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Roteiros, Viajando sozinha

Seul: meu primeiro destino asiático

Seul foi o primeiro lugar no continente asiático que eu pus os pés. Isso, por si só, já é suficiente para dar uma ideia da minha empolgação e encantamento ao conhecer a cidade, a todo tempo ficava “me beliscando” para lembrar que estava na Ásia.

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Passei três dias na cidade, mas poderia facilmente ter ficado mais, não só em Seul, mas em outras regiões do país. A Coréia tem várias outras cidades e atrações naturais que merecem ser visitadas e, nesse curto período, fiquei com a sensação de que, nós, brasileiros, ainda não descobrimos quanta coisa bonita tem para ver por lá. A infraestrutura turística é impecável, foi muito fácil se locomover por toda a cidade usando metrô, que tem todas as sinalizações com tradução em inglês.

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A organização das ruas é um tanto complexa, mas o google maps tá aí pra isso, né? Muitos estabelecimentos possuem wi-fi, mas é possível também comprar um simcard ou alugar um wi-fi portátil no aeroporto para ter internet ao longo da viagem. Como ia ficar apenas 3 dias, eu decidi me virar com o wi-fi público e foi super tranquilo.

O clichê de que o país combina modernidade com tradição é apropriado. Em meio aos arranha-céus, a cidade conserva construções com grande importância histórica, como os 5 palácios de Seul (Changgyeong, Gyeongbokgung, Changdeokgung, Deoksugung e Gyeonghuigung), muralhas e templos.

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Além dos palácios e templos, outro lugar que te faz voltar no tempo em Seul é o Bukchon Hanok Village, um bairro que preserva centenas de casas coreanas tradicionais – as hanok. Apesar de parecer cenográfico, o Hanok Village é também um bairro residencial, existem até alguns monitores pelas ruas tentando impedir as hordas de turistas de fazer muito barulho pelas ruas. Nem preciso dizer que não dá muito certo, né?

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O Hanok Village fica próximo dos palácios Gyeongbokgung e Changdeokgung, então uma boa pedida é combinar esses três lugares num dia só.

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Ao lado do Hanok Village, fica Samcheong-dong, um bairro jovem e super descolado, cheio de restaurantes, cafés e lojinhas de moda e design.

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Eu pesquisei diversas opções de hospedagem, desde os hotéis internacionais nos bairros mais turistões até as pousadas tradicionais coreanas em Hanok Village. Acabei optando ficar em em Hongdae, porque queria ficar em uma região menos séria e empresarial, um lugar que tivesse opções para bater perna à noite. Hongdae abriga a Universidade de artes de Hongik e tem uma atmosfera bastante jovem, com muitas opções de restaurantes, cafés, bares e comércio popular voltado para estudantes (leia-se, mais barato). O bairro não é central, mas o metrô de Seul é bastante capilar e eficiente, então foi bem fácil chegar aos pontos turísticos. A vantagem, por outro lado, é que tanto o aeroporto de Gimpo como o de Incheon estão muito próximos de Hongdae.

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Nas próximas semanas vou postar algumas dicas do que fazer na cidade. Aguardem 🙂

 

 

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Fazendo nada em Los Angeles

Chegamos, finalmente, ao último post dessa viagem que passou pelo Arizona e por São Francisco e terminou em Los Angeles, de onde partia o meu voo de volta para a casa.

Los Angeles nunca fez parte dos meus sonhos, mas as promoções de passagens não ligam muito pra isso, né não?

As minhas ambições na cidade eram bem modestas: curtir o entardecer na praia em Santa Monica e dar umas voltas por Venice Beach.

Definir o que você quer fazer em Los Angeles é essencial para escolher onde ficar, já que a cidade é enorme, tem um trânsito nada desprezível e um sistema de transporte não tão abrangente. Pra dificultar, os preços dos hotéis são bem salgados, no padrão NYC de ser.

Por estas razões, muita gente aluga um carro para passear por lá. No meu caso, como seria pouco tempo e os meus interesses estavam concentrados em Santa Monica, optei por me hospedar lá  por lá.

Fiquei no Camel by the Sea, um hotel muito bem localizado, confortável, porém caro. Uma opção com uma proposta bem diferente, mas com preços bem módicos é se hospedar no Hostelling International Santa Monica. Era a minha primeira opção, mas esgotou e eu tive que procurar um plano B.

Estava exausta dos últimos dias de viagem e praticamente sem estômago depois da destruição alimentar dos últimos 10 dias, e Santa Monica me pareceu o lugar perfeito para passar esses quase dois dias perambulando pelos boulevares  da região e pela orla da praia.

O meu estômago também ficou bem feliz, já que Santa Monica parece ser o paraíso da comida saudável.

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Almocei no True Foods Kitchen (395, Santa Monica Place) um restaurante com uma proposta de comida saudável, com várias opções vegetarianas e veganas. O menu é bastante abrangente, tem entradinhas saladas, pizzas, bowls, sanduiches, sucos, cervejas, vinhos e coquetéis.

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Eu provei o bowl de Teriyaki Quinoa com frango e estava bom demais, até voltei no dia seguinte para repetir.

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O True Foods é uma rede que tem estabelecimentos em várias cidades, mas o ambiente é tão bonito que ele não tem nada de cara de restaurante de franquia.

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Passei o resto da tarde caminhando pelas ruas de Santa Monica, que tem alguns bulevares para pedestres bem legais.

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No fim do dia, fui caminhar pelo pier de Santa Monica para ver o entardecer e bater algumas fotos.

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O pier tem um parque de diversões, vários restaurantes e lojas e fica lotado de turistas. É lá que fica a famosa placa da Route 66, indicando o término dessa rota histórica que começa em Chicago e tem fim em Santa Monica.

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Comecei o dia seguinte caminhando pelo calçadão de Santa Monica até chegar em Venice Beach

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A caminhada foi super agradável, tecnicamente ainda era inverno, mas a sensação térmica beirava os 20 graus, então havia muita gente se exercitando, levando cachorro pra passear, turistas andando de bicicleta.

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Do outro lado do calçadão era possível encontrar alguns bares e muitas lojas de souvenirs.

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O distrito histórico de Venice, onde fica Venice Beach, é conhecido por ser lugar descolado que abriga várias tribos urbanas, na década de 60 era conhecido com um dos principais centros difusores da beat generation.

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Venice beach tem quadras de esporte, pistas de skate, bares e restaurantes, artistas e músicos vendendo seus trabalhos no calçada e muitas lojas de souvenirs e produtos alternativos.

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Do calçadão, caminhei uns três quarteirões para o interior do bairro para conhecer os famosos canais que dão origem ao nome de Venice, em referência a cidade italiana de Veneza e seus canais.

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Os canais foram construídos em 1905 como parte de um projeto desenvolvido por Abbot Kinney, que tinha a intenção de recriar a aparência da Veneza italiana no sul da Califónia.

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Porém, com o advento do automóvel, os canais caíram em desuso e ficaram sem manutenção por várias décadas até que em 1992 foram finalmente renovados, convertendo essa região da cidade em uma área valorizada para se morar.

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As ruas com os canais são lindinhas, cheias de casas praianas com jardins bem cuidados.

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Quando eu fui estava absolutamente vazio, então foi ótimo para tirar boas fotos.

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Retornei à Santa Monica caminhando pelo calçadão e passei pelo Venice Ale House (2 Rose Ave) e achei que seria uma pena não parar para tomar algo e curtir o clima de praia. Esse bar fica em uma das esquinas do calçadão de Venice e consegue ter, ao mesmo tempo, cara de pub na parte interna e de bar praiano na parte externa, com mesinhas e guarda-sóis na calçada.

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O bar oferece opções para brunch e outros pratos, os ingredientes são orgânicos e locais, com (o que parece ser um mantra nessa região). A carta de bebida compreende vinhos e cervejas artesanais da região, além de coquetéis e sucos naturais.

Eu fui de hambúrguer de peru com batatas rústicas, estava tudo muito bom.

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Antes de ir para o aeroporto, aproveitei o último entardecer no calçadão de Santa Monica para me despedir das férias.

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E o pôr do sol nunca decepciona, né?

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São Francisco caminhando: o circuito turistão

Esse terceiro roteiro à pé por São Francisco compreende alguns dos principais pontos turísticos da cidade. É ideal para o primeiro dia de viagem, para já riscar da listinha os passeios mais clássicos e ficar livre para aproveitar o resto do tempo explorando os  outros pontos de interesse na cidade.

Como nas últimas vezes, a caminhada teve início na Union Square. Segui pela Powell Street passando pelo Nob Hill, um bairro rico que concentra casas, prédios e hotéis elegantes. Prepare-se, pois essa parte do trajeto, apesar de curta, envolve uma subida considerável (afinal, é um hill, né?).

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Logo após a subidona, já era possível visualizar as lanternas de Chinatown, o bairro chinês mais antigo de São Francisco, misturadas com os prédios modernos do distrito financeiro.

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Era domingo de manhã, então Chinatown estava bem tranquila, as lojas começando a abrir e os velhinhos na rua saindo para fazer compras.

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Cheguei na Columbus Avenue e segui até o Washington Square Park, que estava cheio de velhinhos fazendo tai chi chuan e pessoas levando seus cachorros para passear. É la que fica a Saint Peter and Paul Church.

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Continuei pela Columbus Avenue até a Lombard Street, a famosa rua ígreme com trânsito em zig zag.

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Fui fazendo o zig zag pelas calçadas da rua até chegar na sua parte mais alta, que tem uma vista linda de São Francisco. Ainda era cedo então o espaço não estava tão disputado.

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Fiquei pensando que morar por ali deve exigir grandes doses de paciência por conta da quantidade de turistas.

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Segui pela Hyde Street em direção ao Fishermen´s Wharf, bairro queridinho dos turistas, que fica na costa norte de São Francisco.

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Dei uma volta na Ghirardelli Square, que abriga duas lojas enormes da marca homônima de chocolates mais antiga de São Francisco (desde 1850!!). É possível encontrar os chocolates da Ghirardelli em vários lugares na cidade, mas lá a variedade é enorme e ainda tem dois bares de sunday. Desnecessário dizer que eu provei um, né? Além das lojas de chocolate, a Ghirardelli Square também tem restaurantes e outras lojinhas variadas.

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De lá, segui pela Beach Street até chegar ao Pier 39, o mais famoso da cidade, de onde partem passeios de barco pela baía de SF.

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O bairro é cheio de lojas (maior variedade de souvenirs turistões), hotéis e restaurantes (boa pedida pra quem quer comer frutos do mar).

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Essa região tem uma arquitetura bem bonita também, com vários prédios de tijolinhos.

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Passear no bairro durante o entardecer também pode render paisagens bem bonitas.

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Depois dessa longa caminhada, uma opção para retornar ao centro da cidade é utilizar o Cable Car, o bondinho de SF que imita os cable cars históricos que começaram a operar na cidade no final do século XIX.

Existem 2 linhas que passam pela região, com trajetos distintos, a Powell-Hyde que vai até o Aquatic Park perto da Ghirardelli Square e a Powell-Mason que vai até o meio do Fisherman´s Wharf.

Achei o preço beem salgado ($7 o trecho, se você não tiver o passe de transporte), mas como o bondinho é um ícone da cidade e eu precisava de um meio de transporte para retornar à Union Square, achei que seria uma boa oportunidade para experimentá-lo.

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Sinceramente? Achei bem frustrante. As filas são grandes, então você acaba não conseguindo um lugar com uma boa visão e, pra piorar, o sobe-e-desce naquele espaço apertado me deixou meio tonta. Quem me conhece sabe que eu não sou muito de reclamar, mas dessa vez eu achei o custo-benefício bem desfavorável.

Acabei tendo que usar o bondinho uma segunda vez, muito mais por falta de opção do que por vontade, e acabei tendo uma experiência bem melhor, estava praticamente vazio, sentei num lugar legal, aí sim, valeu a pena. Então, a dica é ir bem cedo ou no anoitecer, para tentar evitar os horários super disputados.

Essa caminhada tem cerca de 5 km e durou toda uma manhã, mas dependendo do ritmo e das paradas, pode ser interessante usar o dia inteiro 😉

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São Francisco caminhando: um tour pelo Mission

Uma das minhas prioridades em São Francisco era ir ao Mission District para ver os famosos murais desse bairro latino.

Peguei um taxi na Union Square para o Roxie Theater (3117 16th Street). A taxista me perguntou se eu ia ver um filme e eu disse que não, apenas iria dar uma volta no Mission. E ela fez um “hum”. E eu fiquei me perguntando se isso significava “não tem nada de demais pra ver lá”, “não vá lá porque é perigoso” ou “você é estranha porque ninguém vai andar no Mission sozinha domingo à tarde na chuva”. Cogitei ficar preocupada, mas quando vi, já estava na porta do Roxy Theater.

Ou as minhas hipóteses sobre o “hum” estavam erradas ou a taxista estava errada, pois o Mission é definitivamente um lugar a ser visto e experimentado, inclusive domingo e debaixo de chuva.

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Caminhar pela Mission Street não te deixa dúvidas sobre a identidade latina do bairro: taquerías, mercadinhos de frutas, lojas de 99 cents com piñatas na vitrine, panaderías mexicanas e oficinas mecânicas dividem o espaço em uma das avenidas mais movimentadas do bairro.

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Escolhi a Taquería Cancún (2288, Mission Street) para almoçar. Definitivamente não é só um restaurante de comida mexicana, é um restaurante mexicano. Pedi um burrito que valeu por um prato feito, inclusive era isso mesmo que ele parecia, um prato feito enrolado na massa de burrito. Estava tão bom que nem tirei foto.

Em seguida, comecei a caminhar pelas ruas perpendiculares à Mission Street, que são mais residenciais (alerta de casinhas bonitas) e um pouco menos movimentadas.

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Os murais do Mission são inspirados no movimento muralista mexicano, que tem como um dos seus expoentes o pintor Diego Rivera (popularmente conhecido como o marido da Frida Kahlo rsrs).

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O muralismo mexicano é caracterizado pela sua monumentalidade – As pinturas são enormes, e pelo papel de intervenção social e política por meio da arte. A sua temática principal era o próprio povo mexicano, sua história e seus valores. Era uma forma de tornar a arte acessível às massas em uma linguagem simples.

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Essas influências me pareceram bastante evidentes nos murais do Mission, muitos deles representam momentos históricos de países latino-americanos ou carregam mensagens de cunho político de uma forma geral.

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São mais de 80 murais espalhados pelo bairro, sendo que duas ruas são famosas por concentrar muitos deles. Uma delas é o Balmy Alley, que abriga murais que vem sendo feitos há mais de quatro décadas.

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A outra é a Clarion Alley, outro verdadeiro museu a céu aberto.

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A Precita Eyes Muralists (2981, 24th street) oferece passeios guiados para conhecer os murais e ainda conta com uma lojinha de arte.

Mas o Mission District não é famoso apenas por seus murais. Afetado pela gentrificação, ele vem sendo notícia em razão das tensões entre os seus velhos moradores – famílias de classe trabalhadora de origem latina – e seus novos residentes, em sua maioria jovens que trabalharam para as empresas do Vale do Silício e afins.

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Mesmo sem saber de praticamente nada sobre isso quando caminhei por lá, consegui perceber que o bairro é permeado por contrastes.

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É uma mistura entre pequenos comércios e restaurantes latinos, muitas vezes geridos por gerações de uma mesma família, por um lado e, por outro, bares, cafés e restaurantes descolados, lojas de produtos orgânicos e novos prédios residenciais luxuosos. Um dos lugares que concentra essa face mais descolada (hipster, yuppie e afins) é a Valencia Street, uma rua paralela à Mission Street, mas que pouco tem a ver com ela.

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Outro problema que o Mission tem enfrentado é a proliferação de apartamentos e quartos para alugar no Airbnb. O que a primeira vista não parece ser um problema (para nós, viajantes), tem sido, na verdade, um grande transtorno para os moradores do bairro. O SF Cronicle estimou que o Mission é o bairro com o maior número de anúncios no Airbnb em São Francisco.

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Todos esses fatores tem levado à especulação imobiliária e consequente aumento dos preços dos imóveis e dos aluguéis, que tem forçado muitos habitantes de longa data a se mudar para áreas mais baratas (e distantes) da cidade. E os negócios locais acabam sendo prejudicados não só pelo aumentos dos aluguéis, mas também com a mudança das famílias de origem latina, suas tradicionais consumidoras.

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Um caso bem interessante dos impactos desse processo de valorização imobiliária no bairro é o que aconteceu com a Adobe Books & Arts Coperative (3130, 24th street). Essa livraria era localizada originalmente na 16th street com a Valencia Street até que diante da ameaça de dobrar o aluguel, o estabelecimento quase fechou e só sobreviveu por conta de uma “vaquinha” online. Depois disso se tornou uma livraria cooperativa na 24th Street.

Aí, você se pergunta se eu sabia de tudo isso quando fui visitá-la? É claro que eu não, achei a fachada interessante e resolvi espiar. A Adobe tem um acervo bastante variado e um ambiente muito aconchegante – um desorganizado charmoso –  é como se você estivesse fuçando a estante de livros de um amigo.

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O caso da Adobe Books é bastante emblemático. O próprio “dono” da livraria conta que ela fez parte da primeira onda recente de gentrificação do bairro e, ironicamente, quase foi expulso pelo agravamento desse processo nos anos seguintes. O SF Chronicle fez uma série de reportagens sobre os moradores do bairro e conta com mais detalhes a história da livraria, para ler é só clicar aqui.

Para a visita ficar completa, não deixe de tomar um sorvete na Humphrey Slocombe (2790A, Harrison Street), uma sorveteria com vários sabores excêntricos, que você pode ir provando até escolhar qual comprar.

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O Mission fica relativamente próximo ao centro de São Francisco e é possível chegar lá usando transporte público e a corrida de taxi saindo da Union Square custou cerca de 7 dólares. Espero que tenha batido uma vontade de conhecer (ou revistar) esse bairo tão interessante e cheio de contrastes!

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São Francisco caminhando: da Union Square ao Castro

Ainda não achei forma melhor de conhecer uma cidade do que caminhar freneticamente por ela. É a melhor maneira de descobrir cantinhos desconhecidos e sentir a atmosfera do lugar. De quebra, você acaba se exercitando, coisa que geralmente a gente deixa de lado nas férias.

Apesar das ladeiras, São Francisco é uma cidade plenamente caminhável. Não é tão dispersa – como é o caso de Los Angeles e de outras cidades norte-americanas, e tampouco tem um metrô com tanta capilaridade como Nova York, ou seja, caminhar além de prazer, é também uma necessidade.

Acontece que a chuva insistiu em cair t-o-d-o-s os dias em que eu estive em SF, dificultando um pouco as minhas caminhadas.

Nos quatro dias em que estive pela cidade, fiquei hospedada no Grant Hotel, um local simples, mas relativamente novo e com preço razoável e bem próximo da Union Square, e portanto, de restaurantes e meios de transporte.

Nesse dia, o ponto de partida da caminhada foi a Union Square, passando pela Alamo Square, Haight Ashbury e Castro. Marque no mapa alguns dos pontos de interesse que falo nesse post:


Como eu não havia tomado café da manhã, a primeira parada do roteiro foi a Mr. Holmes Bakehouse, uma pâtisserie bem fofa que eu havia lido a respeito no UASZ. Eu sabia que o espaço era mais para comprar e levar pra casa, e que comer um donut pela manhã não iria exatamente contribuir para a minha segurança alimentar, mas foi o único momento em que daria para encaixar uma visita à Mr Holmes, então eu não hesitei.

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O carro chefe da Mr Holmes é o cruffin – uma mistura de croissant com muffin, mas além dele a casa oferece donuts, croissants, entre outras delícias. Os sabores são bem diferentes e mudam a cada semana. Peguei o meu donut e segui a caminhada com bigode de chocomenta e espalhando açucar pela cidade.

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A Mr Holmes fica na Larkin Street no Tenderloin, uma parte mais decadente do centro de São Francisco, mas que já vem sendo revitalizada.  A  Larkin Street é um tanto peculiar, no mapa era possível ver que essa região do Tenderloin é conhecida como Little Saigon e, de fato, havia algumas lojas vietnamitas e muitas casas de massagem.

Segui pela Larkin Street até o Civic Center,  que abriga teatros, o ballet de SF, o Asian Art Museum e a Biblioteca da cidade. Em seguida, fui conhecer o interior City Hall. A entrada é gratuita e o interior do prédio é muito bonito, vale a visita.

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De lá, segui pela Hayes Street até a Alamo Square. Essa região do Hayes Valley é residencial, cheia de casas bonitas e muito agradável para se caminhar . Foi uma grata surpresa tê-la encontrado no meio da caminho até a Alamo Square.

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A intenção de ir até a Alamo Square era visitar as Painted Ladies, um conjunto de casas vitorianas bonitinhas. A verdade é que toda essa região é cheia de casas fofas, então as ladies foram apenas a cereja do bolo.

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A região da Alamo Square é bem alta, então tem uma vista linda do centro de São Francisco sobre as Painted Ladies. Para ter uma vista ainda mais bonita, o ideal é ir ao fim do dia, para ver o pôr do sol. No meu caso, como sequer havia sol, eu tive que me contentar com o momento em que não estava chovendo.

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De lá, segui rumo ao Haight Ashbury, o bairro conhecido por ser o difusor do movimento hippie e da contracultura na década de 1960 nos EUA.

Continuei caminhando pela Hayes Street  até chegar na Divisadero Street, uma rua mais movimentada que vem do Marina District e vai quase até o Castro. Algumas quadras depois, cheguei na Haight Street e fui caminhando até chegar no cruzamento com a Ashbury Street.

A região tem bastante comércio, bares, restaurantes, estudios de tatuagem, lojas de música, artigos exotérios e toda a sorte de produtos alternativos. Encontrei algumas livrarias bem legais por lá, daquelas pequenas e cheias de personalidade (leia-se, não era mais uma Barnes and Nobles).

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É um bom lugar para fazer compras se você estiver procurando lojas pequenas que não sejam de grandes marcas e brechós.

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E é claro, em Haight Ashbury não poderia faltar as casas fofas e coloridas.

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Parei para almoçar (e para fugir da chuva) no Siam Lotus, um restaurante de comida tailandesa bem simples, mas com comida muito boa.

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De lá, finalizei o meu dia com uma volta pelo Castro, o bairro LGBT de São Francisco e mundialmente conhecido pelo seu histórico de militância e contracultura a partir da década de 1960.

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Voltei à Divisadero St e segui até a Castro St, a avenida principal do Castro. A caminhada envolve algumas subidas (como tudo em SF rs), mas o esforço físico é compensado pela bela vista que se tem dos outros bairros da cidade.

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O caminho pela Castro Steet também é cheio de casas bonitas e ruas arborizadas.

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Mas é logo após cruzar a Market street, uma das mais importante ruas de SF, que a Castro Street se torna mais movimentada, com os vários bares, restaurantes, lojas, o famoso Teatro Castro.

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Após esse longo dia de caminhada, me rendi ao Muni (o transporte subterrâneo de SF) da Market Street para voltar à Union Square e, assim, terminar o roteiro do dia.

 

 

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Flagstaff: uma ótima opção para conhecer o norte do Arizona

Eu nunca tinha ouvido falar de Flagstaff até folhear o meu velho guia dos Estados Unidos em busca de alternativas à Las Vegas para conhecer a borda sul do Grand Canyon.

Essa pequena cidade do norte do Arizona, localizada aos pés do pico Humphrey (a montanha mais alta do Estado) é recortada pela histórica Rota 66 – a famosa rodovia norte-americana que conecta Chicago à Los Angeles.

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Além disso, Flagstaff também é conhecida por abrigar a Northern Arizona University e o Observatório Lowell, de onde foi descoberto o planeta Plutão.

A cidade conta com boas opções de hospedagem, gastronomia e agências de turismo, sendo uma ótima opção de base para explorar o norte do Arizona (entre 1h e 2h30 das princiais atrações)

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Fiquei 3 dias e 4 noites em Flag, hospedada no Grand Canyon Hostel. O albergue é simples, mas fica bastante próximo ao centro da cidade, de restaurantes e da estação de trem. E, de quebra, os preços são bem amigáveis ($25 o quarto compartilhado e $50 o quarto privativo com banheiro compartilhado).

De forma geral, os preços dos hotéis da cidade são mais baratos se comparados às metrópoles americanas ou até mesmo à Sedona. O grande problema para quem não está de carro é que a maioria deles – em geral no estilo motel americano – ficam na beira das estradas e, portanto, um pouco isolados e distante do centro.

No centro, uma opção é se hospedar nos hotéis históricos Monte Vista e Weatherford, que são conhecidos por terem hospedados celebridades nos anos 50-60 e pela fama de serem mal assombrados.

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A cidade tem opções gastronômicas variadas, que vão das usuais redes de restaurantes norte-americanas à cozinha tailandesa.

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Experimentei o Criollo Latin Kitchen, cujo menu é composto por uma mistura de elementos das cozinhas latino-americanas. Lá é possível comer desde feijoada à huevos rancheros. Bomba no happy hour e os drinks são muito elogiados.

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Aliás, bons drinks é o que não falta na cidade. Como cidade universitária, desnecessário dizer que Flagstaff tem vários bares e pubs, além de muitas cervejarias locais. É tipo o paraíso cervejeiro.

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Fui à Lumberyard Brewing Company, que é um daqueles típicos bares/restaurantes americanos em que você pode ver esportes, beber cerveja e comer hamburger. A comida era OK, mas a variedade de cervejas da casa é realmente incrível.

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O centro da cidade é bem pequeno, então o meu curto tempo livre à noite após os passeios foi suficiente para flanar pelas ruas e visitar as lojinhas.

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Confesso que achei a cidade meio parada à noite para o que eu imaginava de uma cidade universitária, mas desfiz essa impressão à medida que o fim de semana foi se aproximando.

Sem dúvida, a coisa mais legal que eu fiz na cidade foi participar da ArtWalk, evento que acontece em toda primeira sexta-feira do mês, quando as galerias de arte e artesanato da cidade abrem suas portas com exposições, comes e bebes e até música ao vivo.

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As ruas ficam cheias de gente, pessoas se cumprimentam nas calçadas, conversam nas galerias. Foi um evento que me provocou ao mesmo tempo solidão – por ser uma desconhecida no meio de uma comunidade – e acolhimento, por ter sido tão prontamente incluída nas conversas.  A impressão é a de que basta uma simples interação para dar início a uma longa conversa 🙂

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Arizona – dia 3: Monument Valley

O terceiro dia de viagem pelo Arizona foi o dia de conhecer o Monument Valley, as famosas formações rochosas que foram cenário para vários filmes norte-americanos.

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O Monument Valley está localizado nas terras da Nação Navajo, no norte do Arizona, alcançando também uma parte do Estado de Utah.

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Não foi fácil achar uma empresa que oferecesse esse passeio, já que de Flagstaff até o Monument Valley são quase 2h30 de viagem. A única que eu encontrei foi a Red Stone Tours, cujo guia era bem menos legal que a Marcia (e cheio de piadas conservadoras e machistas), mas deu tudo certo com o passeio em si e vocês vão ver pelas fotos que valeu a pena, apesar de tudo.

A viagem é feita pela Route 89 e é possível observar a mesma transição de paisagem e temperatura que ocorre no caminho para o Grand Canyon, de coníferas para o deserto. Cerca de 1h depois, chega-se a cidade(zinha) de Cameron, já dentro da Nação Navajo. Fizemos uma primeira parada no Cameron Trading Post, um dos locais mais famosos para comprar artesanato Navajo, além de também possuir hospedagem, toaletes e lanchonete.

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Para além da paisagem desértica, em Cameron, eu já passei a me sentir em outro país e cercado de outro povo. O que, na verdade, faz sentido já que dentro das nações dos povos originários são as regras deles que prevalecem.

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Afora as estradas e alguns equipamentos estatais, cuja construção e manutenção cabem ao Estado, as regras acerca decomo proceder no território Navajo são definidas por eles, o que significa que você precisa pedir permissão para fazer certas coisas, como realizar trilhas, acampar, etc.

As cidades que eu passei eram pequenas, apenas um aglomerado de casas simples com equipamentos estatais, como escolas e postos de saúde, além de lojas de artesanatos e restaurantes. O guia nos explicou que, na concepção dos Navajo, não faz bem viver em grandes aglomerados, por isso as cidades são, em geral, pequenas.

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No território Navajo, há todo o tipo de “modernidade”: hotéis, redes de fast food e até wi fi nos lugares mais impensados. Mas o nível de interação do povo com essas modernidades varia bastante. Se, por um lado, algumas pessoas estão quase totalmente integradas às rotinas e elementos das demais cidades norte-americanas (sobretudo aquelas pessoas que trabalham com turismo), por outro lado, algumas comunidades vivem completamente isoladas no deserto.

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O artesanato é lindo e colorido. Ainda que não vá comprar nada,  as lojas e os trading posts valem uma rápida visita para poder apreciar os vários padrões de tapeçaria e vasos, além de ter contato com o povo Navajo.

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De Cameron, seguimos até Tuba City e, de lá, até Kayenta, onde já é possível visualizar as formações que caracterizam o Monument Valley.

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De Kayenta fomos até o Goulding Lodge, um hotel que fica no meio do vale e tem uma vista incrível. Eu já decidi que tenho que voltar ao Monument Valley só pra ficar uma noite nesse hotel e ver o nascer e o pôr do sol com essa vista.

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De lá, a van saiu da estrada principal e começamos o passeio pelo meio do vale em estradas de terra, parando nos pontos principais. Como toda louca dos gatos, é claro que eu acabei achando um no meio do deserto, né? Para quem não é de gato, mas gosta de cães, já adianto que também é possível encontrar alguns.

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Depois voltamos para Kayenta para almoçar. Experimentei um taco navajo, feito em um pão típico deles, com chilli, salada e queiro. Gostaria de ter o registro, mas a fome estava literalmente monumental, então nem lembrei da foto.

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Em Kayenta, existe uma réplica dos cenários dos filmes de faroeste que foram rodados na região.

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Além de um pequeno museu dedicado a esses filmes…

Museu do Cinema

De lá, seguimos de volta à Flagstaff. A única coisa que eu senti falta no passeio foi de ter tido mais contato com as pessoas que moram lá. Infelizmente, o contato acaba sendo meramente comercial, já que são eles que operam a infraestrutura de turismo e não senti muita margem para esticar o assunto e conversar mais sobre a sua história e tradições.

Lendo um pouco mais sobre a região, concluí que essa barreira tem forte relação com o passado de opressão e exploração vivido pelos povos originários e, principalmente, pelo recorrente assédio sofrido por eles em um passado não tão distante por parte de historiadores, antropólogos, jornalistas e turistas. Inclusive, alguns povos atualmente se recusam a serem fotografados.

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Apesar disso, posso dizer que sem dúvida essee foi dos passeios mais interessantes que eu já fiz, o lugar realmente tem uma energia muito especial e vale a visita 🙂

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Viagens, Viajando sozinha

Arizona – dia 4: Horseshoe Bend e Antelope Canyon

O quarto e último dia no Arizona foi destinado a conhecer o Antelope Canyon e o Horseshoe Bend.

Fiz o passeio com a Adventure Southwest, a mesma empresa e a mesma guia que havia me levado ao Grand Canyon.

Por ser baixa temporada, todos os passeios que fiz estavam bem vazios, em geral apenas mais 2 pessoas além de mim. E, esse não foi diferente, havia apenas um jornalista indiano e sua amiga, que estavam fazendo uma matéria sobre o Antelope Canyon.  Foi super interessante conhecê-los e, de quebra, convencemos a guia a fazer umas paradas estratégicas para fotografar.

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Fizemos um caminho parecido ao do dia anterior rumo à Nação Navajo, passando por Cameron e Page, para chegar ao Horseshoe Bend, que é uma imensa curva em forma de ferradura executada pelo curso do rio Colorado a poucos quilômetros da cidade de Page no Arizona.

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Do estacionamento até a vista do Horseshoe Bend, é preciso fazer uma caminhada curta, algo em torno de 1km. Era inverno e ainda assim estava quente (e seco), então imagino que no verão esse 1 km deve parecer um pouco mais longo.

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Mas não se preocupe, as rochas esculpidas junto com a paisagem desértica são uma grande distração para essa caminhada.

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Eu confesso que estava muito ansiosa pela vista do Horseshoe Bend e ele é realmente incrível.

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Porém, uma coisa que me chamou a atenção é que, ao menos nesse dia, não havia muita supervisão na área e não há qualquer tipo de cordão de isolamento, então é importante vigiar as crianças e pessoas desastradas.

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Eu, pessoa desastrada, sobrevivi, muito provavelmente porque viajando sozinha tendo a conter o lado desastrado da minha personalidade. Na verdade, pelas fotos, eu até cheguei a pensar que a vista daria um pouco de vertigem por se assemelhar a um penhasco, mas não senti desconforto em andar pelas bordas das pedras.

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Em seguida, fomos em direção ao Lake Powell e a área de recreação do Glen Canyon. Lá, fizemos um piquenique improvisado aproveitando a vista da ponte da barragem do Glen Canyon.

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De lá, seguimos para o Antelope Canyon. Na verdade, existem dois cânions, o Lower e o Upper Antelope Canyon. O Upper é o mais visitado, principalmente em razão do seu fácil acesso, uma vez que a sua entrada está na altura do chão. Já para acessar o Lower Antelope Canyon é preciso descer um rol de escadas, sendo que antes o acesso requeria escalada.

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No meu passeio estava incluso apenas o tour pelo Lower Antelope Canyon, mas acho que, para quem vai por conta própria, vale a pena visitar os dois, já que são próximos.

O tour pelo interior do Canyon é operado pelos Navajos. No meu caso, o ingresso de entrada e o agendamento já haviam sido providenciados pela agência de turismo, mas no caso de ir por conta própria é possível agendar um tour em alguma agência em Page ou diretamente na Dixie Ellis Lower Antelope Canyon Tour.

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O Antelope Canyon é certamente o lugar mais fotogênico em que eu já estive. Pra ser sincera, nem estava dando tanta bola para ele, até chegar lá e deparar com as inúmeras cores e formatos que as rochas esculpidas por água e vento podem assumir a depender da luz.

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Do estacionamento até a descida do cânion, é preciso apenas uma pequena caminhada. A parte mais sensível mesmo são as escadas para descida até o seu interior.

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O nosso grupo era praticamente os BRICS: uma brasileira (eu!),  quatro indianos e um chinês. A guia conduziu a caminhada no interior do cânion e nos contou sobre a sua formação e também algumas curiosidades do local.

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O único defeito do passeio é que ele acaba sendo um pouco corrido, já que os guias controlam o tempo para evitar que os vários grupos se aglomerem entre as paredes estreitas do cânion. E, quanto a isso não tem muito o que fazer, indo por conta própria ou por agência, os passeios são necessariamente feitos em grupo e conduzidos por um guia.

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E isso tem uma explicação. Em agosto 1997, 11 turistas morreram porque a água das chuvas de verão invadiram abruptamente o interior do cânion. Desde então, foram tomadas várias medidas de segurança, entre elas, a obrigatoriedade do guia.

No tour tradicional é proibido utilizar tripé fotográfico, o que faz bastante sentido já que o espaço é estreito e passeio é bastante rápido. Mas isso não impede que você tire ótimas fotos, os guias navajos dão os exatos parâmetros da câmera para bater uma boa foto (e até o melhor filtro da câmera do iphone), além de mostrar os melhores ângulos das paredes do cânion. Ou seja, o mérito das fotos é todo da natureza e dos guias Navajo.

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Para aqueles interessados em um tour ainda mais especializado em fotografia, é possível fazer um tour fotográfico em um grupo menor e com guia especializado, com duração média de 2h.

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Viagens, Viajando sozinha

Arizona dia 2: Grand Canyon

Para o segundo dia da viagem pelo norte do Arizona, eu programei a visita ao Grand Canyon.

O Grand Canyon pode ser apreciado sob vários ângulos. Quem vai por Las Vegas, em Nevada, costuma visitar a borda oeste, que fica dentro da reserva da nação Hualapai e, portanto, fora do parque nacional (ainda que dentro do território do Arizona).

A borda norte fica dentro do Parque Nacional, mas tem menos infraestrutura e fica mais distante das cidades (a 200km de Page). Tem altitude mais elevada e, portanto, invernos mais rigorosos e ar mais rarefeito – o que faz com que o seu acesso seja restrito aos meses de maio à outubro.

A vista mais icônica do Grand Canyon é acessível pela borda sul, que fica dentro do Parque Nacional e próxima das cidades de Williams e Flagstaff, e fica aberta o ano todo.

E foi para visitá-la que eu me hospedei em Flagstaff, uma cidade universitária aos pés do Monte Humphrey, recortada pela histórica Rota 66.

Por estar dentro do Parque Nacional, as atividades na borda sul possuem várias restrições. Não é possível, por exemplo, descer de helicóptero no meio das rochas, como é o caso dos passeios da borda oeste vindos de Vegas.

Por outro lado, o parque conta com uma infraestrutura excelente, sendo possível inclusive se hospedar dentro dele, realizar caminhadas entre os mirantes, trilhas no interior do cânion e travessias de barco (obedecidas as regulamentações do parque, obviamente).

O Parque Nacional do Grand Canyon dispõe de 12 mirantes, que podem ser percorridos a pé ou usando o serviço de ônibus gratuito do próprio parque.

Como o tempo no inverno é uma caixinha de surpresas, podendo inclusive nevar, eu decidi não reservar nenhum passeio com trilha. Queria mesmo um passeio que compreendesse o horário do pôr do sol (#aloucadopordosol) mas não consegui encaixar os dias disponíveis com as outras atrações, então foi sem pôr do sol mesmo.

Fiz o passeio com a Adventure Southwest e adorei o serviço, principalmente a guia, a Márcia, uma californiana que mora em Flagstaff há vários anos e nos contou várias histórias da região e da sua experiência nos parques nacionais norte-americanos. Deu ainda mais vontade de conhecer todos os parques.

Leva-se cerca de 1h30 de Flagstaff até o Grand Canyon e a transformação da paisagem ao longo do caminho é incrível. Como Flagstaff fica a 7000 pés do mar, a vegetação é mais densa e composta por coníferas, como ainda era inverno, as árvores estavam bem sequinhas e era possível ver um pouco de neve nos pastos.

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À medida que se aproxima do Grand Canyon, vai-se perdendo altitude e a vegetação fica cada vez mais esparsa e a terra mais avermelhada, com cara de deserto mesmo (muito parecido com o nosso Cerrado). Com queda de altitude, as temperaturas sobem também, o que é um alívio no inverno (e um pesadelo no verão, imagino eu).

O tour para em vários dos mirantes do Grand Canyon. A grande vantagem de ir na baixa temporada é que eles estavam praticamente vazios, então tive bastante tranquilidade para aproveitar o meu tempo em cada um deles e bater 1546 fotos sem a presença do elemento humano.

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A primeira visão do Grand Canyon é inesquecível, acho que as fotos não dão conta da imensidão do lugar. Pra mim, é como se fosse o mar, não tem fim no horizonte.

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A grandeza do solo esculpido pela erosão é tamanha que o Rio Colorado parece um mero filete de água percorrendo todo aquele solo recortado.

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Em uma das paradas, é possível subir em uma torre que oferece uma vista um pouco mais ampla do cânion, o que torna as suas dimensões ainda mais impressionantes.

torre

A quantidade de tons terrosos também é incrível de se observar.

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Se você tiver sorte, ainda pode encontrar com alguns moradores do parque.

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O parque tem uma ótima infraestrutura, com banheiro, lanchonetes, estacionamento, hospedagem e, é claro, lojinhas de souvenir.  Aliás, uma coisa que nunca falta nos EUA é a lojinha de souvenir. Lá você pode registrar gratuitamente a sua presença no Grand Canyon com um carimbo no seu passaporte.

Um dos hotéis situados no interior do Parque é o El Tovar,  construído antes mesmo do Grand Canyon se tornar um parque nacional em 1919. O hotel, cuja arquitetura combina influências vitorianas com um estilo naturalista rústico, foi construído para abrigar os ricos viajantes que vinham de trem visitar o Grand Canyon no início do século passado. Atualmente, o El Tovar é um patrimônio histórico nacional.

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Outro patrimônio histórico nacional situado no interior do Parque é a Hopi House, inaugurada simultaneamente com o El Tovar em 1905. A  Hopi House foi projetada pela arquiteta Mary Colter, grande admiradora da arquitetura dos povos nativos norte-americanos. A construção foi totalmente inspirada nas casas do povo Hopi. Hoje, a Hopi House é uma loja de artesanato dos povos nativos.

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Para finalizar o passeio, fizemos um picnic no final do dia aproveitando a paissagem privilegiada do Grand Canyon e, em seguida, retornamos à Flagstaff.

 

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Roteiros, Viagens, Viajando sozinha

Arizona dia 1: Sedona

A minha viagem pelo Arizona começou por Sedona, uma cidadezinha que fica ao norte de Phoenix, capital do Estado. Quando comecei a montar o roteiro, percebi que havia uma “disputa” entre Sedona e Flagstaff, algumas pessoas diziam que valia muito a pena montar a base da viagem em Sedona. Já outras  diziam que Sedona era  uma cidade artificial e voltada para um turismo mais luxuoso, ao passo que Flagstaff seria mais histórica e, ao mesmo tempo jovial em razão da Northern Arizona University.


De toda essa discussão, ao menos uma coisa é fato. Em razão da altitude, no inverno Sedona tem temperaturas bem mais agradáveis que Flagstaff e, no verão, ocorre o contrário, Sedona é muito mais quente do que Flagstaff (no Arizona, “mais quente”, leia-se, “muito quente”).

Acabei optando por ficar apenas um dia em Sedona e montar a minha base em Flagstaff. A minha escolha foi motivada por razões práticas: a hospedagem em Sedona era bem mais cara e, ao mesmo tempo, Flagstaff ficava mais próxima dos lugares que eu queria visitar.

Depois de 3 voos e quase 24h de viagem, cheguei ao aeroporto de Phoenix e, de lá, peguei um traslado para Sedona. No site da Arizona Shuttle é possível consultar os horários, preços e fazer a reserva (é possível contratar o serviço na hora também).

Sedona é conhecida pelas red rocks – as formações rochosas avermelhadas. Quando cheguei já era noite, então só consegui reconhecê-las pelos vultos, mas sabia que pela manhã iria acordar cercada por elas. O hotel tinha varanda legal, então é claro que aproveitei para ver no nascer do sol (um ato de heroísmo, considerando as 4 horas de fuso).

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Sedona é pequena, tem apenas cerca de 10 mil habitantes. Apesar de ter sido fundada em 1902, o boom turístico da cidade somente ocorreu em meados dos anos 1980, em função das publicações da física Page Bryant, que caracterizou a cidade como um lugar místico – o chakra central do nosso planeta. A autora também apontou que Sedona possuia um conjunto de vórtices que trariam fontes benefícias de energia.

Atualmente, Sedona é totalmente voltada para o turismo, cheia de hotéis, resorts, lojas e restaurantes. Em função do seu caráter místico, também é possível encontrar cristais à venda, fazer terapias alternativas, aulas de yoga e passeios aos vórtices.

artesanato

Muito antes de ser conhecida pelos vórtices de energia, Sedona foi cenário para vários filmes de velho oeste de Hollywood. Para se ter uma ideia, entre 1920 e 1960, mais de vinte filmes foram rodados na região (veja a lista completa aqui).

western

A cidade tem regras estritas para os padrões arquitetônicos, que fazem com que as construções se harmonizam com a paisagem rochosa que a circunda. Eu achei bonitinho, mas acredito que essa padronização seja um dos motivos pelos quais a cidade é considerada artificial por algumas pessoas.

arquitetura

Uma grande desvantagem para quem não está de carro é que, apesar de pequena, a cidade possui duas áreas bem afastadas, o centro e a parte oeste, e o caminho entre essas duas partes não é propriamente caminhável (mas tem ônibus). Já antevendo esse problema, eu me hospedei no centro, perto das agências de turismo e restaurantes.

Como só iria passar um dia, decidi pegar o ônibus turístico para ver o resto da cidade. A passagem pela cidade foi rápida e sem paradas, a parte mais interessante foram as paradas na região as formações rochosas, mas para quem vai fazer um passeio de jipe ou trilha, o roteiro do ônibus acaba sendo redundante, então não recomendo. IMG_6461

Após o passeio, almocei no 89 Agave, um restaurante mexicano bem descolado com várias opções de drinks e cervejas locais.  Foi a minha refeição pseudo saudável de começo de férias, quando você ainda acredita que vai manter a linha.

comida

Para a tarde, eu havia programado fazer um passeio pelas red rocks. Existe uma série de passeios de jipe pelas formações rochosas da região, com ou sem trilha, com ou sem  emoção. Várias agências oferecem esses serviços, em geral os passeios duram 1-2 horas e existem vários horários disponíveis. Não reservei antes porque era baixa temporada, mas em outras épocas a reserva é recomendável.

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A maioria dos passeios é feita de jipe para que se possa contornar os obstáculos das pedras e ter acessos aos mirantes sem nenhum esforço, então o passeio é tranquilo de ser feito por pessoas de qualquer idade ou condição física. A única ressalva é que balança MUITO, então não é recomendado para grávidas.

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Eu escolhi fazer o passeio pelo Broken Arrow com a Pink Jeep Tours. A princípio tinha achado meio brega o esquema do jipe rosa, me lembrava aqueles carros rosas das vendedoras de Mary Kay. Mas como era a mais famosa, mais antiga (opera desde 1960!), etc, achei que seria bom primar pela tradição, já que sair zanzando de jipe sempre envolve algum risco.

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Mal sabia eu que havia uma história por trás dos jipes rosas, o guia nos contou que originalmente a empresa se chamava Don Pratt Adventures e que, após uma viagem para o Havaí, o então dono mudou o nome da empresa para Pink Jeep Tours em referência ao Royal Hawaiian Hotel, conhecido como Pink Palace of the Pacific.

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O passeio durou cerca de 2h, com várias paradas para explicação e observação. As paisagens são realmente estonteantes, como vocês podem ver pelas fotos.

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E a melhor parte: o jipe faz tudo por você e você ainda pode sair espalhando por aí que andou 10km para chegar nesse mirante e posar de super-aventureiro-hiker-experiente #liveoutdoors

Brincadeiras à parte, a minha conclusão foi que valeu a pena passar em Sedona ao menos  um dia e fazer o passeio de jipe pelas red rocks. Ainda que geograficamente próxima das outras atrações que visitei, as formações rochosas dessa região são únicas e não se sobrepõem a outras atrações do norte do Arizona. É claro que com mais dias, é possível aproveitar para fazer várias trilhas pela região, que é um verdadeiro paraíso para quem gosta desse tipo de atividade.

Para não perder o costume, aproveitei para curtir o pôr do sol antes de ir para Flagstaff. E ele não decepcionou.

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