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Comer bem, Viajando sozinha

Itália: comer nunca mais será a mesma coisa

Pizza, parma, polpettone, panini, pecorino, é tanta coisa boa que vem da Itália que, por óbvio, o meu estômago tinha desenvolvido grandes expectativas sobre essa viagem. No entanto, junto com uma grande expectativa, a gente sempre se resguarda de uma possível grande decepção.  Mas, por sorte isso não ocorreu, ao contrário, a minha experiência com a comida na Itália conseguiu ser ainda mais surpreendente do que eu esperava. Antes mesmo de viajar, eu me maravilhei com a diversidade da culinária, que tem uma infinidade de pratos típicos que variam de região para região e até mesmo entre as estações do ano (por exemplo, comidas mais leves no verão e pratos mais encorpados no inverno). É claro que isso não acontece apenas na Itália, mas é gostoso ver como alguns países tem uma ligação tão forte com aquilo que comem, como é o caso da França e do Peru. Como disse um amigo italiano, comida não é apenas algo para comer, mas uma importante parte da cultura italiana, é uma relação entre as pessoas, que vai desde a seleção dos ingredientes ao preparo dos pratos.

IMG_0215Café da manhã ostentação em Florença

Agora, vamos aos pratos. Não tenho uma grande paixão por sopas, principalmente quando tem tanta massa e pizza dando mole por aí, mas decidi que ao menos uma vez nessa viagem iria provar uma sopa como parte da minha experiência gastronômica italiana. Em Florença, li sobre a ribollita e decidi prová-la, fui no Yellow Bar, um restaurante sugerido pela pousada onde fiquei. Apesar do nome gringo, o restaurante tem um menu bastante tradicional, gostei tanto que voltei lá umas três vezes ao longo da viagem. Inclusive, foi nesse restaurante que eu comi o-melhor-tagliatelle-da-vida, que me fez pensar que comer nunca mais seria a mesma coisa. Mas, voltando à sopa, a ribollita tem como base o pão, acompanhado de feijão branco e vegetais, a textura é bastante consistente e difere um pouco das sopas de legumes mais comuns. O nome ribollita vem do fato de antigamente os camponeses faziam sopa em grandes quantidades e requentavam nos dias seguintes. Gostei da experiência, combinou bastante com o tempo frio.  A ribollita é apenas uma das sopas, entre vários outros pratos típicos da cozinha de Florença e da Toscana como um todo. Gostaria de ter tido tempo, estômago e metabolismo para ter provado vários outros, mas considerando que eram os meus primeiros dias de viagem, acabei sendo cativada pelos pratos mais “famosos” da cozinha italiana.

IMG_0279Ribollita no Yellow Bar

Já em Milão, eu sabia que tinha que provar o risoto alla milanese com ossobuco e a cotoletta, por nós conhecida como bife à milanesa.  Acabou que no primeiro dia fomos cativadas pelo Obicà Mozzarella Bar, uma rede italiana presente também em cidades como Dubai, Nova Iorque e Londres. Apesar de ser uma rede de restaurantes, o Obicà Mozzarella Bar nos pareceu bastante autêntico. Silvio Ursini, o proprietário, explica que Obicà significa em um dialeto de Nápoles algo que está acontecendo neste momento diante dos seus olhos, o que tem tudo a ver com o tipo de comida que é servido no restaurante: muçarelas feitas por produtores locais, pizzas e saladas com ingredientes frescos de pequenos produtores. Não é a toa que o Obicà é um dos apoiadores do projeto Slow Food, que surgiu na década de 1980 na Itália em defesa da culinária tradicional, da produção local de alimentos e da boa comida e em oposição à massificação dos fast foods.  É claro que nós sabíamos disso tudo quando decidimos comer no Mozzarela Bar, foi apenas sorte de viajante 🙂

Outra experiência legal em Milão foi provar a minha primeira pizza italiana “de verdade”. Tinha acabado de chegar de viagem e decidi começar a caminhada em Milão pelo Duomo – a catedral de Milão. Como ainda estava me situando na cidade, optei por comer algo prático no almoço e achei uma filial da Pizzeria Spontini, que me pareceu ideal. O ambiente é bem descontraído, você faz o pedido no caixa e come em balcões, em pé mesmo. As fatias são fartas, com massa grossa e muito queijo, me lembrou bastante as pizzas da Dom Bosco, pizzaria tradicional de Brasília, que também tem esse ambiente descontraído e vende fatias de pizza de apenas um sabor. Maas, isso não significa que esse seja o padrão das pizzas italianas, percebi que existe uma variedade muito grande de tipos de pizza, que mudam de região pra região e entre os restaurantes.

B-spontini-duomo-06Pizzaria Spontini

Finalmente, o dia seguinte foi o de provar o risoto alla milanese com ossobuco  e não poderia ter sido melhor. A história desse prato vem de uma lenda que conta que um dos artesãos que trabalhava na construção da catedral em Milão tinha como segredo na preparação das tintas misturar um pouco de açafrão e, por esse motivo, ele era conhecido como “Saffron”. O mestre dizia que, um dia, Saffron iria acabar colocando açafrão até no arroz. No dia do casamento da filha do mestre, o artesão decidiu pregar uma peça e colocou açafrão no arroz que seria servido na festa, o que deu origem ao risoto alla milanese. Fomos passear pelo Navigli, um dos bairros de Milão, que tem belos canais, muitos restaurantes e uma vida noturna bastante agitada, e escolhemos um restaurante na beira do canal. Estava quente o suficiente para sentar nas mesinhas de fora e frio o suficiente para comer um risoto com vinho. Perfeito dolce far niente! E, para finalizar, fomos tomar um gelato na Amorino, experiência que fica para o próximo post 😉

IMG_0407Risoto alla Milanese com Ossobuco

Informações úteis:

Yellow Bar 

Via del Proconsolo, 39r – Florença

Pizzeria Spontini 

Via Santa Radegonda, 11 – Milão

L´altro Luca & Andrea 

Azaia Navligio Grande 24 – 34 – Mião

Obicà Mozzarella Bar

Via Mercato, 28 –  Milão

 

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1 Comment

  • Reply O Mercado Central em Florença – Dear World, June 8, 2015 at 8:25 pm

    […] era tanta opção boa que eu não consegui decidir, acabei voltando para o meu já tradicional Yellow Bar perto do […]

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