Planejamento de viagem, Viajando sozinha

Fazendo as malas

Detesto fazer e desfazer mala, exceto por um motivo: fazer mala significa que eu vou viajar.

Depois de algumas experiências acumulada, desenvolvi alguns princípios que eu sempre tento levar em consideração quando estou preparando uma mala:

1) Só leve aquilo que você puder carregar: essa é a regra de ouro da bagagem, gente. Não é fácil fazer uma mala básica, requer um bom nível de desapego, mas com um pouco de disposição, é possível ficar cada vez mais minimalista. Eu aprendi essa lição de uma forma tragicômica, quando estava voltando com um amiga do intercâmbio que fiz em Varsóvia, decidimos fazer um stop em Paris. O problema é que tínhamos uma bagagem imensa e pesada dos seis meses de viagem (eu estava com uma mala de 32 kg, uma mochila de 27 kg, além de uma mochila menor de uns 8 kg) e, ao chegar em Paris, descobrimos que o taxi até o hotel iria custar uma fortuna. Tivemos a não-sábia ideia de ir de metrô até o hotel com os nossos 5748 kg de bagagem. O resultado foi 3 horas de terror no subsolo de Paris, 4 mudanças de linha, subindo e descendo escadas, ficando presa nas catracas, esbarrando em todo mundo e perdendo a alça da mala. Resumindo: não foi bom, os meus ombros levaram dias para se recuperar da maratona de carregar duas mochilas. Então, lembre-se sempre: nunca leve o que você não consegue carregar. E, caso você esteja levando mais do que pode carregar, pague um taxi.

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2) Adapte a sua bagagem ao tipo de viagem que vai fazer: se estiver indo para algum lugar que seja difícil arrastar malas ou se você for passar por várias cidades, talez seja melhor pensar em uma mochila. Quando fui ao Peru e à Bolívia, não estava fazendo propriamente um mochilão, então levei uma mala média que me causou vários arrependimentos quando fomos obrigados por conta de uma greve a cruzar a fronteira a pé entre os dois países carregando uma mala com 24 kg de coisas desnecessárias. Serviu de aprendizado, em Veneza fui com apenas uma bolsa de mão, já prevendo o que seria ter que carregar uma mala gigante naquelas pontes cheias de degraus e no vaporetto. Se for fazer uma viagem de trem, malas grandes e pesadas são uma péssima opção devido à falta de espaço no bagageiro e, lembre-se sempre, no trem quem sobe a mala é você.

3)Só leve aquilo que tem certeza que vai usar: férias podem fazer você pensar que vai virar uma nova pessoa em outro lugar e fazer você sair levando aquela blusa e todos aqueles batons que você não acha jeito de usar no seu dia a dia. Eu já fiz isso inúmeras vezes, já tinha até algumas roupas que eram muito viajadas, mas pouco usadas. Hoje eu tendo a achar que a melhor maneira de arriscar usar algo é em casa mesmo, já que se você levar um monte de coisas e não achar jeito de usar, vai ficar sem opções ou vestindo algo que te deixe desconfortável. Então, se for pra ousar, escolha apenas uma peça e não várias.

4) Sapatos confortáveis, por favor. Se você planeja bater perna compulsivamente, vale a pena investir em algo que deixe os seus pés arejados e confortáveis.

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5) Se tiver que escolher, carregue nas peças que você sabe que não vai conseguir comprar de jeito nenhum no seu lugar de destino, o resto dá-se um jeito. Eu, por exemplo, tenho muita dificuldade de achar calças que me sirvam fora do Brasil, então sempre tenho isso em mente na hora de fazer uma mala.

6) Fique de olho na previsão do tempo: bem óbvio, né? preste atenção também se está indo para algum lugar alto ou com muito vento, o que pode significar mais frio. E cheque a previsão do tempo na véspera. Quando fui à Ouro Preto no ano passado olhei a previsão alguns dias antes e o tempo mudou bruscamente. Resultado: passei frio/usei o mesmo vestido de lã todos os dias.

7) Viaje confortável: ninguém precisa arrasar no aeroporto ou no busão, opte por roupas com tecidos e modelagens conforáveis, que não sujem ou amassem com facilidade e sapatos confortáveis, que te permitam descansar ao longo do trajeto e ter conforto para carregar malas e se deslocar ao chegar no seu destino. Ah, leve um casaco também, em caso de ar condicionado polar.

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8) Opte por peças versáteis: a pior parte de fazer um mala sucinta é a chatice de se sentir vestindo as meeesmas roupas por dias e dias. É por isso que eu tento sempre escolher peças que combinem com pelo menos outras duas peças para ampliar as combinações possíveis, evitando assim, aquela blusinha estampadinha que só dá pra usar com a calça X se o dia estiver ameno.

9) Leve algumas roupas na mala de mão: afinal, nunca se sabe quando a sua mala pode ser extraviada.

 

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