualizar as formações que caracterizam o Monument Valley.

IMG_6604

De Kayenta fomos até o Goulding Lodge, um hotel que fica no meio do vale e tem uma vista incrível. Eu já decidi que tenho que voltar ao Monument Valley só pra ficar uma noite nesse hotel e ver o nascer e o pôr do sol com essa vista.

IMG_6620

De lá, a van saiu da estrada principal e começamos o passeio pelo meio do vale em estradas de terra, parando nos pontos principais. Como toda louca dos gatos, é claro que eu acabei achando um no meio do deserto, né? Para quem não é de gato, mas gosta de cães, já adianto que também é possível encontrar alguns.

gata

Depois voltamos para Kayenta para almoçar. Experimentei um taco navajo, feito em um pão típico deles, com chilli, salada e queiro. Gostaria de ter o registro, mas a fome estava literalmente monumental, então nem lembrei da foto.

museu goulding

Em Kayenta, existe uma réplica dos cenários dos filmes de faroeste que foram rodados na região.

IMG_2362

Além de um pequeno museu dedicado a esses filmes…

Museu do Cinema

De lá, seguimos de volta à Flagstaff. A única coisa que eu senti falta no passeio foi de ter tido mais contato com as pessoas que moram lá. Infelizmente, o contato acaba sendo meramente comercial, já que são eles que operam a infraestrutura de turismo e não senti muita margem para esticar o assunto e conversar mais sobre a sua história e tradições.

Lendo um pouco mais sobre a região, concluí que essa barreira tem forte relação com o passado de opressão e exploração vivido pelos povos originários e, principalmente, pelo recorrente assédio sofrido por eles em um passado não tão distante por parte de historiadores, antropólogos, jornalistas e turistas. Inclusive, alguns povos atualmente se recusam a serem fotografados.

IMG_6626

Apesar disso, posso dizer que sem dúvida essee foi dos passeios mais interessantes que eu já fiz, o lugar realmente tem uma energia muito especial e vale a visita 🙂

cover antelope
Viagens, Viajando sozinha

Arizona – dia 4: Horseshoe Bend e Antelope Canyon

O quarto e último dia no Arizona foi destinado a conhecer o Antelope Canyon e o Horseshoe Bend.

Fiz o passeio com a Adventure Southwest, a mesma empresa e a mesma guia que havia me levado ao Grand Canyon.

Por ser baixa temporada, todos os passeios que fiz estavam bem vazios, em geral apenas mais 2 pessoas além de mim. E, esse não foi diferente, havia apenas um jornalista indiano e sua amiga, que estavam fazendo uma matéria sobre o Antelope Canyon.  Foi super interessante conhecê-los e, de quebra, convencemos a guia a fazer umas paradas estratégicas para fotografar.

IMG_2524

Fizemos um caminho parecido ao do dia anterior rumo à Nação Navajo, passando por Cameron e Page, para chegar ao Horseshoe Bend, que é uma imensa curva em forma de ferradura executada pelo curso do rio Colorado a poucos quilômetros da cidade de Page no Arizona.

IMG_6683 (2)

Do estacionamento até a vista do Horseshoe Bend, é preciso fazer uma caminhada curta, algo em torno de 1km. Era inverno e ainda assim estava quente (e seco), então imagino que no verão esse 1 km deve parecer um pouco mais longo.

IMG_6703 (2)

Mas não se preocupe, as rochas esculpidas junto com a paisagem desértica são uma grande distração para essa caminhada.

IMG_6717

Eu confesso que estava muito ansiosa pela vista do Horseshoe Bend e ele é realmente incrível.

IMG_2472

Porém, uma coisa que me chamou a atenção é que, ao menos nesse dia, não havia muita supervisão na área e não há qualquer tipo de cordão de isolamento, então é importante vigiar as crianças e pessoas desastradas.

IMG_6708 (2)

Eu, pessoa desastrada, sobrevivi, muito provavelmente porque viajando sozinha tendo a conter o lado desastrado da minha personalidade. Na verdade, pelas fotos, eu até cheguei a pensar que a vista daria um pouco de vertigem por se assemelhar a um penhasco, mas não senti desconforto em andar pelas bordas das pedras.

IMG_2452 (2)

Em seguida, fomos em direção ao Lake Powell e a área de recreação do Glen Canyon. Lá, fizemos um piquenique improvisado aproveitando a vista da ponte da barragem do Glen Canyon.

glen canyon

De lá, seguimos para o Antelope Canyon. Na verdade, existem dois cânions, o Lower e o Upper Antelope Canyon. O Upper é o mais visitado, principalmente em razão do seu fácil acesso, uma vez que a sua entrada está na altura do chão. Já para acessar o Lower Antelope Canyon é preciso descer um rol de escadas, sendo que antes o acesso requeria escalada.

IMG_6732 (2)

No meu passeio estava incluso apenas o tour pelo Lower Antelope Canyon, mas acho que, para quem vai por conta própria, vale a pena visitar os dois, já que são próximos.

O tour pelo interior do Canyon é operado pelos Navajos. No meu caso, o ingresso de entrada e o agendamento já haviam sido providenciados pela agência de turismo, mas no caso de ir por conta própria é possível agendar um tour em alguma agência em Page ou diretamente na Dixie Ellis Lower Antelope Canyon Tour.

IMG_2488 (2)

O Antelope Canyon é certamente o lugar mais fotogênico em que eu já estive. Pra ser sincera, nem estava dando tanta bola para ele, até chegar lá e deparar com as inúmeras cores e formatos que as rochas esculpidas por água e vento podem assumir a depender da luz.

canion

Do estacionamento até a descida do cânion, é preciso apenas uma pequena caminhada. A parte mais sensível mesmo são as escadas para descida até o seu interior.

IMG_6763 (2)

O nosso grupo era praticamente os BRICS: uma brasileira (eu!),  quatro indianos e um chinês. A guia conduziu a caminhada no interior do cânion e nos contou sobre a sua formação e também algumas curiosidades do local.

guia

O único defeito do passeio é que ele acaba sendo um pouco corrido, já que os guias controlam o tempo para evitar que os vários grupos se aglomerem entre as paredes estreitas do cânion. E, quanto a isso não tem muito o que fazer, indo por conta própria ou por agência, os passeios são necessariamente feitos em grupo e conduzidos por um guia.

IMG_6764

E isso tem uma explicação. Em agosto 1997, 11 turistas morreram porque a água das chuvas de verão invadiram abruptamente o interior do cânion. Desde então, foram tomadas várias medidas de segurança, entre elas, a obrigatoriedade do guia.

No tour tradicional é proibido utilizar tripé fotográfico, o que faz bastante sentido já que o espaço é estreito e passeio é bastante rápido. Mas isso não impede que você tire ótimas fotos, os guias navajos dão os exatos parâmetros da câmera para bater uma boa foto (e até o melhor filtro da câmera do iphone), além de mostrar os melhores ângulos das paredes do cânion. Ou seja, o mérito das fotos é todo da natureza e dos guias Navajo.

canions 2

Para aqueles interessados em um tour ainda mais especializado em fotografia, é possível fazer um tour fotográfico em um grupo menor e com guia especializado, com duração média de 2h.

cover grand canyon
Viagens, Viajando sozinha

Arizona dia 2: Grand Canyon

Para o segundo dia da viagem pelo norte do Arizona, eu programei a visita ao Grand Canyon.

O Grand Canyon pode ser apreciado sob vários ângulos. Quem vai por Las Vegas, em Nevada, costuma visitar a borda oeste, que fica dentro da reserva da nação Hualapai e, portanto, fora do parque nacional (ainda que dentro do território do Arizona).

A borda norte fica dentro do Parque Nacional, mas tem menos infraestrutura e fica mais distante das cidades (a 200km de Page). Tem altitude mais elevada e, portanto, invernos mais rigorosos e ar mais rarefeito – o que faz com que o seu acesso seja restrito aos meses de maio à outubro.

A vista mais icônica do Grand Canyon é acessível pela borda sul, que fica dentro do Parque Nacional e próxima das cidades de Williams e Flagstaff, e fica aberta o ano todo.

E foi para visitá-la que eu me hospedei em Flagstaff, uma cidade universitária aos pés do Monte Humphrey, recortada pela histórica Rota 66.

Por estar dentro do Parque Nacional, as atividades na borda sul possuem várias restrições. Não é possível, por exemplo, descer de helicóptero no meio das rochas, como é o caso dos passeios da borda oeste vindos de Vegas.

Por outro lado, o parque conta com uma infraestrutura excelente, sendo possível inclusive se hospedar dentro dele, realizar caminhadas entre os mirantes, trilhas no interior do cânion e travessias de barco (obedecidas as regulamentações do parque, obviamente).

O Parque Nacional do Grand Canyon dispõe de 12 mirantes, que podem ser percorridos a pé ou usando o serviço de ônibus gratuito do próprio parque.

Como o tempo no inverno é uma caixinha de surpresas, podendo inclusive nevar, eu decidi não reservar nenhum passeio com trilha. Queria mesmo um passeio que compreendesse o horário do pôr do sol (#aloucadopordosol) mas não consegui encaixar os dias disponíveis com as outras atrações, então foi sem pôr do sol mesmo.

Fiz o passeio com a Adventure Southwest e adorei o serviço, principalmente a guia, a Márcia, uma californiana que mora em Flagstaff há vários anos e nos contou várias histórias da região e da sua experiência nos parques nacionais norte-americanos. Deu ainda mais vontade de conhecer todos os parques.

Leva-se cerca de 1h30 de Flagstaff até o Grand Canyon e a transformação da paisagem ao longo do caminho é incrível. Como Flagstaff fica a 7000 pés do mar, a vegetação é mais densa e composta por coníferas, como ainda era inverno, as árvores estavam bem sequinhas e era possível ver um pouco de neve nos pastos.

paisagens

À medida que se aproxima do Grand Canyon, vai-se perdendo altitude e a vegetação fica cada vez mais esparsa e a terra mais avermelhada, com cara de deserto mesmo (muito parecido com o nosso Cerrado). Com queda de altitude, as temperaturas sobem também, o que é um alívio no inverno (e um pesadelo no verão, imagino eu).

O tour para em vários dos mirantes do Grand Canyon. A grande vantagem de ir na baixa temporada é que eles estavam praticamente vazios, então tive bastante tranquilidade para aproveitar o meu tempo em cada um deles e bater 1546 fotos sem a presença do elemento humano.

IMG_2317 (1)

A primeira visão do Grand Canyon é inesquecível, acho que as fotos não dão conta da imensidão do lugar. Pra mim, é como se fosse o mar, não tem fim no horizonte.

IMG_6505

A grandeza do solo esculpido pela erosão é tamanha que o Rio Colorado parece um mero filete de água percorrendo todo aquele solo recortado.

IMG_2248

Em uma das paradas, é possível subir em uma torre que oferece uma vista um pouco mais ampla do cânion, o que torna as suas dimensões ainda mais impressionantes.

torre

A quantidade de tons terrosos também é incrível de se observar.

IMG_6571

Se você tiver sorte, ainda pode encontrar com alguns moradores do parque.

bichinho

O parque tem uma ótima infraestrutura, com banheiro, lanchonetes, estacionamento, hospedagem e, é claro, lojinhas de souvenir.  Aliás, uma coisa que nunca falta nos EUA é a lojinha de souvenir. Lá você pode registrar gratuitamente a sua presença no Grand Canyon com um carimbo no seu passaporte.

Um dos hotéis situados no interior do Parque é o El Tovar,  construído antes mesmo do Grand Canyon se tornar um parque nacional em 1919. O hotel, cuja arquitetura combina influências vitorianas com um estilo naturalista rústico, foi construído para abrigar os ricos viajantes que vinham de trem visitar o Grand Canyon no início do século passado. Atualmente, o El Tovar é um patrimônio histórico nacional.

hotel grand canyon

Outro patrimônio histórico nacional situado no interior do Parque é a Hopi House, inaugurada simultaneamente com o El Tovar em 1905. A  Hopi House foi projetada pela arquiteta Mary Colter, grande admiradora da arquitetura dos povos nativos norte-americanos. A construção foi totalmente inspirada nas casas do povo Hopi. Hoje, a Hopi House é uma loja de artesanato dos povos nativos.

hopi house

Para finalizar o passeio, fizemos um picnic no final do dia aproveitando a paissagem privilegiada do Grand Canyon e, em seguida, retornamos à Flagstaff.

 

sedona cover
Roteiros, Viagens, Viajando sozinha

Arizona dia 1: Sedona

A minha viagem pelo Arizona começou por Sedona, uma cidadezinha que fica ao norte de Phoenix, capital do Estado. Quando comecei a montar o roteiro, percebi que havia uma “disputa” entre Sedona e Flagstaff, algumas pessoas diziam que valia muito a pena montar a base da viagem em Sedona. Já outras  diziam que Sedona era  uma cidade artificial e voltada para um turismo mais luxuoso, ao passo que Flagstaff seria mais histórica e, ao mesmo tempo jovial em razão da Northern Arizona University.


De toda essa discussão, ao menos uma coisa é fato. Em razão da altitude, no inverno Sedona tem temperaturas bem mais agradáveis que Flagstaff e, no verão, ocorre o contrário, Sedona é muito mais quente do que Flagstaff (no Arizona, “mais quente”, leia-se, “muito quente”).

Acabei optando por ficar apenas um dia em Sedona e montar a minha base em Flagstaff. A minha escolha foi motivada por razões práticas: a hospedagem em Sedona era bem mais cara e, ao mesmo tempo, Flagstaff ficava mais próxima dos lugares que eu queria visitar.

Depois de 3 voos e quase 24h de viagem, cheguei ao aeroporto de Phoenix e, de lá, peguei um traslado para Sedona. No site da Arizona Shuttle é possível consultar os horários, preços e fazer a reserva (é possível contratar o serviço na hora também).

Sedona é conhecida pelas red rocks – as formações rochosas avermelhadas. Quando cheguei já era noite, então só consegui reconhecê-las pelos vultos, mas sabia que pela manhã iria acordar cercada por elas. O hotel tinha varanda legal, então é claro que aproveitei para ver no nascer do sol (um ato de heroísmo, considerando as 4 horas de fuso).

IMG_2070

Sedona é pequena, tem apenas cerca de 10 mil habitantes. Apesar de ter sido fundada em 1902, o boom turístico da cidade somente ocorreu em meados dos anos 1980, em função das publicações da física Page Bryant, que caracterizou a cidade como um lugar místico – o chakra central do nosso planeta. A autora também apontou que Sedona possuia um conjunto de vórtices que trariam fontes benefícias de energia.

Atualmente, Sedona é totalmente voltada para o turismo, cheia de hotéis, resorts, lojas e restaurantes. Em função do seu caráter místico, também é possível encontrar cristais à venda, fazer terapias alternativas, aulas de yoga e passeios aos vórtices.

artesanato

Muito antes de ser conhecida pelos vórtices de energia, Sedona foi cenário para vários filmes de velho oeste de Hollywood. Para se ter uma ideia, entre 1920 e 1960, mais de vinte filmes foram rodados na região (veja a lista completa aqui).

western

A cidade tem regras estritas para os padrões arquitetônicos, que fazem com que as construções se harmonizam com a paisagem rochosa que a circunda. Eu achei bonitinho, mas acredito que essa padronização seja um dos motivos pelos quais a cidade é considerada artificial por algumas pessoas.

arquitetura

Uma grande desvantagem para quem não está de carro é que, apesar de pequena, a cidade possui duas áreas bem afastadas, o centro e a parte oeste, e o caminho entre essas duas partes não é propriamente caminhável (mas tem ônibus). Já antevendo esse problema, eu me hospedei no centro, perto das agências de turismo e restaurantes.

Como só iria passar um dia, decidi pegar o ônibus turístico para ver o resto da cidade. A passagem pela cidade foi rápida e sem paradas, a parte mais interessante foram as paradas na região as formações rochosas, mas para quem vai fazer um passeio de jipe ou trilha, o roteiro do ônibus acaba sendo redundante, então não recomendo. IMG_6461

Após o passeio, almocei no 89 Agave, um restaurante mexicano bem descolado com várias opções de drinks e cervejas locais.  Foi a minha refeição pseudo saudável de começo de férias, quando você ainda acredita que vai manter a linha.

comida

Para a tarde, eu havia programado fazer um passeio pelas red rocks. Existe uma série de passeios de jipe pelas formações rochosas da região, com ou sem trilha, com ou sem  emoção. Várias agências oferecem esses serviços, em geral os passeios duram 1-2 horas e existem vários horários disponíveis. Não reservei antes porque era baixa temporada, mas em outras épocas a reserva é recomendável.

IMG_6476

A maioria dos passeios é feita de jipe para que se possa contornar os obstáculos das pedras e ter acessos aos mirantes sem nenhum esforço, então o passeio é tranquilo de ser feito por pessoas de qualquer idade ou condição física. A única ressalva é que balança MUITO, então não é recomendado para grávidas.

IMG_2163

Eu escolhi fazer o passeio pelo Broken Arrow com a Pink Jeep Tours. A princípio tinha achado meio brega o esquema do jipe rosa, me lembrava aqueles carros rosas das vendedoras de Mary Kay. Mas como era a mais famosa, mais antiga (opera desde 1960!), etc, achei que seria bom primar pela tradição, já que sair zanzando de jipe sempre envolve algum risco.

jipe

Mal sabia eu que havia uma história por trás dos jipes rosas, o guia nos contou que originalmente a empresa se chamava Don Pratt Adventures e que, após uma viagem para o Havaí, o então dono mudou o nome da empresa para Pink Jeep Tours em referência ao Royal Hawaiian Hotel, conhecido como Pink Palace of the Pacific.

IMG_6481

O passeio durou cerca de 2h, com várias paradas para explicação e observação. As paisagens são realmente estonteantes, como vocês podem ver pelas fotos.

IMG_2130

E a melhor parte: o jipe faz tudo por você e você ainda pode sair espalhando por aí que andou 10km para chegar nesse mirante e posar de super-aventureiro-hiker-experiente #liveoutdoors

Brincadeiras à parte, a minha conclusão foi que valeu a pena passar em Sedona ao menos  um dia e fazer o passeio de jipe pelas red rocks. Ainda que geograficamente próxima das outras atrações que visitei, as formações rochosas dessa região são únicas e não se sobrepõem a outras atrações do norte do Arizona. É claro que com mais dias, é possível aproveitar para fazer várias trilhas pela região, que é um verdadeiro paraíso para quem gosta desse tipo de atividade.

Para não perder o costume, aproveitei para curtir o pôr do sol antes de ir para Flagstaff. E ele não decepcionou.

IMG_6485

 

 

 

cover arizona
Roteiros, Viagens, Viajando sozinha

Arizona: quente e colorido

Eu não sei se vocês são assim, mas eu geralmente começo a planejar uma viagem para um lugar, vou lendo e pesquisando e, de repente, vou parar em outro (foco, não temos).

Foi assim que eu fui parar no Arizona, estado localizado no sudoeste americano.

Arizona-postcard

Comprei passagens em uma promoção da Copa Airlines para Los Angeles planejando fazer um roteiro pela Califórnia. Porém, depois de algumas leituras, cheguei à conclusão de que 1) precisaria alugar um carro; 2) talvez o inverno chuvoso da California não seria a melhor época para fazer a viagem;  4) 10 dias seria pouco tempo.

Mas eu já  estava sonhando com São Francisco a essa altura, e não estava disposta a deixar para um um futuro incerto. Foi então que decidi que iria passar 4 dias em São Francisco e iria visitar alguns parques e atrações naturais “próximos”. O problema é a melhor cidade para visitar lugares como o Grand Canyon e o Death Valley de bate e volta seria Las Vegas.

E eu achei que seria um tanto bizarro ir para Las Vegas com o objetivo de, na verdade, passar o dia fazendo trilhas na natureza.

Muitas pesquisas depois, eu cheguei à conclusão de que se eu queria ir para o Grand Canyon, eu deveria ir para o estado que o abriga, o Arizona.

IMG_6505

Para isso, eu tive que abdicar do Death Valley, mas em compensação surgiu um leque de atrações que eu sequer havia considerado antes por ser muito longe, como o Monument Valley e o Antelope Canyon.

O Estado do Grand Canyon – como é conhecido o Arizona – é marcado por uma miscelânea de culturas, que dão um caráter único ao Estado. Em sua porção norte, estão as populações remanescentes dos povos nativos como os Navajo, Hopi, Hualapai, Apaches, Havasupai. Apesar de constituírem apenas cerca de 5% da população do Estado, o território dos povos nativo, espalhado em 23 reservas, cobre cerca de 27% do territorio do Arizona.

IMG_2350

 É inegável também a presença cultural da colonização espanhola, presente sobretudo no sul do Estado, onde foram estabelecidas as missões pelos padres espanhóis. Por conta de sua proximidade geográfica e histórica com o México, o Estado conta também com presença massiva de população mexicana. Estima-se que 30% da população atualmente seja de origem hispânica ou latina.

IMG_2562

Mas não podemos esquecer que os espanhóis não foram os únicos colonizadores dessa região, a população de origem anglo-saxã também migrou para o Estado, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, constituindo atualmente cerca de metade da população do Arizona.

O Estado é bastante conhecido pelos filmes western rodados na região em meados dos anos 1930. E não foram apenas filmes antigos. Você pode até nunca ter ouvido falar no Arizona antes, mas certamente já viu alguma das suas paisagens como cenário de filmes, como é o caso de “Telma e Louise”, “De volta para o futuro 2” e “Forest Gump”.

IMG_2369

Em termos territoriais, o Arizona é o 6º maior Estado norte-americano. Apesar de genericamente parecer um grande deserto – quente e seco – o Estado tem uma topografia bem variada, com diferentes climas e vegetações, que vão desde os cactos do deserto de Sonora na fronteira com o México às montanhas nevadas no norte do Estado.

De toda essa vastidão, eu conheci apenas uma pequena parte – a porção norte do Estado. A base da minha viagem foi Flagstaff, uma cidade universitária cortada pela histórica Rota 66, que fica a cerca de 100 km do Grand Canyon.

Então o meu roteiro ficou assim:

Dia 1 – Sedona e Red Rocks

Dia 2 – Grand Canyon

Dia 3 – Monument Valley

Dia 4 – Horseshoe Bend e Antelope Canyon

Quando ir

De forma geral, o Arizona é quente e seco, tanto é que muitas pessoas vêm de outras partes dos EUA para aproveitar um calorzinho em pleno inverno. Então, as estações mais amenas como o outono e a primavera são as mais recomendadas. No verão, o calor e a baixa umidade podem dificultar bastante as trilhas e passeios, ao passo que no inverno pode nevar bastante nas regiões mais altas, como é o caso de Flagstaff. Eu fui no final do inverno e dei sorte de pegar temperaturas agradáveis, na casa de 15 graus e nada de neve.

Como chegar

Várias cidades norte-americanas tem voos regulares para a capital Phoenix, sendo possível alugar um carro ou contratar um transfer no aeroporto para as outras cidades. Para quem vai visitar o Grand Canyon é possível voar diretamente para Flagstaff pela American Airlines (com conexão em Phoenix). Além disso, é possível achar linhas de ônibus da Greyhound e outras companhias para Phoenix e Flagstaff, sendo que esta última ainda conta com uma estação de trem da Amtrak.

Mais informações

Escritório de Turismo do Arizona

Escritório de Turismo de Sedona

Turismo em Flagstaff

Grand Canyon National Park