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São Francisco caminhando: da Union Square ao Castro

Ainda não achei forma melhor de conhecer uma cidade do que caminhar freneticamente por ela. É a melhor maneira de descobrir cantinhos desconhecidos e sentir a atmosfera do lugar. De quebra, você acaba se exercitando, coisa que geralmente a gente deixa de lado nas férias.

Apesar das ladeiras, São Francisco é uma cidade plenamente caminhável. Não é tão dispersa – como é o caso de Los Angeles e de outras cidades norte-americanas, e tampouco tem um metrô com tanta capilaridade como Nova York, ou seja, caminhar além de prazer, é também uma necessidade.

Acontece que a chuva insistiu em cair t-o-d-o-s os dias em que eu estive em SF, dificultando um pouco as minhas caminhadas.

Nos quatro dias em que estive pela cidade, fiquei hospedada no Grant Hotel, um local simples, mas relativamente novo e com preço razoável e bem próximo da Union Square, e portanto, de restaurantes e meios de transporte.

Nesse dia, o ponto de partida da caminhada foi a Union Square, passando pela Alamo Square, Haight Ashbury e Castro. Marque no mapa alguns dos pontos de interesse que falo nesse post:


Como eu não havia tomado café da manhã, a primeira parada do roteiro foi a Mr. Holmes Bakehouse, uma pâtisserie bem fofa que eu havia lido a respeito no UASZ. Eu sabia que o espaço era mais para comprar e levar pra casa, e que comer um donut pela manhã não iria exatamente contribuir para a minha segurança alimentar, mas foi o único momento em que daria para encaixar uma visita à Mr Holmes, então eu não hesitei.

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O carro chefe da Mr Holmes é o cruffin – uma mistura de croissant com muffin, mas além dele a casa oferece donuts, croissants, entre outras delícias. Os sabores são bem diferentes e mudam a cada semana. Peguei o meu donut e segui a caminhada com bigode de chocomenta e espalhando açucar pela cidade.

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A Mr Holmes fica na Larkin Street no Tenderloin, uma parte mais decadente do centro de São Francisco, mas que já vem sendo revitalizada.  A  Larkin Street é um tanto peculiar, no mapa era possível ver que essa região do Tenderloin é conhecida como Little Saigon e, de fato, havia algumas lojas vietnamitas e muitas casas de massagem.

Segui pela Larkin Street até o Civic Center,  que abriga teatros, o ballet de SF, o Asian Art Museum e a Biblioteca da cidade. Em seguida, fui conhecer o interior City Hall. A entrada é gratuita e o interior do prédio é muito bonito, vale a visita.

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De lá, segui pela Hayes Street até a Alamo Square. Essa região do Hayes Valley é residencial, cheia de casas bonitas e muito agradável para se caminhar . Foi uma grata surpresa tê-la encontrado no meio da caminho até a Alamo Square.

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A intenção de ir até a Alamo Square era visitar as Painted Ladies, um conjunto de casas vitorianas bonitinhas. A verdade é que toda essa região é cheia de casas fofas, então as ladies foram apenas a cereja do bolo.

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A região da Alamo Square é bem alta, então tem uma vista linda do centro de São Francisco sobre as Painted Ladies. Para ter uma vista ainda mais bonita, o ideal é ir ao fim do dia, para ver o pôr do sol. No meu caso, como sequer havia sol, eu tive que me contentar com o momento em que não estava chovendo.

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De lá, segui rumo ao Haight Ashbury, o bairro conhecido por ser o difusor do movimento hippie e da contracultura na década de 1960 nos EUA.

Continuei caminhando pela Hayes Street  até chegar na Divisadero Street, uma rua mais movimentada que vem do Marina District e vai quase até o Castro. Algumas quadras depois, cheguei na Haight Street e fui caminhando até chegar no cruzamento com a Ashbury Street.

A região tem bastante comércio, bares, restaurantes, estudios de tatuagem, lojas de música, artigos exotérios e toda a sorte de produtos alternativos. Encontrei algumas livrarias bem legais por lá, daquelas pequenas e cheias de personalidade (leia-se, não era mais uma Barnes and Nobles).

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É um bom lugar para fazer compras se você estiver procurando lojas pequenas que não sejam de grandes marcas e brechós.

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E é claro, em Haight Ashbury não poderia faltar as casas fofas e coloridas.

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Parei para almoçar (e para fugir da chuva) no Siam Lotus, um restaurante de comida tailandesa bem simples, mas com comida muito boa.

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De lá, finalizei o meu dia com uma volta pelo Castro, o bairro LGBT de São Francisco e mundialmente conhecido pelo seu histórico de militância e contracultura a partir da década de 1960.

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Voltei à Divisadero St e segui até a Castro St, a avenida principal do Castro. A caminhada envolve algumas subidas (como tudo em SF rs), mas o esforço físico é compensado pela bela vista que se tem dos outros bairros da cidade.

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O caminho pela Castro Steet também é cheio de casas bonitas e ruas arborizadas.

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Mas é logo após cruzar a Market street, uma das mais importante ruas de SF, que a Castro Street se torna mais movimentada, com os vários bares, restaurantes, lojas, o famoso Teatro Castro.

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Após esse longo dia de caminhada, me rendi ao Muni (o transporte subterrâneo de SF) da Market Street para voltar à Union Square e, assim, terminar o roteiro do dia.

 

 

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Flagstaff: uma ótima opção para conhecer o norte do Arizona

Eu nunca tinha ouvido falar de Flagstaff até folhear o meu velho guia dos Estados Unidos em busca de alternativas à Las Vegas para conhecer a borda sul do Grand Canyon.

Essa pequena cidade do norte do Arizona, localizada aos pés do pico Humphrey (a montanha mais alta do Estado) é recortada pela histórica Rota 66 – a famosa rodovia norte-americana que conecta Chicago à Los Angeles.

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Além disso, Flagstaff também é conhecida por abrigar a Northern Arizona University e o Observatório Lowell, de onde foi descoberto o planeta Plutão.

A cidade conta com boas opções de hospedagem, gastronomia e agências de turismo, sendo uma ótima opção de base para explorar o norte do Arizona (entre 1h e 2h30 das princiais atrações)

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Fiquei 3 dias e 4 noites em Flag, hospedada no Grand Canyon Hostel. O albergue é simples, mas fica bastante próximo ao centro da cidade, de restaurantes e da estação de trem. E, de quebra, os preços são bem amigáveis ($25 o quarto compartilhado e $50 o quarto privativo com banheiro compartilhado).

De forma geral, os preços dos hotéis da cidade são mais baratos se comparados às metrópoles americanas ou até mesmo à Sedona. O grande problema para quem não está de carro é que a maioria deles – em geral no estilo motel americano – ficam na beira das estradas e, portanto, um pouco isolados e distante do centro.

No centro, uma opção é se hospedar nos hotéis históricos Monte Vista e Weatherford, que são conhecidos por terem hospedados celebridades nos anos 50-60 e pela fama de serem mal assombrados.

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A cidade tem opções gastronômicas variadas, que vão das usuais redes de restaurantes norte-americanas à cozinha tailandesa.

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Experimentei o Criollo Latin Kitchen, cujo menu é composto por uma mistura de elementos das cozinhas latino-americanas. Lá é possível comer desde feijoada à huevos rancheros. Bomba no happy hour e os drinks são muito elogiados.

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Aliás, bons drinks é o que não falta na cidade. Como cidade universitária, desnecessário dizer que Flagstaff tem vários bares e pubs, além de muitas cervejarias locais. É tipo o paraíso cervejeiro.

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Fui à Lumberyard Brewing Company, que é um daqueles típicos bares/restaurantes americanos em que você pode ver esportes, beber cerveja e comer hamburger. A comida era OK, mas a variedade de cervejas da casa é realmente incrível.

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O centro da cidade é bem pequeno, então o meu curto tempo livre à noite após os passeios foi suficiente para flanar pelas ruas e visitar as lojinhas.

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Confesso que achei a cidade meio parada à noite para o que eu imaginava de uma cidade universitária, mas desfiz essa impressão à medida que o fim de semana foi se aproximando.

Sem dúvida, a coisa mais legal que eu fiz na cidade foi participar da ArtWalk, evento que acontece em toda primeira sexta-feira do mês, quando as galerias de arte e artesanato da cidade abrem suas portas com exposições, comes e bebes e até música ao vivo.

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As ruas ficam cheias de gente, pessoas se cumprimentam nas calçadas, conversam nas galerias. Foi um evento que me provocou ao mesmo tempo solidão – por ser uma desconhecida no meio de uma comunidade – e acolhimento, por ter sido tão prontamente incluída nas conversas.  A impressão é a de que basta uma simples interação para dar início a uma longa conversa 🙂

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Arizona – dia 3: Monument Valley

O terceiro dia de viagem pelo Arizona foi o dia de conhecer o Monument Valley, as famosas formações rochosas que foram cenário para vários filmes norte-americanos.

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O Monument Valley está localizado nas terras da Nação Navajo, no norte do Arizona, alcançando também uma parte do Estado de Utah.

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Não foi fácil achar uma empresa que oferecesse esse passeio, já que de Flagstaff até o Monument Valley são quase 2h30 de viagem. A única que eu encontrei foi a Red Stone Tours, cujo guia era bem menos legal que a Marcia (e cheio de piadas conservadoras e machistas), mas deu tudo certo com o passeio em si e vocês vão ver pelas fotos que valeu a pena, apesar de tudo.

A viagem é feita pela Route 89 e é possível observar a mesma transição de paisagem e temperatura que ocorre no caminho para o Grand Canyon, de coníferas para o deserto. Cerca de 1h depois, chega-se a cidade(zinha) de Cameron, já dentro da Nação Navajo. Fizemos uma primeira parada no Cameron Trading Post, um dos locais mais famosos para comprar artesanato Navajo, além de também possuir hospedagem, toaletes e lanchonete.

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Para além da paisagem desértica, em Cameron, eu já passei a me sentir em outro país e cercado de outro povo. O que, na verdade, faz sentido já que dentro das nações dos povos originários são as regras deles que prevalecem.

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Afora as estradas e alguns equipamentos estatais, cuja construção e manutenção cabem ao Estado, as regras acerca decomo proceder no território Navajo são definidas por eles, o que significa que você precisa pedir permissão para fazer certas coisas, como realizar trilhas, acampar, etc.

As cidades que eu passei eram pequenas, apenas um aglomerado de casas simples com equipamentos estatais, como escolas e postos de saúde, além de lojas de artesanatos e restaurantes. O guia nos explicou que, na concepção dos Navajo, não faz bem viver em grandes aglomerados, por isso as cidades são, em geral, pequenas.

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No território Navajo, há todo o tipo de “modernidade”: hotéis, redes de fast food e até wi fi nos lugares mais impensados. Mas o nível de interação do povo com essas modernidades varia bastante. Se, por um lado, algumas pessoas estão quase totalmente integradas às rotinas e elementos das demais cidades norte-americanas (sobretudo aquelas pessoas que trabalham com turismo), por outro lado, algumas comunidades vivem completamente isoladas no deserto.

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O artesanato é lindo e colorido. Ainda que não vá comprar nada,  as lojas e os trading posts valem uma rápida visita para poder apreciar os vários padrões de tapeçaria e vasos, além de ter contato com o povo Navajo.

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De Cameron, seguimos até Tuba City e, de lá, até Kayenta, onde já é possível visualizar as formações que caracterizam o Monument Valley.

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De Kayenta fomos até o Goulding Lodge, um hotel que fica no meio do vale e tem uma vista incrível. Eu já decidi que tenho que voltar ao Monument Valley só pra ficar uma noite nesse hotel e ver o nascer e o pôr do sol com essa vista.

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De lá, a van saiu da estrada principal e começamos o passeio pelo meio do vale em estradas de terra, parando nos pontos principais. Como toda louca dos gatos, é claro que eu acabei achando um no meio do deserto, né? Para quem não é de gato, mas gosta de cães, já adianto que também é possível encontrar alguns.

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Depois voltamos para Kayenta para almoçar. Experimentei um taco navajo, feito em um pão típico deles, com chilli, salada e queiro. Gostaria de ter o registro, mas a fome estava literalmente monumental, então nem lembrei da foto.

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Em Kayenta, existe uma réplica dos cenários dos filmes de faroeste que foram rodados na região.

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Além de um pequeno museu dedicado a esses filmes…

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De lá, seguimos de volta à Flagstaff. A única coisa que eu senti falta no passeio foi de ter tido mais contato com as pessoas que moram lá. Infelizmente, o contato acaba sendo meramente comercial, já que são eles que operam a infraestrutura de turismo e não senti muita margem para esticar o assunto e conversar mais sobre a sua história e tradições.

Lendo um pouco mais sobre a região, concluí que essa barreira tem forte relação com o passado de opressão e exploração vivido pelos povos originários e, principalmente, pelo recorrente assédio sofrido por eles em um passado não tão distante por parte de historiadores, antropólogos, jornalistas e turistas. Inclusive, alguns povos atualmente se recusam a serem fotografados.

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Apesar disso, posso dizer que sem dúvida essee foi dos passeios mais interessantes que eu já fiz, o lugar realmente tem uma energia muito especial e vale a visita 🙂

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Arizona – dia 4: Horseshoe Bend e Antelope Canyon

O quarto e último dia no Arizona foi destinado a conhecer o Antelope Canyon e o Horseshoe Bend.

Fiz o passeio com a Adventure Southwest, a mesma empresa e a mesma guia que havia me levado ao Grand Canyon.

Por ser baixa temporada, todos os passeios que fiz estavam bem vazios, em geral apenas mais 2 pessoas além de mim. E, esse não foi diferente, havia apenas um jornalista indiano e sua amiga, que estavam fazendo uma matéria sobre o Antelope Canyon.  Foi super interessante conhecê-los e, de quebra, convencemos a guia a fazer umas paradas estratégicas para fotografar.

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Fizemos um caminho parecido ao do dia anterior rumo à Nação Navajo, passando por Cameron e Page, para chegar ao Horseshoe Bend, que é uma imensa curva em forma de ferradura executada pelo curso do rio Colorado a poucos quilômetros da cidade de Page no Arizona.

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Do estacionamento até a vista do Horseshoe Bend, é preciso fazer uma caminhada curta, algo em torno de 1km. Era inverno e ainda assim estava quente (e seco), então imagino que no verão esse 1 km deve parecer um pouco mais longo.

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Mas não se preocupe, as rochas esculpidas junto com a paisagem desértica são uma grande distração para essa caminhada.

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Eu confesso que estava muito ansiosa pela vista do Horseshoe Bend e ele é realmente incrível.

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Porém, uma coisa que me chamou a atenção é que, ao menos nesse dia, não havia muita supervisão na área e não há qualquer tipo de cordão de isolamento, então é importante vigiar as crianças e pessoas desastradas.

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Eu, pessoa desastrada, sobrevivi, muito provavelmente porque viajando sozinha tendo a conter o lado desastrado da minha personalidade. Na verdade, pelas fotos, eu até cheguei a pensar que a vista daria um pouco de vertigem por se assemelhar a um penhasco, mas não senti desconforto em andar pelas bordas das pedras.

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Em seguida, fomos em direção ao Lake Powell e a área de recreação do Glen Canyon. Lá, fizemos um piquenique improvisado aproveitando a vista da ponte da barragem do Glen Canyon.

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De lá, seguimos para o Antelope Canyon. Na verdade, existem dois cânions, o Lower e o Upper Antelope Canyon. O Upper é o mais visitado, principalmente em razão do seu fácil acesso, uma vez que a sua entrada está na altura do chão. Já para acessar o Lower Antelope Canyon é preciso descer um rol de escadas, sendo que antes o acesso requeria escalada.

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No meu passeio estava incluso apenas o tour pelo Lower Antelope Canyon, mas acho que, para quem vai por conta própria, vale a pena visitar os dois, já que são próximos.

O tour pelo interior do Canyon é operado pelos Navajos. No meu caso, o ingresso de entrada e o agendamento já haviam sido providenciados pela agência de turismo, mas no caso de ir por conta própria é possível agendar um tour em alguma agência em Page ou diretamente na Dixie Ellis Lower Antelope Canyon Tour.

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O Antelope Canyon é certamente o lugar mais fotogênico em que eu já estive. Pra ser sincera, nem estava dando tanta bola para ele, até chegar lá e deparar com as inúmeras cores e formatos que as rochas esculpidas por água e vento podem assumir a depender da luz.

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Do estacionamento até a descida do cânion, é preciso apenas uma pequena caminhada. A parte mais sensível mesmo são as escadas para descida até o seu interior.

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O nosso grupo era praticamente os BRICS: uma brasileira (eu!),  quatro indianos e um chinês. A guia conduziu a caminhada no interior do cânion e nos contou sobre a sua formação e também algumas curiosidades do local.

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O único defeito do passeio é que ele acaba sendo um pouco corrido, já que os guias controlam o tempo para evitar que os vários grupos se aglomerem entre as paredes estreitas do cânion. E, quanto a isso não tem muito o que fazer, indo por conta própria ou por agência, os passeios são necessariamente feitos em grupo e conduzidos por um guia.

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E isso tem uma explicação. Em agosto 1997, 11 turistas morreram porque a água das chuvas de verão invadiram abruptamente o interior do cânion. Desde então, foram tomadas várias medidas de segurança, entre elas, a obrigatoriedade do guia.

No tour tradicional é proibido utilizar tripé fotográfico, o que faz bastante sentido já que o espaço é estreito e passeio é bastante rápido. Mas isso não impede que você tire ótimas fotos, os guias navajos dão os exatos parâmetros da câmera para bater uma boa foto (e até o melhor filtro da câmera do iphone), além de mostrar os melhores ângulos das paredes do cânion. Ou seja, o mérito das fotos é todo da natureza e dos guias Navajo.

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Para aqueles interessados em um tour ainda mais especializado em fotografia, é possível fazer um tour fotográfico em um grupo menor e com guia especializado, com duração média de 2h.

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Arizona dia 2: Grand Canyon

Para o segundo dia da viagem pelo norte do Arizona, eu programei a visita ao Grand Canyon.

O Grand Canyon pode ser apreciado sob vários ângulos. Quem vai por Las Vegas, em Nevada, costuma visitar a borda oeste, que fica dentro da reserva da nação Hualapai e, portanto, fora do parque nacional (ainda que dentro do território do Arizona).

A borda norte fica dentro do Parque Nacional, mas tem menos infraestrutura e fica mais distante das cidades (a 200km de Page). Tem altitude mais elevada e, portanto, invernos mais rigorosos e ar mais rarefeito – o que faz com que o seu acesso seja restrito aos meses de maio à outubro.

A vista mais icônica do Grand Canyon é acessível pela borda sul, que fica dentro do Parque Nacional e próxima das cidades de Williams e Flagstaff, e fica aberta o ano todo.

E foi para visitá-la que eu me hospedei em Flagstaff, uma cidade universitária aos pés do Monte Humphrey, recortada pela histórica Rota 66.

Por estar dentro do Parque Nacional, as atividades na borda sul possuem várias restrições. Não é possível, por exemplo, descer de helicóptero no meio das rochas, como é o caso dos passeios da borda oeste vindos de Vegas.

Por outro lado, o parque conta com uma infraestrutura excelente, sendo possível inclusive se hospedar dentro dele, realizar caminhadas entre os mirantes, trilhas no interior do cânion e travessias de barco (obedecidas as regulamentações do parque, obviamente).

O Parque Nacional do Grand Canyon dispõe de 12 mirantes, que podem ser percorridos a pé ou usando o serviço de ônibus gratuito do próprio parque.

Como o tempo no inverno é uma caixinha de surpresas, podendo inclusive nevar, eu decidi não reservar nenhum passeio com trilha. Queria mesmo um passeio que compreendesse o horário do pôr do sol (#aloucadopordosol) mas não consegui encaixar os dias disponíveis com as outras atrações, então foi sem pôr do sol mesmo.

Fiz o passeio com a Adventure Southwest e adorei o serviço, principalmente a guia, a Márcia, uma californiana que mora em Flagstaff há vários anos e nos contou várias histórias da região e da sua experiência nos parques nacionais norte-americanos. Deu ainda mais vontade de conhecer todos os parques.

Leva-se cerca de 1h30 de Flagstaff até o Grand Canyon e a transformação da paisagem ao longo do caminho é incrível. Como Flagstaff fica a 7000 pés do mar, a vegetação é mais densa e composta por coníferas, como ainda era inverno, as árvores estavam bem sequinhas e era possível ver um pouco de neve nos pastos.

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À medida que se aproxima do Grand Canyon, vai-se perdendo altitude e a vegetação fica cada vez mais esparsa e a terra mais avermelhada, com cara de deserto mesmo (muito parecido com o nosso Cerrado). Com queda de altitude, as temperaturas sobem também, o que é um alívio no inverno (e um pesadelo no verão, imagino eu).

O tour para em vários dos mirantes do Grand Canyon. A grande vantagem de ir na baixa temporada é que eles estavam praticamente vazios, então tive bastante tranquilidade para aproveitar o meu tempo em cada um deles e bater 1546 fotos sem a presença do elemento humano.

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A primeira visão do Grand Canyon é inesquecível, acho que as fotos não dão conta da imensidão do lugar. Pra mim, é como se fosse o mar, não tem fim no horizonte.

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A grandeza do solo esculpido pela erosão é tamanha que o Rio Colorado parece um mero filete de água percorrendo todo aquele solo recortado.

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Em uma das paradas, é possível subir em uma torre que oferece uma vista um pouco mais ampla do cânion, o que torna as suas dimensões ainda mais impressionantes.

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A quantidade de tons terrosos também é incrível de se observar.

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Se você tiver sorte, ainda pode encontrar com alguns moradores do parque.

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O parque tem uma ótima infraestrutura, com banheiro, lanchonetes, estacionamento, hospedagem e, é claro, lojinhas de souvenir.  Aliás, uma coisa que nunca falta nos EUA é a lojinha de souvenir. Lá você pode registrar gratuitamente a sua presença no Grand Canyon com um carimbo no seu passaporte.

Um dos hotéis situados no interior do Parque é o El Tovar,  construído antes mesmo do Grand Canyon se tornar um parque nacional em 1919. O hotel, cuja arquitetura combina influências vitorianas com um estilo naturalista rústico, foi construído para abrigar os ricos viajantes que vinham de trem visitar o Grand Canyon no início do século passado. Atualmente, o El Tovar é um patrimônio histórico nacional.

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Outro patrimônio histórico nacional situado no interior do Parque é a Hopi House, inaugurada simultaneamente com o El Tovar em 1905. A  Hopi House foi projetada pela arquiteta Mary Colter, grande admiradora da arquitetura dos povos nativos norte-americanos. A construção foi totalmente inspirada nas casas do povo Hopi. Hoje, a Hopi House é uma loja de artesanato dos povos nativos.

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Para finalizar o passeio, fizemos um picnic no final do dia aproveitando a paissagem privilegiada do Grand Canyon e, em seguida, retornamos à Flagstaff.

 

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Arizona dia 1: Sedona

A minha viagem pelo Arizona começou por Sedona, uma cidadezinha que fica ao norte de Phoenix, capital do Estado. Quando comecei a montar o roteiro, percebi que havia uma “disputa” entre Sedona e Flagstaff, algumas pessoas diziam que valia muito a pena montar a base da viagem em Sedona. Já outras  diziam que Sedona era  uma cidade artificial e voltada para um turismo mais luxuoso, ao passo que Flagstaff seria mais histórica e, ao mesmo tempo jovial em razão da Northern Arizona University.


De toda essa discussão, ao menos uma coisa é fato. Em razão da altitude, no inverno Sedona tem temperaturas bem mais agradáveis que Flagstaff e, no verão, ocorre o contrário, Sedona é muito mais quente do que Flagstaff (no Arizona, “mais quente”, leia-se, “muito quente”).

Acabei optando por ficar apenas um dia em Sedona e montar a minha base em Flagstaff. A minha escolha foi motivada por razões práticas: a hospedagem em Sedona era bem mais cara e, ao mesmo tempo, Flagstaff ficava mais próxima dos lugares que eu queria visitar.

Depois de 3 voos e quase 24h de viagem, cheguei ao aeroporto de Phoenix e, de lá, peguei um traslado para Sedona. No site da Arizona Shuttle é possível consultar os horários, preços e fazer a reserva (é possível contratar o serviço na hora também).

Sedona é conhecida pelas red rocks – as formações rochosas avermelhadas. Quando cheguei já era noite, então só consegui reconhecê-las pelos vultos, mas sabia que pela manhã iria acordar cercada por elas. O hotel tinha varanda legal, então é claro que aproveitei para ver no nascer do sol (um ato de heroísmo, considerando as 4 horas de fuso).

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Sedona é pequena, tem apenas cerca de 10 mil habitantes. Apesar de ter sido fundada em 1902, o boom turístico da cidade somente ocorreu em meados dos anos 1980, em função das publicações da física Page Bryant, que caracterizou a cidade como um lugar místico – o chakra central do nosso planeta. A autora também apontou que Sedona possuia um conjunto de vórtices que trariam fontes benefícias de energia.

Atualmente, Sedona é totalmente voltada para o turismo, cheia de hotéis, resorts, lojas e restaurantes. Em função do seu caráter místico, também é possível encontrar cristais à venda, fazer terapias alternativas, aulas de yoga e passeios aos vórtices.

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Muito antes de ser conhecida pelos vórtices de energia, Sedona foi cenário para vários filmes de velho oeste de Hollywood. Para se ter uma ideia, entre 1920 e 1960, mais de vinte filmes foram rodados na região (veja a lista completa aqui).

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A cidade tem regras estritas para os padrões arquitetônicos, que fazem com que as construções se harmonizam com a paisagem rochosa que a circunda. Eu achei bonitinho, mas acredito que essa padronização seja um dos motivos pelos quais a cidade é considerada artificial por algumas pessoas.

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Uma grande desvantagem para quem não está de carro é que, apesar de pequena, a cidade possui duas áreas bem afastadas, o centro e a parte oeste, e o caminho entre essas duas partes não é propriamente caminhável (mas tem ônibus). Já antevendo esse problema, eu me hospedei no centro, perto das agências de turismo e restaurantes.

Como só iria passar um dia, decidi pegar o ônibus turístico para ver o resto da cidade. A passagem pela cidade foi rápida e sem paradas, a parte mais interessante foram as paradas na região as formações rochosas, mas para quem vai fazer um passeio de jipe ou trilha, o roteiro do ônibus acaba sendo redundante, então não recomendo. IMG_6461

Após o passeio, almocei no 89 Agave, um restaurante mexicano bem descolado com várias opções de drinks e cervejas locais.  Foi a minha refeição pseudo saudável de começo de férias, quando você ainda acredita que vai manter a linha.

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Para a tarde, eu havia programado fazer um passeio pelas red rocks. Existe uma série de passeios de jipe pelas formações rochosas da região, com ou sem trilha, com ou sem  emoção. Várias agências oferecem esses serviços, em geral os passeios duram 1-2 horas e existem vários horários disponíveis. Não reservei antes porque era baixa temporada, mas em outras épocas a reserva é recomendável.

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A maioria dos passeios é feita de jipe para que se possa contornar os obstáculos das pedras e ter acessos aos mirantes sem nenhum esforço, então o passeio é tranquilo de ser feito por pessoas de qualquer idade ou condição física. A única ressalva é que balança MUITO, então não é recomendado para grávidas.

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Eu escolhi fazer o passeio pelo Broken Arrow com a Pink Jeep Tours. A princípio tinha achado meio brega o esquema do jipe rosa, me lembrava aqueles carros rosas das vendedoras de Mary Kay. Mas como era a mais famosa, mais antiga (opera desde 1960!), etc, achei que seria bom primar pela tradição, já que sair zanzando de jipe sempre envolve algum risco.

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Mal sabia eu que havia uma história por trás dos jipes rosas, o guia nos contou que originalmente a empresa se chamava Don Pratt Adventures e que, após uma viagem para o Havaí, o então dono mudou o nome da empresa para Pink Jeep Tours em referência ao Royal Hawaiian Hotel, conhecido como Pink Palace of the Pacific.

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O passeio durou cerca de 2h, com várias paradas para explicação e observação. As paisagens são realmente estonteantes, como vocês podem ver pelas fotos.

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E a melhor parte: o jipe faz tudo por você e você ainda pode sair espalhando por aí que andou 10km para chegar nesse mirante e posar de super-aventureiro-hiker-experiente #liveoutdoors

Brincadeiras à parte, a minha conclusão foi que valeu a pena passar em Sedona ao menos  um dia e fazer o passeio de jipe pelas red rocks. Ainda que geograficamente próxima das outras atrações que visitei, as formações rochosas dessa região são únicas e não se sobrepõem a outras atrações do norte do Arizona. É claro que com mais dias, é possível aproveitar para fazer várias trilhas pela região, que é um verdadeiro paraíso para quem gosta desse tipo de atividade.

Para não perder o costume, aproveitei para curtir o pôr do sol antes de ir para Flagstaff. E ele não decepcionou.

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Arizona: quente e colorido

Eu não sei se vocês são assim, mas eu geralmente começo a planejar uma viagem para um lugar, vou lendo e pesquisando e, de repente, vou parar em outro (foco, não temos).

Foi assim que eu fui parar no Arizona, estado localizado no sudoeste americano.

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Comprei passagens em uma promoção da Copa Airlines para Los Angeles planejando fazer um roteiro pela Califórnia. Porém, depois de algumas leituras, cheguei à conclusão de que 1) precisaria alugar um carro; 2) talvez o inverno chuvoso da California não seria a melhor época para fazer a viagem;  4) 10 dias seria pouco tempo.

Mas eu já  estava sonhando com São Francisco a essa altura, e não estava disposta a deixar para um um futuro incerto. Foi então que decidi que iria passar 4 dias em São Francisco e iria visitar alguns parques e atrações naturais “próximos”. O problema é a melhor cidade para visitar lugares como o Grand Canyon e o Death Valley de bate e volta seria Las Vegas.

E eu achei que seria um tanto bizarro ir para Las Vegas com o objetivo de, na verdade, passar o dia fazendo trilhas na natureza.

Muitas pesquisas depois, eu cheguei à conclusão de que se eu queria ir para o Grand Canyon, eu deveria ir para o estado que o abriga, o Arizona.

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Para isso, eu tive que abdicar do Death Valley, mas em compensação surgiu um leque de atrações que eu sequer havia considerado antes por ser muito longe, como o Monument Valley e o Antelope Canyon.

O Estado do Grand Canyon – como é conhecido o Arizona – é marcado por uma miscelânea de culturas, que dão um caráter único ao Estado. Em sua porção norte, estão as populações remanescentes dos povos nativos como os Navajo, Hopi, Hualapai, Apaches, Havasupai. Apesar de constituírem apenas cerca de 5% da população do Estado, o território dos povos nativo, espalhado em 23 reservas, cobre cerca de 27% do territorio do Arizona.

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 É inegável também a presença cultural da colonização espanhola, presente sobretudo no sul do Estado, onde foram estabelecidas as missões pelos padres espanhóis. Por conta de sua proximidade geográfica e histórica com o México, o Estado conta também com presença massiva de população mexicana. Estima-se que 30% da população atualmente seja de origem hispânica ou latina.

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Mas não podemos esquecer que os espanhóis não foram os únicos colonizadores dessa região, a população de origem anglo-saxã também migrou para o Estado, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, constituindo atualmente cerca de metade da população do Arizona.

O Estado é bastante conhecido pelos filmes western rodados na região em meados dos anos 1930. E não foram apenas filmes antigos. Você pode até nunca ter ouvido falar no Arizona antes, mas certamente já viu alguma das suas paisagens como cenário de filmes, como é o caso de “Telma e Louise”, “De volta para o futuro 2” e “Forest Gump”.

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Em termos territoriais, o Arizona é o 6º maior Estado norte-americano. Apesar de genericamente parecer um grande deserto – quente e seco – o Estado tem uma topografia bem variada, com diferentes climas e vegetações, que vão desde os cactos do deserto de Sonora na fronteira com o México às montanhas nevadas no norte do Estado.

De toda essa vastidão, eu conheci apenas uma pequena parte – a porção norte do Estado. A base da minha viagem foi Flagstaff, uma cidade universitária cortada pela histórica Rota 66, que fica a cerca de 100 km do Grand Canyon.

Então o meu roteiro ficou assim:

Dia 1 – Sedona e Red Rocks

Dia 2 – Grand Canyon

Dia 3 – Monument Valley

Dia 4 – Horseshoe Bend e Antelope Canyon

Quando ir

De forma geral, o Arizona é quente e seco, tanto é que muitas pessoas vêm de outras partes dos EUA para aproveitar um calorzinho em pleno inverno. Então, as estações mais amenas como o outono e a primavera são as mais recomendadas. No verão, o calor e a baixa umidade podem dificultar bastante as trilhas e passeios, ao passo que no inverno pode nevar bastante nas regiões mais altas, como é o caso de Flagstaff. Eu fui no final do inverno e dei sorte de pegar temperaturas agradáveis, na casa de 15 graus e nada de neve.

Como chegar

Várias cidades norte-americanas tem voos regulares para a capital Phoenix, sendo possível alugar um carro ou contratar um transfer no aeroporto para as outras cidades. Para quem vai visitar o Grand Canyon é possível voar diretamente para Flagstaff pela American Airlines (com conexão em Phoenix). Além disso, é possível achar linhas de ônibus da Greyhound e outras companhias para Phoenix e Flagstaff, sendo que esta última ainda conta com uma estação de trem da Amtrak.

Mais informações

Escritório de Turismo do Arizona

Escritório de Turismo de Sedona

Turismo em Flagstaff

Grand Canyon National Park 

Uncategorized, Viagens

Um roteiro sobre Direitos Humanos em Santiago

É difícil visitar o Chile e não deparar com a memória social da ditadura militar que teve início em 1973 no país, a começar pelo Palácio La Moneda, sede da Presidência da República do Chile e um dos principais pontos turísticos de Santiago, que foi alvo de bombardeio em 11 de setembro de 1973, liderado pelo então comandante do Exército chileno, Augusto Pinochet. Era, então, deposto o presidente Salvador Allende, Fundador do Partido Socialista do Chile,  que governara o país de 1970 até 1973.

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O Palácio La Moneda fica na Plaza de la Ciudadania, bem no centro de Santiago e acessível pela estação do metrô “La Moneda”. Além de apreciar sua fachada externa, é possível fazer tour guiado pelo interior do Palácio. Eu não cheguei a fazer esse tour, mas no Meus Roteiros de Viagem tem um relato bem detalhado de como realizar esse passeio.

No subsolo da Plaza de la Ciudadania, fica o Centro Cultural Palacio La Moneda, que abriga exposições temporárias e permanentes, além de possuir uma sala para exibição de filmes e um café.

Tal como no Brasil, os anos de ditadura militar chilena foram marcados pela ruptura com o sistema democrático, a dissolução do Congresso Nacional, a suspensão dos partidos políticos, a restrição dos direitos civis e políticos, como a liberdade de expressão e de reunião e, principalmente, pela violação dos direitos humanos.

Tendo como base a ideologia da doutrina da segurança nacional, colocou-se em prática uma política repressiva com o objetivo de sufocar toda potencial ameaça à ordem estabelecida, por meio de prisões, torturas, assassinatos e exílio. Essas ações afetaram milhares de chilenos, entre políticos de esquerda, dirigentes sindicais e simpatizantes do governo Allende.

Além da polícia e das forças armadas, foram criados órgãos específicos para essas finalidades, como a Direção de Inteligência Nacional e a Central Nacional de Informações.

Nas últimas décadas, o Chile conduziu várias investigações sobre as violações de direitos humanos realizadas durante o período da ditadura militar. O relatório da Comissão Valech – a comissão da verdade mais recente conduzida no país, reconhece um total de mais de 40 mil vítimas da ditadura chilena.

A melhor forma de conhecer melhor essa história é visitar o Museu da Memória e dos Direitos Humanos em Santiago. Ele explica, de forma bastante didática e interativa, como se deram as sistemáticas práticas de violação de Direitos Humanos durante a ditadura chilena, além de prestar uma homenagem às vítimas e  a suas famílias. Certamente foi uma das atrações que eu mais gostei na cidade, de todos os países que eu já visitei na América do Sul, não tenho conhecimento de nenhum outro que tenha feito um trabalho tão primoroso de reconstrução e exposição dos horrores dos anos de autocracia. Já adianto que o Museu é grande e com muita informação, então, para valer a pena, reserve umas 3 horas para visitar tudo com calma.

Apesar de um pouco distante do centro, o museu é facilmente acessado pela estação do metrô “Quinta Normal”, ao lado de parque de mesmo nome, que também vale a visita.

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Por acaso, outro lugar que encontramos por acaso um pouco da memória social da ditadura chilena em Santiago foi no bairro Brasil, que originalmente havíamos decidido visitar em razão dos resquícios da arquitetura do início do século passado.

No início do século XX, o bairro Brasil era um bairro de luxo, mas a partir da década de 1940 os moradores ricos começaram a migrar para outros bairros mais valorizados e o bairro Brasil caiu em esquecimento. Em razão disso, a região acabou escapando da exploração imobiliária, o que fez com que muitas das belas mansões em estilo gótico e neoclássico, quase todas do início do século XX, sobrevivam até hoje, ainda que desgastadas pelo tempo. Além disso, a presença de universidades próximas ao bairro propiciou uma vida cultural e artistica intensa na região.

O bairro fica um pouco afastado do centro, mas para quem gosta de caminhar é tranquilo chegar até lá andando (e barato chegar até lá de taxi). O melhor lugar para começar a flanar pelo bairro é a Plaza Brasil, que aos finais de semana tem uma atmosfera bem agradável, com uma feirinha de livros antigos e artesanato, pessoas descansando na grama, gente tocando vilão e crianças brincando.

Foi lá que tivemos a grata surpresa de encontrar entre as barraquinhas da feira uma associação chamada FUNA, que em Espanhol significa algo como “esculacho”. O lema da associação é “Si no hay justicia, hay funa“, o que quer dizer que ” Se não há justiça, há constrangimento público”. Conversamos bastante com um dos líderes do movimento, que nos explicou que o trabalho deles consiste em identificar pessoas que atuaram na violação de direitos humanos na ditadura militar chilena, foram condenados, mas permanecem sem punição até hoje. A partir dessa identificação, a associação divulga a história da pessoa, junto com endereço e foto, e organiza atos de constrangimento público em frente à casa da pessoa condenada, cujo passado na maioria dos casos permanecia desconhecido para a maioria da sociedade.

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A Plaza Brasil também é rodeada por cafés e livrarias vinculadas à esquerda chilena. Experimentamos o Crónica Digital, que tinha cafés e tortas maravilhosas.

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Depois do café, seguimos pela Avenida Brasil, a rua principal do bairro, que é cheia de bares, cafés e restaurantes e parece ser o point da noite.

avenida brasil

E, de lá, fomos explorando as ruas menores, que são cheias de casarões antigos.

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E arte de rua….

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E mais arte de rua.

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Bom, esse é certamente um relato restrito de um universo muito mais amplo de atividades e passeios relacionados aos direitos humanos em Santiago, mas espero ter dado minha contribuição aos apreciadores do tema 😉

Comer bem, Roteiros, Viagens

Comer bem em Santiago

O mundo tem lugares o suficiente para você ser um pouco de tudo.

E Santiago foi o lugar que escolhi para ser repetitiva.

Quando chegamos na cidade pela primeira vez, em 2014, depois de 12 dias perambulando pelo Uruguai e Argentina, decidi que queria pela primeira vez naquela viagem comer algo fácil, que nao tivesse que olhar o tripadvisor, os comentários, o endereço e bláblá… eu queria um Mc Donalds.

Mas por ironia, nao achamos um Mc Donalds espontaneamente (e, se fosse pra pesquisar, perderia todo o propósito).

Mas achamos um restaurante peruano. E adoramos comida peruana. Adoramos talvez seja pouco. Somos obcecados por comida peruana, todas aquelas mil batatas, cebolas, lomos e pisco. O local tinha um ar meio sujinho que fez o meu lado hiponcondriaco pensar por uns instante algo do tipo “ai-Deus-se-eu-pegar-salmonella”, mas estava tão lotado que não podia ser ruim.

Fomos uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Conclusão, eu duas viagens ao Chile almoçamos lá todos os dias.

E, se você me perguntar o que tem demais, eu vou dizer que não tem nada de demais, apenas uma comida peruana muito boa com preços excelentes (ainda que a fama tenha levado a um aumento nos preços nos últimos anos).

Tesoros

E digo mais, só nao jantamos lá todos os dias porque descobri um outro vício, o bairro Lastarria, que na verdade é um conjunto de ruas com muitas opções de restaurantes, bares e lojinhas, bem próximo ao centro de Santiago.

Uma boa opção para curtir essa região é começar com um passeio pelo Cerro Santa Lucía no fim da tarde, de onde é possível ter uma visão panorâmica do centro da cidade, com a cordilheira ao fundo.

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Depois, dar umas voltas no Parque Florestal, que é um parque pequeninho, mas com uma atmosfera muito gostosa, chão de areia, vários banquinhos para descansar, além de um parquinho para crianças

parque florestal

Tomar um sorvete na Heladeria Emporio La Rosa, que tem mais de 24 sabores, entre eles os inusitados laranja com gengibre e chá verde com manga, além dos locais como chirimoya e lúcuma.

La Rosa

Desfrutar do sorvete enquanto passeia pela feirinha de rua (de quinta à domingo) e pelas lojas descoladas da região. Uma das lojas que chamou a minha atenção foi a La Tienda Nacional, loja especializada em artigos da industria cultural chilena, com várias opções de livros, CDs, desenhos e souvenirs.

Lastarria

E, por fim, não deixe de jantar ou comer uns petiscos por lá. A região conta com opções da culinária patagônica, como o Sur Patagonico, lugares para degustar vinhos como o Bocanaríz, para encher a cara de Pisco, como o Chipre Libre 0 República Independiente del Pisco e muito mais.

Cultivando a minha falta de originalidade, acabamos indo ao Tambo. Para dizer que inovei um pouquinho, em vez de pedir o Lomo Saltado (prato típico peruano), optamos pelo risoto de lomo saltado, que estava muito bom. Pedi tambem o suspiro a la limeña, uma sobremesa bem comum no Peru.

Tambo

Roteiros, Viagens

Sul da Patagônia Chilena: Punta Arenas

Depois dos dias no Parque Torres del Paine, voltamos à Punta Arenas para passar dois dias e, em seguida, retornar à Santiago.

Como iríamos devolver o carro que havíamos alugado para ir ao Parque, decidimos nos hospedar no centro da cidade para facilitar a locomoção. Como passaríamos os dias 24 e 25 de dezembro, não tínhamos a pretensão de fazer nada além de descansar e bater perna pela cidade. Em outras datas, além de passear pelos pontos turísticos da cidade, é possível realizar passeios ao Forte Bulnes e pegar um barco até a a Isla Magdalena e Isla Marta para ver os pinguins.

Apesar de ser uma das maiores cidades da região, Punta Arenas é uma cidade relativamente pequena, com cerca de 150 mil habitantes.

Foi fundada em 1848 e abrigou o principal porto de navegação entre os oceanos Pacífico e Atlântico, em razão da sua localização geográfica muito próxima do Estreito de Magalhães, até a fundação do Canal do Panamá em 1914.

Além de suas raízes indígenas e hispânicas, a cidade teve forte imigração croata até a década de 1920 e essa influência é notável nos nomes das ruas, lojas e nos sobrenomes.

Nos hospedamos no Hotel José Nogueira, que fica em um prédio centenário – a casa de José Nogueira e sua esposa, Sara Braun –  importantes figuras históricas da região. O prédio é muito bonito e bem conservado e abriga também o Bar Shackleton, um bar com ares de taverna, assim chamado em homenagem ao explorador anglo-irlandês Ernest Henry Shackleton, que foi um dos principais exploradores da Antártida.

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O Hotel fica ao lado da praça Muñoz Gamero, que abriga o monumento à Bernardo O´Higgins (uma das figuras principais da Independência do país), a Catedral da cidade e prédios do governo municipal.

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Essa área da cidade também é bem servida de lojas, bancos, casas de câmbio, agências de viagem locadoras de automóveis e restaurantes. Destaque para a Rua Bernando O´Higgins que concentra a maior parte dos restaurantes da cidade.

No Natal foi um desafio achar um restaurante aberto e que não tivesse preços exorbitantes nesses dias de feriado. Acabamos optando pelo Mesita Grande novamente e não nos arrependemos. Ô lugar bom!

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Para a sobremesa, recomendo o La Chocolatta, uma chocolateria que fica no centro da cidade e oferece várias opções de tortas, bebidas quentes, além de alfajores e chocolates para levar pra casa.

chocolateria

A algumas quadras de distância é possível chegar ao calçadão na beira da “praia”, que garante um ótimo lugar para aproveitar o entardecer (ainda que este aconteça às 23h). No dia do Natal, nem o vento polar a 50 km por hora impediu as crianças de estrearem seus patins e bicletas no calçadão da praia.

entardecer punta arenas

Para quem curte arte de rua, é possível encontrar alguns murais e intervenções na cidade.

street art

Punta Arenas conta também com uma Zona Franca que possui várias lojas de perfumaria, bebidas, eletrônicos, etc. Apesar de afastada do centro, é fácil chegar de ônibus, taxi ou taxi comunitário.