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Respondendo a Tag Wanderlust

A Sophia Catalogne, do Blog Meu mapa-mundi, me desafiou a responder a Tag Wanderlust, (em português – forte desejo/impulso de viajar). Nunca tinha respondido uma tag antes, adorei pensar um pouquinho sobre as minhas preferências de viagem. Aí vão as respostas:

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1) Quando e para onde ia o seu primeiro avião?

Meu primeiro voo foi para Fortaleza, quando eu tinha 14 anos. Foi uma viagem duplamente especial, pois além de voar pela primeira vez, foi a primeira vez que eu vi o mar.

2) Para onde já foi e gostaria de voltar?

Acho que não tem um país que eu tenha ido e esgotado todas as opções, voltaria em todos. Mas, priorizando, eu escolheria a Polônia, lugar onde eu morei por seis meses em 2008 e que, desde então, nunca mais voltei e morro de vontade de revisitar.

3) Você está viajando amanhã e dinheiro não é problema. Para onde vai?

Passaria 3 meses rodando vários países na África.

4) Método preferido de viagem: avião, trem ou carro?

Trem. Adoro acompanhar as paisagens sem ter que me preocupar com trânsito, estrada, etc. E, além disso, por seu um meio de transporte raro no Brasil, automaticamente já tenho aquela sensação boa de “fora da rotina” ou “estou viajando”.

5) Site preferido de viagem?

São vários. Para roteiros em geral, costumo checar o Viaje na Viagem e o Carpe Mundi. Também consulto sempre as abas de destinos do site da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem para ver o que foi publicado de mais recente sobre o lugar que eu estou planejando ir.

Também tenho os meus queridinhos para roteiros específicos, para Buenos Aires, o Aires Buenos, para o Uruguai, o Viver Uruguay. Nesse momento, estou apaixonada pelo Viver a Viagem, pelas fotos belíssimas e experiências tão profundas em cada país.

6) Para onde viajaria só para comer a comida local?

Eu sou super entusiasta do lado gastronômico das viagens, o número de posts no blog sobre comida comprova isso. Não tem nenhum lugar que eu viajaria apenas pela comida, mas um país que eu superaria todas as barreiras logísticas e linguísticas para provar a comida local é a Geórgia.

7) Você sabe o seu número de passaporte de cabeça?

Eu sabia o do passaporte passado, mas esse atual (que nem é tão atual assim) eu confundo sempre!

8) Você prefere o assento do meio, corredor ou janela?

Janela, sem dúvida! Primeiro porque eu adoro acompanhar pousos e decolagens e, segundo, porque geralmente eu durmo muito durante o voo e não quero impedir ninguém de se levantar.

9) Como você passa o tempo quando está no avião?

Meu método era hibernar, mas com o passar dos anos, essa estratégia não tem funcionado muito bem, então gosto de deixar algumas playlists novas no celular, filmes offline no netflix, ler, escrever um pouco, etc

10) Existe algum lugar para onde você nunca mais voltaria?

Não tem nenhum lugar que eu não voltaria nunca mais, o que tem são lugares que eu jamais voltaria em determinadas circunstâncias, por exemplo, Mendoza na Argentina no verão a 40º e 20% de umidade hehe

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Uncategorized, Viagens

Um roteiro sobre Direitos Humanos em Santiago

É difícil visitar o Chile e não deparar com a memória social da ditadura militar que teve início em 1973 no país, a começar pelo Palácio La Moneda, sede da Presidência da República do Chile e um dos principais pontos turísticos de Santiago, que foi alvo de bombardeio em 11 de setembro de 1973, liderado pelo então comandante do Exército chileno, Augusto Pinochet. Era, então, deposto o presidente Salvador Allende, Fundador do Partido Socialista do Chile,  que governara o país de 1970 até 1973.

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O Palácio La Moneda fica na Plaza de la Ciudadania, bem no centro de Santiago e acessível pela estação do metrô “La Moneda”. Além de apreciar sua fachada externa, é possível fazer tour guiado pelo interior do Palácio. Eu não cheguei a fazer esse tour, mas no Meus Roteiros de Viagem tem um relato bem detalhado de como realizar esse passeio.

No subsolo da Plaza de la Ciudadania, fica o Centro Cultural Palacio La Moneda, que abriga exposições temporárias e permanentes, além de possuir uma sala para exibição de filmes e um café.

Tal como no Brasil, os anos de ditadura militar chilena foram marcados pela ruptura com o sistema democrático, a dissolução do Congresso Nacional, a suspensão dos partidos políticos, a restrição dos direitos civis e políticos, como a liberdade de expressão e de reunião e, principalmente, pela violação dos direitos humanos.

Tendo como base a ideologia da doutrina da segurança nacional, colocou-se em prática uma política repressiva com o objetivo de sufocar toda potencial ameaça à ordem estabelecida, por meio de prisões, torturas, assassinatos e exílio. Essas ações afetaram milhares de chilenos, entre políticos de esquerda, dirigentes sindicais e simpatizantes do governo Allende.

Além da polícia e das forças armadas, foram criados órgãos específicos para essas finalidades, como a Direção de Inteligência Nacional e a Central Nacional de Informações.

Nas últimas décadas, o Chile conduziu várias investigações sobre as violações de direitos humanos realizadas durante o período da ditadura militar. O relatório da Comissão Valech – a comissão da verdade mais recente conduzida no país, reconhece um total de mais de 40 mil vítimas da ditadura chilena.

A melhor forma de conhecer melhor essa história é visitar o Museu da Memória e dos Direitos Humanos em Santiago. Ele explica, de forma bastante didática e interativa, como se deram as sistemáticas práticas de violação de Direitos Humanos durante a ditadura chilena, além de prestar uma homenagem às vítimas e  a suas famílias. Certamente foi uma das atrações que eu mais gostei na cidade, de todos os países que eu já visitei na América do Sul, não tenho conhecimento de nenhum outro que tenha feito um trabalho tão primoroso de reconstrução e exposição dos horrores dos anos de autocracia. Já adianto que o Museu é grande e com muita informação, então, para valer a pena, reserve umas 3 horas para visitar tudo com calma.

Apesar de um pouco distante do centro, o museu é facilmente acessado pela estação do metrô “Quinta Normal”, ao lado de parque de mesmo nome, que também vale a visita.

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Por acaso, outro lugar que encontramos por acaso um pouco da memória social da ditadura chilena em Santiago foi no bairro Brasil, que originalmente havíamos decidido visitar em razão dos resquícios da arquitetura do início do século passado.

No início do século XX, o bairro Brasil era um bairro de luxo, mas a partir da década de 1940 os moradores ricos começaram a migrar para outros bairros mais valorizados e o bairro Brasil caiu em esquecimento. Em razão disso, a região acabou escapando da exploração imobiliária, o que fez com que muitas das belas mansões em estilo gótico e neoclássico, quase todas do início do século XX, sobrevivam até hoje, ainda que desgastadas pelo tempo. Além disso, a presença de universidades próximas ao bairro propiciou uma vida cultural e artistica intensa na região.

O bairro fica um pouco afastado do centro, mas para quem gosta de caminhar é tranquilo chegar até lá andando (e barato chegar até lá de taxi). O melhor lugar para começar a flanar pelo bairro é a Plaza Brasil, que aos finais de semana tem uma atmosfera bem agradável, com uma feirinha de livros antigos e artesanato, pessoas descansando na grama, gente tocando vilão e crianças brincando.

Foi lá que tivemos a grata surpresa de encontrar entre as barraquinhas da feira uma associação chamada FUNA, que em Espanhol significa algo como “esculacho”. O lema da associação é “Si no hay justicia, hay funa“, o que quer dizer que ” Se não há justiça, há constrangimento público”. Conversamos bastante com um dos líderes do movimento, que nos explicou que o trabalho deles consiste em identificar pessoas que atuaram na violação de direitos humanos na ditadura militar chilena, foram condenados, mas permanecem sem punição até hoje. A partir dessa identificação, a associação divulga a história da pessoa, junto com endereço e foto, e organiza atos de constrangimento público em frente à casa da pessoa condenada, cujo passado na maioria dos casos permanecia desconhecido para a maioria da sociedade.

funa

A Plaza Brasil também é rodeada por cafés e livrarias vinculadas à esquerda chilena. Experimentamos o Crónica Digital, que tinha cafés e tortas maravilhosas.

cronicadigital

Depois do café, seguimos pela Avenida Brasil, a rua principal do bairro, que é cheia de bares, cafés e restaurantes e parece ser o point da noite.

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E, de lá, fomos explorando as ruas menores, que são cheias de casarões antigos.

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E arte de rua….

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E mais arte de rua.

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Bom, esse é certamente um relato restrito de um universo muito mais amplo de atividades e passeios relacionados aos direitos humanos em Santiago, mas espero ter dado minha contribuição aos apreciadores do tema 😉