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Roteiros, Viagens

Sul da Patagônia Chilena: a trilha até a base das Torres

Para o segundo dia no parque, havíamos programado fazer a trilha até a base das Torres, o trekking mais famoso do parque, que leva até a paisagem que é o seu cartão postal, com o lago esverdeado e as três torres ao fundo.

Para quem está interessado em caminhadas mais longas, o parque oferece vários circuitos de trekking como o W, cujo trajeto se assemelha à letra W e que dura entre 4 e 5 dias, e o Circuito O, que contorna o maciço Paine e  requer entre 7 a 10 dias de caminhada. Para quem quiser saber mais, o site Destino Trilha apresenta informações bastante detalhadas sobre esses circuitos.

mapaTDP

Considerando a duração da nossa viagem, não seria possível fazer um circuito, mas queríamos ter pelo menos a experiência de um dia de caminhada no parque e, claro, ver a base das torres, que só é acessível por meio de trilha.  Li vários relatos de pessoas de várias idades que fizeram essa trilha para me convencer de que eu não iria pifar no meio do caminho. São 18 km no total e cerca de 8 horas de duração, o que não parece tanto, mas havia que se considerar as eternas subidas. No dia, estava chovendo quando acordamos e ficamos em dúvida se iriamos ou não (mal sabíamos que ia chover e parar de chover umas 500 vezes por dia). Aquela coisa, “tá tão bonito aqui embaixo, já vi tantas paisagens bonitas só andando de carro”. Esse pensamento durou pouco e decidimos ir em direção ao Hotel Las Torres, onde se inicia a trilha.

Não é preciso mapas ou guias, a trilha é bem movimentada e sinalizada por pontos laranjas e placas. Pelos relatos que eu li, eu havia entendido que havia uma grande subida no final, logo na chegada nas Torres, então eu estava psicologicamente preparada para esta subidona.

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Porém, não se engane, a trilha toda é permeada por subidinhas e subidonas. O bom é que você sempre pode fingir que está tirando umas fotos da paisagem pra descansar um pouquinho. Na foto abaixo é possível avistar o lago Nordenskjold.

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Logo na primeira subida, topamos com um grupo descendo uma maca com um cara completamente imobilizado. Digamos que não foi a melhor motivação para começar a trilha, mas ao ir cruzando com pessoas de várias nacionalidades e idades, você acaba sendo tomado pela empolgação.

A trilha não é nada monótona, as paisagens vão mudando de subidas para vales, bosques arborizados, rios, cachoeiras, etc. Às vezes eu me sentia como se estivesse passando pelas fases do jogo de videogame do Sony (e que bom que não teve a fase da água).

paisagens

Um dos momentos mais marcantes foi chegar no Vale do Rio Ascencio, que eu havia ouvido falar bastante em razão dos fortes ventos, que obrigam em alguns dias a se fazer essa parte da trilha agachado.

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O tempo é dinâmico para dizer o mínimo: chove, neva, faz sol em questão de minutos. A única certeza que você pode ter é que não vai parar de ventar nunca. Então, você fica em um eterno dilema de estou com calor/estou com frio. Em um primeiro momento, pode até parecer que você vai passar calor com aquele tanto de roupa, mas acredite, lá encima vai fazer frio, por isso é tão importante vestir-se em camadas. 

Ficamos muito empolgados quando chegamos na fase final da trilha: a temida subida que, toma quase 1/4 do tempo da trilha. Nesse momento o tempo fechou e começou a nevar um pouco,  tornando a chegada ainda mais dificultosa.

subida

Quando finalmente chegamos na base das torres, a frustração foi enorme. Estava tudo fechado, nevando, nada de laguinho verde, nada de torres. Pior ainda era pensar em andar mais 9km pra voltar.

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Mas, a vantagem do tempo inconstante é que em menos de 15 minutos já estava tudo limpo de novo e, aos poucos, as torres foram se revelando por entre as nuvens. Enquanto isso, nos refugiamos junto com outras pessoas que não haviam desistido de esperar o tempo abrir e avistamos um filhote de lobo andando pelas pedras.

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Quando as nuvens finalmente se dispersaram, tivemos a certeza de que tudo valeu a pena, a vista das torres é realmente de outro mundo.

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Tiramos fotos até as mãos congelarem e nos preparamos para a volta, que foi mais rápida do que a ida, afinal, descer e bem mais fácil do que subir, né?

selfies torres

Chegamos por volta das 21h horas no Hotel Las Torres. Para encerrar o dia, jantamos no restaurante do hotel antes de voltar para a hostería em que estávamos hospedados.

fim da trilha

Pedimos o famoso cordeiro patagônico com molho de calafate (uma berry típica da região) e o filé mignon com purê de milho. Os preços são igualmente proibitivos, mas a comida estava significativamente melhor do que a da Hosteria Pehoé (afinal, o que não é bom depois de horas de caminhada a base de biscoito e barrinha de proteína?)

restaurante las torres

Algumas dicas práticas:

  • Vista-se em camadas;
  • Opte por calçado e casaco impermeável, para evitar se molhar na chuva intermitente.
  • Para quem sente muito frio nas mãos, um par de luvas pode ser necessário na chegada da base das torres.
  • O bastão para caminhada não é imprescindível, mas ajuda bastante, principalmente se estiver carregando mochilas pesadas.
  • É importante levar lanches para todo o percurso. Ao longo do caminho, há apenas uma lanchonete em um dos refúgios e os preços – como os demais no parque, são bastante salgados.
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3 Comments

  • Reply Um roteiro curto pela Patagônia chilena: de Torres del Paine à Punta Arenas – Dear World, February 17, 2016 at 1:20 am

    […] verão. Mas quando chegamos lá, descobrimos que o problema não era esse, como eu expliquei no post anterior, o que é normal ocorrer é a inconstância, o tempo abre e fecha várias vezes ao longo do […]

  • Reply Lorena October 22, 2017 at 7:35 pm

    Oi Carla!
    Você foi durante o inverno? Conseguiu fazer a trilha sem qualquer guia?
    Como foi a questão de banheiro e alimentação? Irei em fevereiro e estou me programando.
    Obrigada e parabéns pelo post!!

    Lorena

    • Reply Carla October 23, 2017 at 10:01 pm

      Oi Lorena! Fui no final de dezembro, em pleno verão. Nós só fizemos a trilha até a base das torres, ela tem sinalizações em laranja, achei tranquilo fazer sem guia. Agora, eu recomendo comprar os bastões de caminhada, ajuda na subida. A trilha começa próxima a um hotel que tem restaurante e banheiro. Nós levamos lanche e água, no caminho passamos por um refúgios que tinham banheiro, mas comida eu nao lembro de ver. Tudo dentro do parque é muito caro, vale a pena comprar uns lanchinhos antes de ir pra lá. Boa viagem, qualquer dúvida estou por aqui 🙂

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