Browsing Category

Viajando sozinha

Roteiros, Viagens, Viajando sozinha

Arizona: quente e colorido

Eu não sei se vocês são assim, mas eu geralmente começo a planejar uma viagem para um lugar, vou lendo e pesquisando e, de repente, vou parar em outro (foco, não temos).

Foi assim que eu fui parar no Arizona, estado localizado no sudoeste americano.

Arizona-postcard

Comprei passagens em uma promoção da Copa Airlines para Los Angeles planejando fazer um roteiro pela Califórnia. Porém, depois de algumas leituras, cheguei à conclusão de que 1) precisaria alugar um carro; 2) talvez o inverno chuvoso da California não seria a melhor época para fazer a viagem;  4) 10 dias seria pouco tempo.

Mas eu já  estava sonhando com São Francisco a essa altura, e não estava disposta a deixar para um um futuro incerto. Foi então que decidi que iria passar 4 dias em São Francisco e iria visitar alguns parques e atrações naturais “próximos”. O problema é a melhor cidade para visitar lugares como o Grand Canyon e o Death Valley de bate e volta seria Las Vegas.

E eu achei que seria um tanto bizarro ir para Las Vegas com o objetivo de, na verdade, passar o dia fazendo trilhas na natureza.

Muitas pesquisas depois, eu cheguei à conclusão de que se eu queria ir para o Grand Canyon, eu deveria ir para o estado que o abriga, o Arizona.

IMG_6505

Para isso, eu tive que abdicar do Death Valley, mas em compensação surgiu um leque de atrações que eu sequer havia considerado antes por ser muito longe, como o Monument Valley e o Antelope Canyon.

O Estado do Grand Canyon – como é conhecido o Arizona – é marcado por uma miscelânea de culturas, que dão um caráter único ao Estado. Em sua porção norte, estão as populações remanescentes dos povos nativos como os Navajo, Hopi, Hualapai, Apaches, Havasupai. Apesar de constituírem apenas cerca de 5% da população do Estado, o território dos povos nativo, espalhado em 23 reservas, cobre cerca de 27% do territorio do Arizona.

IMG_2350

 É inegável também a presença cultural da colonização espanhola, presente sobretudo no sul do Estado, onde foram estabelecidas as missões pelos padres espanhóis. Por conta de sua proximidade geográfica e histórica com o México, o Estado conta também com presença massiva de população mexicana. Estima-se que 30% da população atualmente seja de origem hispânica ou latina.

IMG_2562

Mas não podemos esquecer que os espanhóis não foram os únicos colonizadores dessa região, a população de origem anglo-saxã também migrou para o Estado, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, constituindo atualmente cerca de metade da população do Arizona.

O Estado é bastante conhecido pelos filmes western rodados na região em meados dos anos 1930. E não foram apenas filmes antigos. Você pode até nunca ter ouvido falar no Arizona antes, mas certamente já viu alguma das suas paisagens como cenário de filmes, como é o caso de “Telma e Louise”, “De volta para o futuro 2” e “Forest Gump”.

IMG_2369

Em termos territoriais, o Arizona é o 6º maior Estado norte-americano. Apesar de genericamente parecer um grande deserto – quente e seco – o Estado tem uma topografia bem variada, com diferentes climas e vegetações, que vão desde os cactos do deserto de Sonora na fronteira com o México às montanhas nevadas no norte do Estado.

De toda essa vastidão, eu conheci apenas uma pequena parte – a porção norte do Estado. A base da minha viagem foi Flagstaff, uma cidade universitária cortada pela histórica Rota 66, que fica a cerca de 100 km do Grand Canyon.

Então o meu roteiro ficou assim:

Dia 1 – Sedona e Red Rocks

Dia 2 – Grand Canyon

Dia 3 – Monument Valley

Dia 4 – Horseshoe Bend e Antelope Canyon

Quando ir

De forma geral, o Arizona é quente e seco, tanto é que muitas pessoas vêm de outras partes dos EUA para aproveitar um calorzinho em pleno inverno. Então, as estações mais amenas como o outono e a primavera são as mais recomendadas. No verão, o calor e a baixa umidade podem dificultar bastante as trilhas e passeios, ao passo que no inverno pode nevar bastante nas regiões mais altas, como é o caso de Flagstaff. Eu fui no final do inverno e dei sorte de pegar temperaturas agradáveis, na casa de 15 graus e nada de neve.

Como chegar

Várias cidades norte-americanas tem voos regulares para a capital Phoenix, sendo possível alugar um carro ou contratar um transfer no aeroporto para as outras cidades. Para quem vai visitar o Grand Canyon é possível voar diretamente para Flagstaff pela American Airlines (com conexão em Phoenix). Além disso, é possível achar linhas de ônibus da Greyhound e outras companhias para Phoenix e Flagstaff, sendo que esta última ainda conta com uma estação de trem da Amtrak.

Mais informações

Escritório de Turismo do Arizona

Escritório de Turismo de Sedona

Turismo em Flagstaff

Grand Canyon National Park 

Comer bem, Viajando sozinha

Comer bem em Nova York

Nova York é inesgotável. E, no quesito gastronomia, não teria como ser diferente.  Posso dizer que nos cinco dias que passei na cidade, comer bem teve uma importância média nas minhas prioridades. Quero dizer, eu não ia viver a base de cheeseburger do MC Donalds, mas tampouco estava planejando frequentar os restaurantes mais badalados e gastar muito dinheiro me alimentando. Acabei optando por opções intermediárias, algumas delas eu já tinha mapeando antes de viajar e outras eu acabei decidindo na hora.

Um dos restaurantes que eu tinha planejado ir era o Burger Joint, considerado o melhor hamburger de NY várias vezes pelo Zagat – o  badalado guia de restaurantes dos EUA.  A primeira vez que eu ouvi falar dessa hamburgueria foi após ir a um outro estabelecimento também chamado Burger Joint, só que em Buenos Aires (que, até onde sei, apesar de inspirada no Burger Joint estadounidense, nada tem a ver com este).

O Burger Joint fica dentro de um hotel chiquérrimo, meio impossível de achar sem perguntar. Prepare-se para enfrentar filas. Apesar disso, o atendimento é bastante ágil e eles disponibilizam o menu em várias línguas para que você possa simplesmente marcar o que quer e entregar para o caixa. O menu é bem conciso: hamburguer, cheeseburguer e cheeseburguer duplo, batatas, bebidas e milkshake à parte. Pedi um cheeseburger e um milk shake, me valendo do pretexto de que estava fazendo muito calor. Achei apenas bom, a carne é realmente deliciosa, e o cheeseburger é menos básico do que o cheeseburger tradicional, vem com alface, tomate, cebola e picles. Mas, não sei se me disporia a voltar lá e enfrentar a fila por ele.  Talvez no meu caso a “cópia” tenha prejudicado a minha experiência com a obra “original: ainda acho o hamburger do Burguer Joint de Buenos Aires o melhor (e em pesos argentinos, e com batata frita, e com cerveja artesanal). De qualquer forma, se alguém estiver com vontade de conhecê-lo, a boa notícia é que está programada a abertura de uma filial em São Paulo em 2016.

No dia seguinte, fui provar o Republic Thai, uma feliz indicação de uma amiga. Esse tailandês fica bem na Union Square, facinho de combinar com outras atrações na região Optei pelo pad thai de frango acompanhado de um chá de hibisco geladinho. Gostei tanto que quase rolou repeteco.

IMG_1751

Agora a minha paixão mesmo foi o bagel. A variedade é enorme, todo tipo de massa e de recheio. Provei vários e o meu favorito foi o de cream cheese com salmão defumado. De todos, o que eu mais gostei foi o da Black Seed, ótimo para um café da manhã reforçado antes de dar umas voltas por Chinatown e Little Italy, que ficam ali pertinho.bagel

Outro lugar que eu estava muito afim de conhecer era a Artichoke Basile Pizza, que tem uma pizza famosa de alcachofra. A pizzaria tem várias lojas em Manhattan, então fica fácil de encaixar no roteiro. A pizza atendendo às minhas expectativas, o creme de alcachofra é mesmo delicioso e, de quebra, a fatia é monstra.FotorCreated

Para quem curte fazer compras ou apenas visitar mercados gourmet, Nova York também não decepciona. Enquanto estiver passeando por middtown, logo após apreciar o Flatiron Building, você já dá de cara com uma das filiais do mercado gourmet italiano Eataly. Tentei tomar um sorvete, mas a fila desmotivou.  Já nos passeios pelo Chelsea e pelo Meatpacking District é possível conhecer o Chelsea Market e o Gansevoort Market.

Fui ao Chelsea Market no fim de tarde, após passear pelo High Line. Como já estava tarde, acabei não aproveitando muito as lojinhas, mas vi várias opções de lojas de especiarias e outros ingredientes e utensílios de cozinha. Além disso, o mercado também abriga algumas opções de lojas de artesanato e design, como a Artisans and Fleas.  Aproveitei para jantar, escolhi o Takumi, um restaurante japonês/mexicano (?), pedi um bentô – aquelas marmitinhas japas composta arroz com feijão, frango e salada, que foi a minha comfort food após todos esses dias baseados em hamburger e bagel.IMG_5902

Já a visita ao Gansevoort eu encaixei na caminhada pelo Chelsea e pelo Meatpacking District.  O Gansevoort atual remete a um importante mercado ao ar livre criado em 1884 e mantém uma atmosfera meio retrô/industrial bem legal. O galpão é preenchido por vários stands oferecendo comidas variadas. Apesar de ter curtido as opções de comida, a falta de ar condicionado diante do calorão de julho acabou me desmotivando a almoçar lá.

market

Já em Williamsburg, outra experiência legal que tive foi almoçar no 12 Chairs, um café/restaurante com pegada do Oriente Médio. Entrei porque precisava de água. E de ar condicionado. Mas acabei ficando pro almoço pra aproveitar um pouco mais o ar condicionado e comi a melhor kafta de cordeiro da vida, até hoje sinto saudades.12chairs

Roteiros, Viagens, Viajando sozinha

Boston: um roteiro para dois dias

Eu costumo dizer que já conhecia Boston há muito tempo por meio das fotografias de amigas que haviam morado lá. Então, o meu par de dias pela cidade me pareceu um reconhecimento de lugares que já eram de alguma forma “velhos conhecidos”.

Cheguei na cidade voltando de Montreal para passar um final de semana e encontrar outra amiga que está morando lá. Posso dizer que o meu roteiro por Boston não foi nada turístico, nem tampouco foi completo, mas adorei os passeios que fiz por lá.

Fiquei hospedada próxima ao Old City Hall, bem no centro da cidade, próximo a várias estações de metrô, então foi bem fácil me locomover pela cidade.

Comecei o meu primeiro dia dando uma volta pelas imediações do hotel, pelas ruas próximas a estação do metrô Downtown Crossing, a área é bem movimentada e concentra várias lojas de departamento gigaantes, então é uma boa pedida para quem quer fazer compras.  Segui até as ruas de Chinatown até chegar à Bolyston Street, uma das avenidas que contorna o Boston Common, o parque mais famoso da cidade. Quem leu o post anterior, sabe que eu tive uma overdose de parques em Montreal e, por isso, decidi apenas dar uma olhada panorâmica no Boston Common. Segui na Bolyston Street até chegar na Copley Square, onde estava tendo uma feirinha orgânica, passei um tempo por lá e fui conhecer a Trinity Church.

Do outro lado da Copley Square, fica a Biblioteca de Boston, que é aberta para visitação e vale muito a pena. As salas de leitura são muito bonitas, me senti em Hogwarts de alguma forma.

7C2728E7-7F3E-4CD1-9181-06017A941457

IMG_2140

De lá, fui para uma rua paralela à Bolyston Street, a Newbury Street, que é uma rua com as casinhas típicas de Boston, com vários bares e restaurantes. Destaque para a sorveteria italiana Amorino que eu achei por acaso na rua, afinal, sorvete bom nunca é demais. A rua também é cheia de lojas, o que é meio estranho, já que todas aquelas casinhas fofas são, na verdade, lojas de grandes marcas. Como era uma sexta-feira a tarde, estava super movimentada de gente aproveitando o verão. Sério, é muita riqueza num lugar só, chega a bater uma leve depressão.

IMG_2135

Agora depressão no nível hard é andar pela Common Wealth Avenue, que é literalmente a cara da riqueza. É o paraíso das casinhas lindas que você nunca vai morar e, ainda tem um boulevard arborizado cheio de pessoas levando os seus cachorros de filme pra passear.

No sábado pela manhã, peguei o metrô para ir a Cambridge, cidade que fica do outro lado do Charles River, para conhecer o Massachusetts Institute of Technology, o MIT. Tive o privilégio de fazer uma visita guiada pela minha própria amiga no campus. Além de conhecer o prédio mais icônico do MIT, pudemos entrar em alguns dos departamentos e ver como o instituto funciona por dentro, foi muito legal.

IMG_2154

IMG_5761

IMG_5762

Estando em Cambridge, aproveitamos para conhecer o badalado campus de Harvard (Legalmente Loira feelings hehe). Foi bem interessante poder comparar a arquitetura das duas universidades.

IMG_5766

Almoçamos em um food truck próximo à praça de Harvard e seguimos para a casa da minha amiga em Sommerville, cidade próxima à Cambridge. Eu, que sou a louca das casas fofinhas, me esbaldei nas ruas da cidade, que tem um ar residencial bem agradável e uma casa mais linda que a outra.

IMG_5771

Para finalizar esses breves dias em Boston, eu fui fazer aquilo que eu mais gosto de fazer em uma cidade que estou conhecendo: achar o melhor lugar pra ver o pôr do sol. E, em Boston, um desses lugares é o The Esplanade, um parque que beira o Rio Charles. O parque estava movimentado de pessoas se exercitando, levando os cachorros de filme pra passear e contemplando o entardecer no rio.

IMG_5799

Para a minha surpresa, olha só o que eu achei.

IMG_5812

Sim, é possível andar de gôndola em Boston, nesse mini canal paralelo ao rio.

Para finalizar, fizemos um jantar doce em uma confeitaria maravilhosa chamada Finale em Boston.

Acho que para dois dias rendeu bastante e ainda sobraram várias atrações para servir como desculpa para voltar à cidade, como o Museu Isabella Gardner e o centro cívico.

De Boston, segui para Nova York, que será o assunto dos próximos posts.. aguardem 🙂

 

Viagens, Viajando sozinha

Montreal: um post fotográfico

Eu nunca entendi a graça que as pessoas viam em Montreal. Sério mesmo, sempre pensei que se fosse pra ir para algum lugar parecido com a França, iria para a França, se fosse para ir para algum lugar similar aos Estados Unidos, iria pros Estados Unidos.

Até que um  dia, eu comecei a acompanhar o perfil de um fotógrafo no Instagram sobre Montreal ( o Montrealismes, do fotógrafo Vincent Brillant). Aí, pronto, foi pra lista de lugares que eu tinha que conhecer e, de quebra, furou a fila.

Passei apenas dois dias na cidade,  então não tenho a pretensão de relatar tudo de bom que há para fazer por lá, mas sei que quero voltar logo.

Listo abaixo o que mais gostei na cidade:

Casinhas fofas

Não vou negar, eu fui pra Montreal foi pra ver as casinhas fofas. Elas estão por toda a parte, mas se você quiser ir em um lugar que tem uma concentração delas, faça uma caminhada nas ruas do Plateau Mont Royal.

IMG_5649

IMG_5636

IMG_5647

Overdose de parques 

Montreal tem parques e jardins para todos os gostos. Você pode passar no Parc La Fontaine quando estiver indo ao La Banquise para provar o famose Poutine, prato típico da região.

Esquilo no Parc la Fontaine

 

Pode passar um dia inteiro fazendo uma viagem pelos vários jardins do Jadim Botânico quando for visitar o Parque Olímpico e o Biodôme. Aconselho deixar pelo menos uma manhã/tarde para poder apreciar todos os jardins e espaços que o Jardim Botânico tem a oferecer, porque é realmente muito grande.

Jardim Chinês no Jardim Botânico

Jardim Chinês no Jardim Botânico

 

Campo de Girassóis no Jardim Botânico

Campo de Girassóis no Jardim Botânico

 

IMG_5689

Um dos cantinhos de paz no Jardim Botânico

 

IMG_5708

IMG_2099

Pode pegar o metrô até o Parc Jean-Drapeau na Île Sainte Hélène para andar de bicicleta e apreciar uma bela visão de Montreal no entardecer.

Vista de Montreal a partir do Parc Jean-Drapeau

Vista de Montreal a partir do Parc Jean-Drapeau

 

E, claro, pode ir ao Mont Royal e apreciar a vista mais icônica da cidade, o que eu não consegui fazer, porque minhas pernas faliram depois  de andar loucamente em todos os outros parques.

Ciclovias

Eu pedalo igual uma criança de 6 anos, mas isso não me impediu de notar como Montreal parece uma ótima cidade para quem curte pedalar. Além das ciclovias que acompanham as pistas, os parques estavam sempre abarrotados de ciclistas. Próximo ao Parc La Fontaine havia, inclusive, várias lojinhas de apetrechos pra bicletas. O Parc Jean Drapeau foi o que mais me tentou largar de lado a minha paranoia “vou cair, vou me quebrar, estou sozinha” e alugar uma bike. A ilha tem várias trilhas amplas pra bicicleta, com bastante verde e uma vista linda para o rio. Outro lugar bastante popular entre os ciclistas é o Viex Port de Montreal, que beira o rio e fica próximo da cidade velha.

IMG_5654

IMG_5627

Comida

A cidade é cheia de bons restaurantes e, devido à grande quantidade de imigrantes, você pode achar comida de todo lugar. Mas o que realmente me chamou a atenção foi a influência da culinária da França, com várias opções de padarias que oferecem croissants e outras delícias francesas. Por ter passado poucos dias, eu acabei não indo na maioria dos restaurantes e cafés que tinha planejado, mas entre os que eu fui eu destaco o La Banquise, que é o lugar para provar o Poutine, prato típico do Quebec. Confesso que cheguei lá com baixas expectativas, primeiro porque como todo mundo fala que o melhor lugar pra provar o Poutine é no La Banquise, imaginei que fosse um restaurante batido e turístico demais. Engano meu, o La Banquise tem um ambiente bem descolado e estava cheio de locais provando as 30 opções de poutines que eles oferecem. Grosseiramente falando, o poutine nada mais é do que uma grande porção de batatas fritas, com queijo salpicado e um molho que me lembra um pouco o barbecue, mas um pouco mais leve. Entre as várias opções, eu escolhi a que vinha com pedacinhos de bacon. Não tem muito como dar errado, né? Pra acompanhar, pedi uma St. Ambroise escura, afinal, para os meus parâmetros, o clima estava friozinho. Não posso dizer que foi o melhor poutine da minha vida, porque foi o único que provei, mas gostei bastante, o único “defeito” é que a porção é grande para uma pessoa.

Outro lugar legal para provar quitutes é o Marché Jean-Talon. Além das barracas de frutas e verduras, o mercado conta com uma pracinha de alimentação com opções tão variadas quanto doces poloneses, crepes franceses e comida libanesa. Se nada disso te agradar, ainda tem a opção de comer em um dos vários restaurantes e cafés que ficam em torno do mercado.

IMG_5733

IMG_2102

No Marché Jean-Talon você pode deixar o seu melhor amigo estacionado enquanto vai às compras

Eu tinha acabado de almoçar no mercado e estava caminhando pela Rue Saint-Dennis (que, a propósito, é uma ótima rua para passear), quando vi um gato na janela. Louca por gatos que sou, fui investigar e descobri que era um Café des Chats, um tipo de estabelecimento bastante popular no Japão, no qual os clientes podem tomar um café na companhia de vários bichanos. Os cafés de gatos existem em outras cidades como Paris, e esse é o primeiro do gênero na América do Norte.  É claro que entrei sem hesitar, é claro que aproveitei para tomar um chai latte e comer uma sobremesa e, é claro que tentei agarrar todos os gatos (civilizadamente, por supuesto). Fiquei por um tempo apreciando a companhia dos felinos e cada detalhe do café, que era todo inspirado em gatos, obviamente. Logo na chegada, um funcionário do café te explica todas as regras de convivência no estabelecimento e higieniza as suas mãos, é tudo bem organizadinho e a dona é um amor de pessoa, como todas as pessoas loucas por gatos 🙂

IMG_2104

O gato da janela

IMG_2109

Chats seulement – apenas gatos

IMG_2119

E, não menos importante, os quitutes do Le Café des Chats

Para crianças

Eu não tenho filhos, mas não consegui parar de pensar que Montreal seria uma cidade que eu os levaria se os tivesse, os parques oferecem opções de lazer para crianças, em vários lugares da cidade há mesas para picnics e o Biodôme e o Jardim Botânico são ótimas opções de passeios instrutivos para crianças um pouco maiores. O Biodôme, por exemplo, reproduz vários biomas do planeta, com direito a jacarés e pinguins, tudo muito bem explicadinho. Eu, pessoalmente, não achei o passeio algo imperdível para adultos,  mas acho que para crianças em fase escolar deve ser super interessante.

IMG_5722

Reprodução de uma floresta no Biodômo, com direito a calor tropical e umidade

IMG_5728

 

Como eu já disse, além dessas atrações, Montreal tem muito mais a oferecer, a cidade velha é uma gracinha e a vida universitária faz a cidade ter uma atmosfera vibrante. Espero poder voltar em breve, de preferência no outono para apreciar os parques com a folhagem avermelhada.

 

Viajando sozinha

As Montanhas Rochosas canadenses: um guia tentativo (parte 4)

Fiquei pensando se fazia sentido escrever sobre o meu quarto dia em Banff, já que o passeio foi quase totalmente frustrado pela fumaça dos incêndios que estavam ocorrendo nos EUA e havia coberto todo o parque.

Já tinha contratado o passeio com a Discover Banff Tours pelos arredores de Banff para o último dia na região antes de retornar à Calgary para pegar meu voo pra Montreal.

A fumaça do incêndio  estava no nível hard nesse dia, bem diferente do dia anterior, então, o passeio foi bastante prejudicado. Digamos que foi preciso usar a imaginação pra ver alguma coisa além de fumaça e neblina.

IMG_5581

Ah, a falta de sol também deu a sensação de que estava ainda mais frio pela manhã.

IMG_5586

  A vista das formações geológicas, os hoodoos

Por causa da fumaça, duas paradas clássicas desse tour não aconteceram, a da gôndola de na Sulphur Mountain, que oferece uma bela vista de Banff, e  o passeio no Lago Minnewanka.

IMG_2040

 Two Jack Lake

Acho que pra compensar um pouco a frustração de não conseguir ver muita coisa, o guia decidiu nos levar em um jardim muito lindo chamado Cascade Gardens. Mesmo com a fumaça, o jardim estava lindo, os canteiros são muito bem cuidados.

IMG_2048

 Cascade Gardens

Eu achava que ia tirar de letra essa fumaça toda, já que moro em Brasília e enfrento queimadas todos os anos na época da seca, mas foi mais difícil que eu pensei, afetou bastante a minha garganta e eu estava aliviada por estar indo embora naquele dia. E mais aliviada ainda de ter pegado três dias bonitos que me renderam ótimos passeios.

E foi justamente por isso que eu decidi escrever sobre esse dia, já que esses imprevistos podem ocorrer em qualquer viagem e a gente tem que aprender a lidar com eles sem ficar muito frustrad@.

Pra compensar o fato de que as atividades externas estavam prejudicadas, decidi aproveitar o tempo para ir em dois museus da cidade: o Banff Park Museum National e ao Whyte Museum of the Canadian Rockies. São uma boa opção para quem tem tempo de sobra e um bom plano B se alguma intempérie frustrar as suas atividades externas.

Não vá esperando nada muito sofisticado, são museus pequenos, que você consegue visitar bem rápido (me lembrou um pouco o museu de Stars Hollo, a cidade de Gilmore Girls hahaha), mas ajudam a entender um pouco a fauna e a história da região.

O Banff Park Museum National me permitiu ver todos os animais (empalhados) que infelizmente – ou,  em alguns casos, felizmente se recusaram a aparecer para mim nos passeios. Serviu também pra aprender o nome de todos os animais que os guias haviam falado todos esses dias e eu não tinha certeza do que se tratava.

Banff Park Museum

  Banff Park Museum

Mas o mais legal mesmo foi o Whyte Museum, que é uma mistura de museu de arte com história, que me ajudou bastante a entender as origens da região, fala sobre os povos nativos (first nations, como eles se referem), dos imigrantes, etc. A entrada custa $ 8,00 dólares canadenses a inteira e $ 4,00 a meia.

IMG_2055

 

IMG_2054

No caminho dos museus, descobri a Bear Street, uma rua bonita, cheia de lojinhas, bares e restaurantes. Aliás, Banff tem várias ruas com nomes da fauna local.

IMG_2064

Por último, antes de pegar o ônibus para o aeroporto de Calgary, almocei em um bar/restaurante chamado Block, que serve petiscos e lanches com uma pegada oriental, pedi um sanduíche de frango empanado com molho oriental que estava muito bom. Recomendo a visita.IMG_2061

Mesmo com o frio que estava fazendo nesse dia, aproveitei também para experimentar o sorvete da COWS. A loja sempre estava abarrotada e eu ficava com preguiça de enfrentar a fila. Não sei se foi o sorvete italiano que me deixou chata, mas achei apenas bom, tem uns sabores bem inusitados, mas não é maravilhoso a ponto de compensar a fila, viu?

 

 

 

 

Viajando sozinha

As Montanhas Rochosas canadenses: um guia tentativo (parte 3)

 No post passado eu contei sobre a minha visita aos lagos mais famosos das Montanhas Rochosas canadenses. Hoje eu vou falar um pouquinho sobre o meu  segundo passeio, que foi para conhecer o Glacial Athabasca. Confesso que estava muito mais interessada no fato de que iríamos percorrer praticamente toda a Icefields Parkway, a estrada que liga Lake Louise à Jasper e é considerada uma das estradas mais bonitas do mundo, do que no glacial de fato. Também estava muito empolgada pela parada no Peyto Lake, que eu já tinha visto fotos lindíssimas.

A primeira parada foi no Fairmont Lake Louise pra pegar alguns hóspedes e tivemos uns 30 minutos por lá. Mesmo sendo pouco tempo, foi ótima a parada, porque o tempo estava mais fechado, então as cores do lago estavam completamente diferentes. Era mais cedo também, então havia menos turistas (menos não significa poucos haha) e água estava mais parada, o que formava reflexos lindos do Glacial Victoria no lago. Havia também muita fumaça, de um incêndio florestal que estava ocorrendo em Washington/EUA e tinha chegado até Alberta.
Lake Louise

Em seguida, pegamos a Icefields Parkway em direção ao Peyto Lake. Foi aí que deu pra sentir o drama dessa fumaça toda nas paisagens, o lago azul turquesa cercado por árvores verdinhas que eu conheci nas fotos simplesmente não estava rolando naquele dia. Tivemos uma visão bem diferente do Peyto Lake, mas ainda sim muito bonita. Mais do que a fumaça, o que realmente atrapalhou foi a quantidade absurda de turistas em um mirante pequeno, não foi fácil conseguir admirar a vista e conseguir boas fotos. Essa, aliás, é uma das grandes desvantagens dos passeios em grupo, você acaba chegando nos lugares junto com todo mundo e vira o caos. Ir de carro, por outro lado, permite escolher horários mais tranquilos pra visitar os lagos.

IMG_5537

Depois dessa parada, fomos em direção à atração principal do dia, o Glacial Athabasca. Para chegar até lá, fomos ao Columbia Icefield Glacier Discovery Centre e, de lá, pegamos um ônibus especial até o Glacial. Lá, é possível descer do veículo e andar no glacial por 15-20 minutos. Lembram quando eu disse que nem estava ligando muito pro glacial? Tudo isso mudou quando o veículo especial foi em direção às montanhas e, de repente, eu me vi no meio de duas montanhas encima de um monte de gelo, vendo a água que dá origem aos rios e lagos derreter em mini cachoeiras. Me senti como se estivesse vendo a origem da vida, quase chorei de emoção hahaha.

IMG_5550

Os guias disseram que podíamos provar a água do glaciar, até rolava um boato de que era uma água rejuvenescedora. Eu, mineira desconfiada que sou, fiquei com medo de ter algum componente químico que me desse um piriri no dia seguinte, então decidi pular essa parte. Daí, quando íamos voltar para o ônibus, uma senhora que eu tinha conhecido no almoço me perguntou se eu não ia provar e eu aceitei, pra evitar ter que elaborar toda uma justificativa para não tomar. Não fiquei mais jovem, mas também não tive piriri.

IMG_5563

Depois o ônibus especial nos levou de volta ao centro de atividades e continuamos o trajeto no ônibus normal. É possível fazer esse mesmo passeio fora da excursão, indo de carro até o centro de atividades e, de lá pegar o ônibus especial até o glacial. Nesse período de verão/férias, observei que a fila pra comprar os ingressos estava grande (não no padrão Cristo Redentor em feriado, maaas..), então talvez valha a pena verificar se é possível comprar com antecedência. Ter preguiça de comprar ingressos e coordenar horários é um sinal explícito de velhice, mas eu, particularmente, achei que foi muito cômodo fazer esse passeio de excursão, já que eles providenciam tudo e você não precisa se preocupar com nada. Além do mais, independentemente de como você chegue ao glacial, o tempo que vai ficar lá em cima será o mesmo. A grande vantagem do carro mesmo é poder parar na Icefields Parkway e tirar um milhão de fotos, o que o ônibus não te permite. E acredite, você vai querer parar um monte de vezes.

IMG_5546

Por último, antes de pegar o caminho de volta para Banff, paramos no Glacier Skywalk, que é uma passarela suspensa em formato circular com o chão transparente, com vista para os glaciares e montanhas. Sinceramente? não achei grande coisa, talvez porque a visibilidade no dia não estava das melhores, acho que quem entende de engenharia/arquitetura curtiria mais a obra arquitetônica.

Para finalizar, duas informações práticas sobre esse passeio. A primeira é que, por óbvio, no glacial faz bastante frio mesmo no verão, então, ainda que o passeio seja curto lá encima (15-20 min) e que não envolva longas caminhadas, vale a pena vestir para a temperatura que vai predominar no dia e levar algumas camadas na mochila para colocar quando chegar lá. As pessoas que moram em lugares frios talvez nem sintam tanta diferença, mas para quem não está acostumado, as mãos e a cabeça sofrem.  É importante também usar sapatos que aqueçam e que não derrapem para evitar acidentes no gelo.  A segunda informação importante é que pela Brewster é possível escolher ir para Jasper no final do dia, após o passeio. Então, uma boa pedida é colocar esse tour no seu último dia em Banff e já ir direto pra Jasper no fim do dia. O ônibus tem espaço para guardar as bagagens, tudo bem organizadinho. Como eu já disse, eu não fui para Jasper, então voltei direto para Banff.

IMG_5571

Chegando em Banff, fui jantar em um lugar que tinha me chamado atenção na noite anterior, o Eddie Burguer Bar. Aproveitei para experimentar uma cerveja local, escolhi a Beavertail Raspberry, e pedi também um hamburguer com fritas. O hamburguer eu achei na média, o grande destaque mesmo foi a cerveja e a batata doce frita, que estava ma-ra-vi-lho-sa! Gostei do ambiente também, é um bar de hamburguer com música boa, vale a visita.

IMG_2024

Viajando sozinha

As Montanhas Rochosas canadenses: um guia tentativo (parte 2)

Nesse post eu vou contar um pouquinho do primeiro passeio que eu fiz quando cheguei em Banff. No primeiro dia, como cheguei no fim da tarde, apenas me ambientei. Fui dar uma volta no centro da cidade, que é tipicamente parecido com essas cidadezinhas de praia e de montanha que recebem vários turistas, bem movimentado, com vários restaurantes, bares, cafés, lojinhas de souvenirs e artigos para atividades nas montanhas. Rola até um engarrafamento de pedestres no verão, principalmente considerando que era um domingo de sol.

IMG_5499

Casinhas lindas em Banff

Como eu havia passado fome o dia inteiro, já que os milhões de voos curtos American Airlines que eu peguei para chegar em Calgary não tinham nada parecido com comida e as conexões foram corridas, a minha primeira providência foi comer qualquer coisa, eu sabia que não podia escolher muito, porque já tinha saído do estágio da fome há muito tempo e podia acabar passando mal. Topei com um café, o Whitebark, e fui lá mesmo. Os muffins estavam deliciosos e o chocolate quente também. Detalhe que todo mundo estava tomando bebidas geladas por ser verão, mas pra mim 15 graus era frio o suficiente pra querer algo bem quentinho.

Em seguida fui na Brewster fechar os meus passeios para os próximos dias. Em Banff tem basicamente duas agências de turismo local, a Brewster e a Discover Banff. Eu já tinha pesquisado extensamente todos os passeios pela internet antes de chegar lá, só não tinha fechado tudo antes porque queria ver a previsão do tempo pra decidir qual passeio faria em qual dia. Hoje eu vejo que foi uma decisão super arriscada, porque no verão lota mesmo, você corre riscos reais de ficar sem passeios. Uma ideia mais inteligente teria sido reservar os passeios online antes e, se fosse o caso, trocar quando chegar lá, já que a política de cancelamento permite que você altere ou cancele até um determinado período. Os passeios que as duas agências oferecem são bem parecidos e os preços também, mas a Brewster me pareceu uma empresa bem maior, eles tem uma mega logística de passeios, um terminal de ônibus próprio, além dos ônibus serem maiores e mais confortáveis do que os da Discover Banff.

Olhar a previsão do tempo foi uma boa ideia, fechei três passeios, os dois primeiros com a Brewster e o terceiro com a Discover Banff. O primeiro dia que tinha maior probabilidade tempo aberto e sol, então decidi fazer os lagos, que eram a minha prioridade. Eu sempre acho que em uma viagem é bom ter uma gradação nas atrações que você vai ver, quer dizer, você começa do mais trivial para o mais fantástico, para não ter aquela sensação de “ah, é só isso”. Mas, no caso dessa viagem, fazer isso podia significar pegar um tempo ruim e não ver o principal, então eu fiz o inverso e comecei pelo o que eu mais queria ver.

Vamos lá. No dia seguinte fiz o primeiro passeio que se chamava “Mountain Lakes and Waterfalls”. O tour começava no Johnston Canyon. Chegando no local, você faz uma pequena trilha até a primeira cachoeira, a trilha tem uma boa infraestrutura e pouca inclinação, então creio que praticamente qualquer pessoa consiga fazer essa caminhada.

IMG_5389

Existe também uma segunda trilha até outra cachoeira, mas o tempo do passeio não permite fazê-la.

IMG_5390

Em seguida, fomos para Lake Louise, o lago de águas esmeraldas que vem do degelo do glaciar Vitoria. Próximo ao lago há um vilarejo com opções de hospedagem e comércio. Agora literalmente na beira do lago fica o Fairmont Chateau Lake Louise, um hotel com vista para o lago, onde chegamos para fazer o passeio. O hotel tem áreas comuns abertas para os turistas, com lojas de souvenirs e alguns restaurantes abertos ao públicos. O lago é simplesmente estonteante, o tempo estava ensolarado então as cores estavam super vivas.

IMG_5432

Em Lake Louise, é possível alugar caiaques para fazer passeios no lago e de lá partem várias trilhas legais, como uma que leva a uma casa de chá na beira do Lake Agnes. A Discover Banff tem um passeio específico para fazer essa trilha, entre outras.

A próxima parada foi no tão esperado Lake Moraine. Existem algumas opções de hospedagem próximas ao lago, mas a estrutura é bem mais enxuta do que a do Lake Louise, o acesso ao lago é mais difícil e durante alguns meses do ano a estrada fica inclusive fechada. Ainda não consegui decidir qual é o mais bonito, vocês conseguem?

IMG_5463

Sobre nadar no lago, digamos que eu não vi muitos registros de pessoas se banhando, apenas algumas crianças entrando no Lake Moraine por alguns minutos e mudando de ideia em seguida. Por mais que a temperatura após o meio dia dia estivesse em torno de 20 graus, a água é beem gelada, algo em torno de 5 graus.

Todas essas atrações ficam no Banff National Park, que é o parque nacional mais antigo do Canadá. Já a atração seguinte ficava no Yoho National Park, que fica na província ao lado, a Colúmbia Britânica. O Yoho tem duas atrações que eu tentei muito ver, mas não consegui passeios, que são o Lake O´Hara e o Emerald Lake, mas esse primeiro tour me permitiu ao menos conhecer um pouquinho do parque e ver Takkakaw Falls, que é uma cachoeira incrível que fica no parque (incrível é, inclusive, o significado de takkakaw em língua nativa).

IMG_5489

O entorno da cachoeira também rendeu umas paisagens bem bonitas.

IMG_5493

E esse foi o final do primeiro dia. Quando você contrata o tour, pode decidir em qual cidade quer terminar o passeio (Banff, Lake Louise, Canmore, Calgary, Jasper). Então, você pode fazer o passeio durante o dia e já ir direto para o destino seguinte no fim da tarde, o que é especialmente conveniente se considerarmos que não há muitas opções de transporte público para as outras cidades e que os taxis são bem caros. Eu acabei não usando essa funcionalidade porque passei todos os dias em Banff.

Pra finalizar o dia, fui jantar em um restaurante balcânico/grego que tinha ouvido falar super bem. Adoro comida grega e não perco a chance de provar quando viajo, o menu era bem tradicional, sem muitas inovações, pedi a moussaka e estava ótima.

IMG_2015

O restaurante também tem um bar e uma carta de coquetéis. O único contra para pessoas que estão viajando sozinhas e, nesse caso, indo jantar sozinhas, é que é um restaurante de familia e de grupos, sabe? então é um salão grande, com várias mesas enormes, cheio de grupos grandes, o que dá aquela sensação de que você fica ilhado entre os grupos. Mas nada que sentar no bar não resolva 😉

E assim terminou a minha segunda-feira.

Planejamento de viagem, Viajando sozinha

Fazendo as malas

Detesto fazer e desfazer mala, exceto por um motivo: fazer mala significa que eu vou viajar.

Depois de algumas experiências acumulada, desenvolvi alguns princípios que eu sempre tento levar em consideração quando estou preparando uma mala:

1) Só leve aquilo que você puder carregar: essa é a regra de ouro da bagagem, gente. Não é fácil fazer uma mala básica, requer um bom nível de desapego, mas com um pouco de disposição, é possível ficar cada vez mais minimalista. Eu aprendi essa lição de uma forma tragicômica, quando estava voltando com um amiga do intercâmbio que fiz em Varsóvia, decidimos fazer um stop em Paris. O problema é que tínhamos uma bagagem imensa e pesada dos seis meses de viagem (eu estava com uma mala de 32 kg, uma mochila de 27 kg, além de uma mochila menor de uns 8 kg) e, ao chegar em Paris, descobrimos que o taxi até o hotel iria custar uma fortuna. Tivemos a não-sábia ideia de ir de metrô até o hotel com os nossos 5748 kg de bagagem. O resultado foi 3 horas de terror no subsolo de Paris, 4 mudanças de linha, subindo e descendo escadas, ficando presa nas catracas, esbarrando em todo mundo e perdendo a alça da mala. Resumindo: não foi bom, os meus ombros levaram dias para se recuperar da maratona de carregar duas mochilas. Então, lembre-se sempre: nunca leve o que você não consegue carregar. E, caso você esteja levando mais do que pode carregar, pague um taxi.

photo-chicago-union-station-platform-woman-sitting-on-suitcase-b-and-w-1960

2) Adapte a sua bagagem ao tipo de viagem que vai fazer: se estiver indo para algum lugar que seja difícil arrastar malas ou se você for passar por várias cidades, talez seja melhor pensar em uma mochila. Quando fui ao Peru e à Bolívia, não estava fazendo propriamente um mochilão, então levei uma mala média que me causou vários arrependimentos quando fomos obrigados por conta de uma greve a cruzar a fronteira a pé entre os dois países carregando uma mala com 24 kg de coisas desnecessárias. Serviu de aprendizado, em Veneza fui com apenas uma bolsa de mão, já prevendo o que seria ter que carregar uma mala gigante naquelas pontes cheias de degraus e no vaporetto. Se for fazer uma viagem de trem, malas grandes e pesadas são uma péssima opção devido à falta de espaço no bagageiro e, lembre-se sempre, no trem quem sobe a mala é você.

3)Só leve aquilo que tem certeza que vai usar: férias podem fazer você pensar que vai virar uma nova pessoa em outro lugar e fazer você sair levando aquela blusa e todos aqueles batons que você não acha jeito de usar no seu dia a dia. Eu já fiz isso inúmeras vezes, já tinha até algumas roupas que eram muito viajadas, mas pouco usadas. Hoje eu tendo a achar que a melhor maneira de arriscar usar algo é em casa mesmo, já que se você levar um monte de coisas e não achar jeito de usar, vai ficar sem opções ou vestindo algo que te deixe desconfortável. Então, se for pra ousar, escolha apenas uma peça e não várias.

4) Sapatos confortáveis, por favor. Se você planeja bater perna compulsivamente, vale a pena investir em algo que deixe os seus pés arejados e confortáveis.

im-all-packed

5) Se tiver que escolher, carregue nas peças que você sabe que não vai conseguir comprar de jeito nenhum no seu lugar de destino, o resto dá-se um jeito. Eu, por exemplo, tenho muita dificuldade de achar calças que me sirvam fora do Brasil, então sempre tenho isso em mente na hora de fazer uma mala.

6) Fique de olho na previsão do tempo: bem óbvio, né? preste atenção também se está indo para algum lugar alto ou com muito vento, o que pode significar mais frio. E cheque a previsão do tempo na véspera. Quando fui à Ouro Preto no ano passado olhei a previsão alguns dias antes e o tempo mudou bruscamente. Resultado: passei frio/usei o mesmo vestido de lã todos os dias.

7) Viaje confortável: ninguém precisa arrasar no aeroporto ou no busão, opte por roupas com tecidos e modelagens conforáveis, que não sujem ou amassem com facilidade e sapatos confortáveis, que te permitam descansar ao longo do trajeto e ter conforto para carregar malas e se deslocar ao chegar no seu destino. Ah, leve um casaco também, em caso de ar condicionado polar.

11147919-lonely-girl-with-suitcase-at-countryside

8) Opte por peças versáteis: a pior parte de fazer um mala sucinta é a chatice de se sentir vestindo as meeesmas roupas por dias e dias. É por isso que eu tento sempre escolher peças que combinem com pelo menos outras duas peças para ampliar as combinações possíveis, evitando assim, aquela blusinha estampadinha que só dá pra usar com a calça X se o dia estiver ameno.

9) Leve algumas roupas na mala de mão: afinal, nunca se sabe quando a sua mala pode ser extraviada.

 

Comer bem, Viajando sozinha

O Mercado Central em Florença

Tinha tanta coisa para falar no post sobre a comida italiana que nem sobrou espaço para comentar a minha experiência no Mercado Central em Florença.

Antes de mais nada, eu preciso admitir, tenho uma mania estranha: adoro ir em supermercado em outras cidades, ficar andando nos corredores, vendo os produtos diferentes, comparando preços. Isso mesmo, tipo criança que sempre precisa conhecer o banheiro quando vai em um lugar novo, sabe? Melhor ainda do que ir em supermercado quando estou viajando, é poder ir em um mercado ou feira local e, sabendo da fama gastronômica da Itália, eu já fui com a expectativa de visitar algum.

IMG_0193 (1)

Em Florença, a dona da pousada havia me dado algumas dicas de bons lugares para comer e uma delas foi o Mercado Central. Mais do que apenas um mercado local,  ele é uma das atrações turísticas da cidade,  fica próximo aos demais pontos de interesse da cidade e é bem fácil de chegar. Durante o dia, você pode passear pelas bancas de produtos locais, frutas e vegetais frescos, massas, queijos, embutidos, cogumelos, doces, temperos, vinhos e por aí vai. Dá vontade de levar todas as alcachofras e aspargos pra casa, daí você se lembra que não pode e o jeito é só admirar mesmo.  Aproveitei para comprar alguns condimentos, massas e frutas vermelhas desidratadas. Além das bancas de comida, havia algumas que vendiam almoço, mas estavam cheias e o menu do dia não me apeteceu.

IMG_0196

No dia seguinte, um casal de brasileiros que conheci no caminho de San Gimignano também me falou bem dos restaurantes do mercado e eu fiquei intrigada, pois não tinha visto nada que me chamasse tanta atenção. Foi então que me explicaram que, além da parte térrea, o mercado tem um piso superior com vários restaurantes, que inclusive abrem a noite para o jantar. Foi uma ótima notícia, já que era o meu último dia em Florença e não ia dar tempo de passar no mercado no dia seguinte. Fui, então, conhecer a versão noturna do mercado e achei um empreendimento muito legal. O ambiente muda completamente, a parte térrea é fechada, na entrada um recepcionista te encaminha para o piso superior. Nele, encontram-se vários restaurantes e bares, o pedido é feito diretamente no balcão e você pode se acomodar nas mesas e balcões disponíveis. O espaço tem uma cara moderna, uma luz bem legal (nada de luz de geladeira), música ambiente e televisores, inclusive, no dia que eu fui estava sendo transmitida uma partida de futebol e estava um clima super legal. Pelo o que eu vi, são realizados vários eventos nesse espaço, vale a pena conferir a agenda caso esteja com viagem marcada para Florença 🙂

san lorenzoMercado Central à noite

Também me explicaram que foi feita uma espécie de concurso para selecionar os doze restaurantes que iriam fazer parte da “praça de alimentação” do mercado, que representassem bem a gastronomia local e abrangessem uma variedade de opções de comida, de peixes à street food. Além de tudo isso, o piso superior também tem uma lojinha do Eataly e abriga a Escola de Cozinha Lorenzo de Medici, que é toda de vidro e permite que se veja as pessoas aprendendo a cozinhar. Outra informação importante é que ao lado do mercado tem uma variedade de bancas de artesanatos, souvenirs e produtos em couro (ou não rs).

mappa_bottom

E o que eu comi? Nada, era tanta opção boa que eu não consegui decidir, acabei voltando para o meu já tradicional Yellow Bar perto do hotel.

Informações Úteis

Mercato Centrale

Piazza del Mercato Centrale, 50123 Firenze

 

Roteiros, Viajando sozinha

É possível conhecer a Toscana sem carro?

Para mim, não existe maior diversão do que construir um roteiro de viagem. Então, quando decidi que ia para a Itália, já tratei de pensar quais seriam as  cidades visitadas. Essa decisão partia da premissa de que seria impossível visitar todas as cidades italianas da minha lista de desejos em uma viagem de dez dias e, considerando que a viagem seria no início da primavera, deixei a parte centro/sul do país para uma próxima oportunidade quando tempo estivesse mais quentinho para poder aproveitar as praias. Assim, fiquei com as seguintes opções: (1) ir para a região norte da Lombardia e visitar o lago Como e talvez até algumas cidades na Suíça; (2) Ir para a região de Vêneto, passando por Pádova, Verona, até chegar em Veneza; e (3) Ir para a região de Bolonha ou esticar até a Toscana.

A primeira opção eu descartei de cara, pois o foco da viagem era conhecer a Itália, então não faria sentido passar a maior parte da viagem na Suíça, certo?Já a decisão entre a segunda e a terceira opção foi mais difícil, porque eu queria as duas coisas e não tinha tempo pra tudo, a não ser que eu apenas passasse em Milão, sem conhecer direito e eu não queria fazer isso. Então, como uma boa libriana, acabei decidindo fazer pouco das duas opções. Decidi ir para a Toscana, mas sem parar em Bolonha (snif), passar o fim de semana em Milão e, por último, ir para Veneza direto (sem Pádova e Verona.. snif 2). Deu super certo! A minha maior dúvida na montagem do roteiro pela Toscana era se seria possível explorar a região sem carro, já que eu estaria sozinha e não ia compensar alugar um. Depois de ver e ouvir alguns relatos, percebi que era possível visitar vários locais usando apenas ônibus e trens, sem contar a possibilidade de contratar passeios nas agências de turismo de lá.

Então, o roteiro ficou assim: cheguei de Brasília por Milão no domingo e aproveitei a tarde para começar a conhecer a cidade. Na segunda pela manhã, peguei o trem para Florença, que seria onde eu iria dormir nos próximos quatro dias e iria conhecer em maior profundidade. A partir de lá, fui decidindo qual cidade visitar a depender do tempo e do meu ritmo mesmo, poderia, inclusive, ter decidido passar os quatro dias inteiros em Florença (e certamente teria muita coisa para fazer por lá).  Como eu estava sozinha, o tempo acaba rendendo bem mais, então deu para conhecer Pisa, Lucca, San Gimignano e Siena. É claro que não deu tempo de entrar em cada igreja de Lucca e subir em todas as torres de San Gimignano, eu selecionei as atrações que mais me interessavam em cada cidade e aproveitei o resto do tempo para aproveitar a cidade nos dias ensolarados. Sou daquelas que gosta mais de andar pela cidade do que entrar em todos os museus e igrejas #prontofalei. Nesse ritmo, a cidade que ficou mais prejudicada foi Siena, que merece uma visita mais longa e aprofundada.

A maior vantagem de utilizar o transporte público foi não ter que se preocupar em dirigir nessas cidades-formigueiro, buscar estacionamento, etc. A maior desvantagem foi não ter a flexibilidade de horário e de trajeto que um carro te dá. No caso de San Gimignano, por ter que pegar dois ônibus, se você não coordenar os horários direitinho, acaba perdendo muito tempo esperando na rodoviária. E não dá para parar pra bater foto quando você vê uma coisa incrível, né? Na volta de Siena, peguei um pôr do sol maravilhoso naqueles campos de filme da Toscana, mas aparentemente a única pessoa comovida no ônibus era eu, os locais estavam com aquela cara de “essa é a paisagem que eu vejo todo dia na volta do trabalho”.

IMG_0354Pôr do sol no caminho de Siena para Florença

Mas tem solução para resolver todos esses problemas: em Florença, várias agências oferecem passeios e tours privados que te levam a essas cidades menores, aos vales do Chianti, ao Val d´elsa, degustação de vinhos, passeio de bicicleta, de Vespa, de Cinquecento e tudo mais que você imaginar. Acabei optando por deixar esses passeios para uma próxima viagem, quando os campos estivessem mais verdinhos, mesmo tendo sol, a vegetação ainda estava meio acinzentada, sabe? E não ia ter girassol 🙁

IMG_0316Vista dos campos da Toscana em San Gimignano

Bom, depois dos passeios pela Toscana, eu voltei para Milão para passar o fim de semana e, no domingo a tarde parti para Veneza. Apesar de ter ficado apenas um dia e meio, deu para conhecer bastante coisa, andei horrores, visitei as ilhas de Burano e Murano, fiz o passeio de gôndola… Em síntese, consegui aliviar a ansiedade de conhecer Veneza ainda nessa viagem, é claro que ainda tem muita coisa para se explorar em uma segunda visita, dessa vez combinando com Verona e Pádova, quem sabe?

Informação importante: Todos os trechos de trem foram feitos pela Trenitalia, companhia estatal italiana. Os trechos curtos dos bate-e-volta foram comprados na hora nas máquinas da empresa nas estações de trem e o trecho Milão-Veneza foi comprado com mais antecedência no guichê da companhia. A exceção foi o trecho Milão-Florença -Milão que eu decidi comprar na Italo, a concorrente da Trenitalia. Os preços estavam iguais, o tempo de viagem era o mesmo, comprei apenas para experimentar e recomendo, os trens são modernosos, com wi-fi, opções de lanchinhos do Eataly e tem até um vagão que passa filme, tipo cinema.

O site Passeios na Toscana e o blog Planejando a Viagem tem avaliações bastante detalhadas dos trens italianos, que me ajudaram bastante a planejar a viagem 😉

Resumo do roteiro 

Milão – 3 dias e 3 noites

Florença – 4 noites, 2 dias inteiros na cidade

Pisa- meio dia

Lucca – meio dia

San Gimignano – meio dia

Siena- meio dia

Veneza – um dia e meio e uma noite