monument cover.jpg1
Viagens, Viajando sozinha

Arizona – dia 3: Monument Valley

O terceiro dia de viagem pelo Arizona foi o dia de conhecer o Monument Valley, as famosas formações rochosas que foram cenário para vários filmes norte-americanos.

IMG_6625

O Monument Valley está localizado nas terras da Nação Navajo, no norte do Arizona, alcançando também uma parte do Estado de Utah.

Processed with VSCOcam with c1 preset

Não foi fácil achar uma empresa que oferecesse esse passeio, já que de Flagstaff até o Monument Valley são quase 2h30 de viagem. A única que eu encontrei foi a Red Stone Tours, cujo guia era bem menos legal que a Marcia (e cheio de piadas conservadoras e machistas), mas deu tudo certo com o passeio em si e vocês vão ver pelas fotos que valeu a pena, apesar de tudo.

A viagem é feita pela Route 89 e é possível observar a mesma transição de paisagem e temperatura que ocorre no caminho para o Grand Canyon, de coníferas para o deserto. Cerca de 1h depois, chega-se a cidade(zinha) de Cameron, já dentro da Nação Navajo. Fizemos uma primeira parada no Cameron Trading Post, um dos locais mais famosos para comprar artesanato Navajo, além de também possuir hospedagem, toaletes e lanchonete.

Processed with VSCOcam with f2 preset

Para além da paisagem desértica, em Cameron, eu já passei a me sentir em outro país e cercado de outro povo. O que, na verdade, faz sentido já que dentro das nações dos povos originários são as regras deles que prevalecem.

IMG_6643

Afora as estradas e alguns equipamentos estatais, cuja construção e manutenção cabem ao Estado, as regras acerca decomo proceder no território Navajo são definidas por eles, o que significa que você precisa pedir permissão para fazer certas coisas, como realizar trilhas, acampar, etc.

As cidades que eu passei eram pequenas, apenas um aglomerado de casas simples com equipamentos estatais, como escolas e postos de saúde, além de lojas de artesanatos e restaurantes. O guia nos explicou que, na concepção dos Navajo, não faz bem viver em grandes aglomerados, por isso as cidades são, em geral, pequenas.

cidade navajo

No território Navajo, há todo o tipo de “modernidade”: hotéis, redes de fast food e até wi fi nos lugares mais impensados. Mas o nível de interação do povo com essas modernidades varia bastante. Se, por um lado, algumas pessoas estão quase totalmente integradas às rotinas e elementos das demais cidades norte-americanas (sobretudo aquelas pessoas que trabalham com turismo), por outro lado, algumas comunidades vivem completamente isoladas no deserto.

IMG_2399

O artesanato é lindo e colorido. Ainda que não vá comprar nada,  as lojas e os trading posts valem uma rápida visita para poder apreciar os vários padrões de tapeçaria e vasos, além de ter contato com o povo Navajo.

artesanato

De Cameron, seguimos até Tuba City e, de lá, até Kayenta, onde já é possível visualizar as formações que caracterizam o Monument Valley.

IMG_6604

De Kayenta fomos até o Goulding Lodge, um hotel que fica no meio do vale e tem uma vista incrível. Eu já decidi que tenho que voltar ao Monument Valley só pra ficar uma noite nesse hotel e ver o nascer e o pôr do sol com essa vista.

IMG_6620

De lá, a van saiu da estrada principal e começamos o passeio pelo meio do vale em estradas de terra, parando nos pontos principais. Como toda louca dos gatos, é claro que eu acabei achando um no meio do deserto, né? Para quem não é de gato, mas gosta de cães, já adianto que também é possível encontrar alguns.

gata

Depois voltamos para Kayenta para almoçar. Experimentei um taco navajo, feito em um pão típico deles, com chilli, salada e queiro. Gostaria de ter o registro, mas a fome estava literalmente monumental, então nem lembrei da foto.

museu goulding

Em Kayenta, existe uma réplica dos cenários dos filmes de faroeste que foram rodados na região.

IMG_2362

Além de um pequeno museu dedicado a esses filmes…

Museu do Cinema

De lá, seguimos de volta à Flagstaff. A única coisa que eu senti falta no passeio foi de ter tido mais contato com as pessoas que moram lá. Infelizmente, o contato acaba sendo meramente comercial, já que são eles que operam a infraestrutura de turismo e não senti muita margem para esticar o assunto e conversar mais sobre a sua história e tradições.

Lendo um pouco mais sobre a região, concluí que essa barreira tem forte relação com o passado de opressão e exploração vivido pelos povos originários e, principalmente, pelo recorrente assédio sofrido por eles em um passado não tão distante por parte de historiadores, antropólogos, jornalistas e turistas. Inclusive, alguns povos atualmente se recusam a serem fotografados.

IMG_6626

Apesar disso, posso dizer que sem dúvida essee foi dos passeios mais interessantes que eu já fiz, o lugar realmente tem uma energia muito especial e vale a visita 🙂

Previous Post Next Post

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply