Cartas

Querida Itália,

Eu sempre quis te conhecer! Sempre do tipo, desde os cinco anos de idade, quando eu via as competições na Olimpíadas de Barcelona e aquele uniforme azul me cativou e eu decidi torcer por você. Não me pergunte o porquê, acho que foi amor à primeira vista – ou, como você diria, um colpo di fumine.

Mas, à medida que foram surgindo outras oportunidades, e viajar tornou-se algo bem menos longínquo e inalcançável do que me parecia aos 5 anos de idade, te visitar foi perdendo espaço na minha lista de prioridades.

E, para piorar, acho que acabei dando ouvido àqueles comentários recalcados de que você “não era tão bonita assim”, o trânsito é um caos, as pessoas falam alto, no verão faz tanto calor que a sua cabeça pega fogo, tem hordas de turistas orientais, as filas intermináveis nos museus de Florença, Veneza fede e por aí vai…

Confesso que algumas dessas intrigas se revelaram verdadeiras (outras eu não tive a oportunidade de confirmar). Mas, como diz aquela frase da Clarisse Lispector, “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.  Acho que esses “defeitos” junto com as demais características a fazem um país único.

Afinal, viajar não é ir para a terra do nunca, um lugar encantado que não tem nenhum defeito, o nome disso é idealização, viajar é apenas conhecer novos imperfeitos e desfrutar de todas a sua imperfeição, que, afinal, é diferente das agruras do nosso dia a dia. Nada como quando a chuva florentina ou as hordas de adolescentes devastando a paz dos museus são os maiores problemas que você vai enfrentar em um dia.

Uma surpresa positiva foram as pessoas, Itália, não que eu pensasse fosse ser mal recepcionada, mas a atenção e o trato com os turistas foi um aspecto que me agradou muito e superou as minhas expectativas.

Adorei as suas ruas estreitas, mesmo quando elas não tinham saída nem nome, os lençóis dependurados nos varais nas varandas de Veneza, as flores coloridas nas janelas de Burano, achar uma loja de chocolate em cada esquina (afinal, nunca se sabe quando você pode precisar de uma), o cheiro de pizza saindo do forno em San Gimignano… ah, a comida merece um texto à parte, pois essa foi a minha maio surpresa. Mas isso é assunto para a próxima postagem.

Abraços e obrigada por tudo.

Carla

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1 Comment

  • Reply Nathalia May 19, 2015 at 2:19 pm

    A foto que eu mais gosto, no post mais intimista e lindinho 🙂 Você sabe que também morro de vontade de conhecer esse país – das minhas ambições infantis a Itália só perdia para a Grécia.
    Espero q os homens correspondam ao meu imaginário também kkk
    Parabéns pelo blog !

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