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Cartas

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Querida Milão,

Não me leve a mal, mas eu não sei porque eu decidi te visitar. Ou melhor, eu sei, foi porque eu não queria ir para Roma. Quer dizer, não nessa viagem. Então optei por você por ser a cidade grande mais próxima dos meus outros destinos, a região da Toscana e Veneza.

Comprei a passagem sem saber muita coisa sobre você, além dos clichês: capital da moda, do design e centro financeiro do país.

Então, para além dos pontos turísticos tradicionais, como o Duomo, o Castelo Sforzcesco, o Teatro Alla Scala, Galeria Vittorio Emanuele, etc, comecei a pesquisar um pouco sobre os seus bairros para saber quais lugares seriam interessantes para flanar meio sem rumo e achei Brera e o Navigli.

IMG_0185Detalhes do piso da Galeria Vittorio Emanuele

A primeira vez que eu passei por Brera foi em um dia de semana, achei tão bonitinho, as ruas são estreitas, com alguns becos mais estreitos ainda, lojas de design, artistas comprando tintas, vitrines lindas, floriculturas e frutarias. Mas é ao entardecer que Brera se tornou ainda mais interessante, as ruas estreitas se tornam mais movimentadas, pessoas saindo do trabalho se juntam aos turistas, que se acomodam nas mesas pelas calçadas em busca do aperitivo, o famoso happy hour milanês. Como o tempo estava bom à noite, depois de uma recém saída do inverno, as pessoas pareciam ainda mais empolgadas de poderem sair à rua. Em Brera, fomos ao Obicà Mozzarella Bar, experiência que eu já contei anteriormente, e comemos um docinho na California Bakery. Mas faltou tempo para provar tudo que gostaríamos de ter provado por lá.

IMG_1378 Varandas em Brera

Já o Navigli nós conhecemos em um fim de tarde, fomos caminhando do centro mesmo até chegar aos canais e nos concentramos no Naviglio Grande. As ruas em volta dos canais tem vários restaurantes com mesas ao ar livre e algumas lojinhas. Foi uma ótima escolha ir no final do dia, apesar de estarem com pouca água, os canais ficaram muito bonitos ao entardecer e foi possível observar aquele mesmo movimento de pessoas em direção aos bares e restaurantes.

IMG_0418Naviglio Grande sendo lindo ao entardecer

Enfim, Milão, você me ofereceu uma ótima experiência. Voltaria fácil para assistir uma ópera no Teatro Alla Scala e perambular por outros bairros 😉

Beijos,

Carla

 

Dicas

Os blogs Milão nas Mãos e O Guia de Milão tem dicas bacanas para planejar a sua estada na cidade.

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Querida Itália,

Eu sempre quis te conhecer! Sempre do tipo, desde os cinco anos de idade, quando eu via as competições na Olimpíadas de Barcelona e aquele uniforme azul me cativou e eu decidi torcer por você. Não me pergunte o porquê, acho que foi amor à primeira vista – ou, como você diria, um colpo di fumine.

Mas, à medida que foram surgindo outras oportunidades, e viajar tornou-se algo bem menos longínquo e inalcançável do que me parecia aos 5 anos de idade, te visitar foi perdendo espaço na minha lista de prioridades.

E, para piorar, acho que acabei dando ouvido àqueles comentários recalcados de que você “não era tão bonita assim”, o trânsito é um caos, as pessoas falam alto, no verão faz tanto calor que a sua cabeça pega fogo, tem hordas de turistas orientais, as filas intermináveis nos museus de Florença, Veneza fede e por aí vai…

Confesso que algumas dessas intrigas se revelaram verdadeiras (outras eu não tive a oportunidade de confirmar). Mas, como diz aquela frase da Clarisse Lispector, “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.  Acho que esses “defeitos” junto com as demais características a fazem um país único.

Afinal, viajar não é ir para a terra do nunca, um lugar encantado que não tem nenhum defeito, o nome disso é idealização, viajar é apenas conhecer novos imperfeitos e desfrutar de todas a sua imperfeição, que, afinal, é diferente das agruras do nosso dia a dia. Nada como quando a chuva florentina ou as hordas de adolescentes devastando a paz dos museus são os maiores problemas que você vai enfrentar em um dia.

Uma surpresa positiva foram as pessoas, Itália, não que eu pensasse fosse ser mal recepcionada, mas a atenção e o trato com os turistas foi um aspecto que me agradou muito e superou as minhas expectativas.

Adorei as suas ruas estreitas, mesmo quando elas não tinham saída nem nome, os lençóis dependurados nos varais nas varandas de Veneza, as flores coloridas nas janelas de Burano, achar uma loja de chocolate em cada esquina (afinal, nunca se sabe quando você pode precisar de uma), o cheiro de pizza saindo do forno em San Gimignano… ah, a comida merece um texto à parte, pois essa foi a minha maio surpresa. Mas isso é assunto para a próxima postagem.

Abraços e obrigada por tudo.

Carla