Comer bem

Onde comer em Moscou

Eu e a comida “eslava” temos um longo caso de amor e ódio.

Sem querer generalizar, mas já generalizando, uso o termo “eslavo” para me referir a alguns pratos clássicos – o borscht, o pierogi ou pelmeni – de países como a Polônia, Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, entre outros.

Durante os meses que vivi na Polônia, tive muita dificuldade para me adaptar aos hábitos alimentares de inverno: muita sopa, muitos embutidos e muita gordura.

Para piorar um pouco, os meus maiores desafetos alimentares são justamente alguns dos ingredientes mais populares da gastronomia polonesa e eslava, de forma geral: beterraba, repolho e natas (smietana ou smetanka – a onipresente nos pratos eslavos).

Dito isso, não é de se estranhar que o meu primeiro ímpeto ao buscar restaurantes em Moscou foi procurar outras experiências gastronômicas, como é o caso da cozinha dos países do Cáucaso, tão comum por lá e tão distante de nós.

O primeiro restaurante que fomos foi o Uzbekistan. É claro que eu não entrei no Uzbekistan sem saber que o estabelecimento era internacional o suficiente para conseguirmos nos comunicar. Mesmo assim, nunca vou me esquecer do choque que foi entrar no restaurante, que mais parecia um palácio opulento, decorado com divãs, espelhos, lustres. Ouro, muito ouro – daqueles lugares que qualquer pessoa desastrada já fica com medo de ter que vender o rim se quebrar alguma coisa. Mal sabia eu que aquela era a apenas a primeira vez que o meu queixo iria cair na Rússia.

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Mas, a essas horas, você deve estar se perguntando: e a comida? O menu do Uzbekistan, por óbvio, contempla a gastronomia usbeque, com pratos a base de arroz pilaf, noodles, muito cordeiro e vegetais. A comparação mais próxima que eu poderia fazer com algo que é bastante comum no Brasil – e correndo um risco enorme de estar dizendo uma enorme besteira – é que os pratos me lembraram “comida árabe” genericamente falando.  Mas o cardápio vai muito além da gastronomia usbeque, tem opções da culinária da Geórgia, do Azerbaijão e até da China. Nós provamos o Pilaf Usbeque, um prato a base de arroz, com cordeiro, cenoura e tomates.

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Outra culinária na minha listinha era a georgiana. Havia lido maravilhas sobre ela e sabia que não ia ser tarefa fácil escolher um restaurante diante da infinidade de opções em Moscou. Depois da experiência com o palacete do dia anterior, buscamos uma opção que fosse mais moderna e jovem.

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Encontrei o Vysota 5642, um restaurante bem descolado e intimista, mas que ao mesmo tempo oferecia a oportunidade de provar os pratos mais conhecidos da gastronomia georgiana.

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Provamos o Shashlik de cordeiro, que é um espeto de cordeiro na brasa (shashlik é a minha palavra favorita em russo e eu não ia perder a oportunidade de “prová-la”) com uma salada de salsinha e outras folhas que usamos como tempero e tomates de Baku, uma variedade de tomates cultivada no Azerbaijão que é simplesmente maravilhosa.

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Depois provamos um tipo de Khachapuri, um pão super macio recheado com queijo georgiano que  nas fotos parece uma pizza ou uma focaccia e tem um gostinho que lembra um pouco o nosso pão de queijo. Nós pedimos o Adjaruli Khachapuri, que tem um formato de losango com um ovo cru encima. A ideia é ir comendo o pão pelas beiradas e molhando no ovo. Um agradecimento ao garçom que nos explicou isso antes que pudéssemos destruir o pão comendo da forma errada.

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Uma dica imperdível para quem vai a Rússia é aproveitar os vinhos da Geórgia, que são muito bons e bem mais em conta do que outros vinhos importados por lá. A cepa mais famosa é a Saperavi, comum nessa região do Cáucaso.

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Agora era chegada a hora da comida russa propriamente dita. Onze em cada dez blogs de viagem vão sugerir o White Rabbit e o Cafe Pushkin como melhores restaurantes para provar a comida russa em Moscou. Sao duas opções bem diferentes entre si, mas igualmente atrativas. Cogitamos ir ao Cafe Pushkin, mas as opiniões contraditórias que li me deixaram receosas de apostar tanto dinheiro em um lugar.

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No final das contas, a experiência mais legal com comida russa que tivemos em Moscou foi no Lapim i Varim, que tem várias filiais em Moscou e um excelente custo-benefício. O Lapim i Varim é especializado em pelmeni e oferece uma variedade de recheios, massas e molhos. O pelmeni é parecido com um ravioli, mas com uma massa bem fina, existem diversos formatos e recheios a depender da região Rússia. Apesar de ser uma franquia e funcionar quase como fast food, o ambiente do Lapim i Varim é bem descolado e jovem.

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Antes de terminar esse post, eu não poderia deixar de falar no Mendeleev Bar,  um bar “secreto”que eu descobri após uma busca no google por “best cocktail bars in Moscow”. Essa história de bar secreto que nunca é secreto me parece um pouco batida, mas tratando de um bar secreto na Rússia a experiência tinha potencial de ser, no mínimo, engraçada.

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O google havia me dito que o Mendeleev ficava dentro de um restaurante asiático. A rua Petrovska estava bem vazia, a maioria dos estabelecimentos fechados, com exceção de um restaurante de noodles. Ao abrir a porta, deparamos com um restaurante asiático como qualquer outro e antes mesmo de pensar em perguntar pelo bar, vimos um segurança ao lado de uma cortina preta: era lá mesmo.

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O Mendeleev fica no subsolo e tem um ambiente meio taverna, com uma decoração que lembra um laboratório secreto e meio macabro, com uma trilha sonora sensacional. O menu não está em inglês (apesar da capa sugerir que sim), mas a atendente foi bem solícita, nos perguntou o tipo de coquetel que buscávamos, saiu para prepara-los e voltou com um baú com gelo seco verde e os coquetéis dentro.

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Eu não sei se os russos se divertem tanto com a experiência, mas para quem não sabia perguntar quase nada, tudo era muito inusitado e cômico. Adoraria dizer o que tomamos, mas eu nunca vou saber.

 

 

 

Planejamento de viagem

Dicas para programar a sua viagem à Rússia

Dez anos atrás, enquanto fazia intercâmbio universitário na Polônia, estive muito perto de visitar a  Rússia e realizar o  meu sonho infantil de conhecer um pouco do maior país do mundo. Mas não fui porque tive medo: medo de não conseguir ler uma placa na rua, me perder, nunca mais achar meu hotel, não conseguir pedir comida e morrer congelada no banco de uma praça que eu nem iria saber qual era porque não sabia ler #tragica.

Medo bastante potencializado porque precisamente essa era a minha realidade na Polônia. Eu não conseguia ler quase nada – e olha que tudo estava em alfabeto romano.

Em novembro de 2017 consegui finalmente ir a Rússia. Gostaria de chamar isso de coragem, mas talvez o nome adequado seja: smartphone.

Com Google Maps, Duolingo, Google Translator e afins ficou bem mais fácil visitar destinos com idiomas tão diferentes dos nossos. Pensando nisso, reuni aqui algumas dicas para tirar o máximo da tecnologia para planejar a sua viagem à Rússia. E, como bonus, escrevi algumas dicas migratórias também.

Aprenda o alfabeto cirílico

Provavelmente a pergunta que eu mais ouvi ao voltar da Rússia foi: “é possível ir sem falar russo?”. A resposta não é simples e vai sempre envolver um “depende”. Depende de para aonde você vai: Moscou, São Peterbusrgo ou interior da Sibéria?

Como eu só visitei Moscou e São Petersburgo, eu só posso falar da minha experiência nessas duas cidades. São Petersburgo é mais amigável para quem não lê cirílico: as ruas da cidade estão escritas também em alfabeto romano, o metrô é todo traduzido para o inglês e as estações estão escritas com o alfabeto romano também.

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Já Moscou é um pouco diferente. Dentro dos trens, já é possível encontrar os nomes das estações em alfabeto romano e os avisos em inglês. Porém, na estação as informações estão em cirílico e nessas horas não há google maps que te salve.

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A dependência do idioma também varia de acordo com o padrão da sua viagem. Por exemplo, se você pode bancar hotéis de redes internacionais com concierges, transfers e guias turísticos certamente o russo não vai ser uma questão.

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Agora, quanto mais você pretende economizar, fazendo as atividades por conta própria, de transporte público e comendo em restaurantes locais, mais você vai depender de saber um pouco da língua russa.

É por isso que eu sugiro que, se você pretende ter alguma independência na sua viagem e não tem rios de dinheiro para gastar, vale a pena aprender as letras do alfabeto cirílico e algum vocabulário básico de viagem. Você vai ler inúmeros relatos de pessoas que foram à Moscou sem saber uma palavra de russo ou sequer uma letrinha do alfabeto cirílico e sobreviveram. Mas eu ouso dizer que a sua experiência vai ser muito mais suave e bem sucedida se você tirar algumas horas antes da viagem para aprender as letras do alfabeto cirílico e algum vocabulário básico de viagem. A outra opção é inventar formas mirabolantes de memorizar símbolos para ler as estações do metro, o que me parece uma opção muito mais penosa do que aprender as letrinhas do alfabeto de uma vez por todas.

Ative o roaming do seu celular

Com exceção dos hotéis, para acessar o wi-fi público é preciso validar o seu número de celular por meio de um código enviado por mensagem. Então, se o seu celular não estiver com rede, nada de wi-fi. Portanto, não se esqueça de ativar o roaming antes de viajar!

Adquira o chip internacional 

Outra opção para quem não quer depender do wi-fi público é comprar um chip de celular. Nós não compramos, mas conheci alguns brasileiros que compraram um chip com internet antes mesmo de viajar.

Baixe os mapas offline no Google Maps

Essa é uma dica para qualquer viagem, mas se torna ainda mais crucial em países com alfabetos distintos do nosso. Com o mapa offline no celular, a sua chance de ter que perguntar algo para alguém fica bastante reduzida.

Baixe o aplicativo Yandex Metro

Esse é o considerado melhor aplicativo para o Metrô de Moscou e de São Petersburgo. Funciona offline e calcula a melhor rota para você. Disponível na Apple Store e Google Play.

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Compre os seus ingressos online 

Algumas atrações de Moscou e São Petersburgo são bastante disputadas, então vale a pena comprar os ingressos online meses antes da sua viagem. É o caso das apresentações de ballet e ópera nos teatros mais prestigiados dessas duas cidades. Você também pode adquirir os ingressos do Museu Hermitage e evitar filas e as passagens de trem entre Moscou e São Petersburgo.

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Não perca o papel que te dão na alfândega 

Ao entrar em território russo, todo estrangeiro deverá preencher o Cartão Migratório. Esse formulário pode ser distribuído pela companhia de transporte antes do desembarque ou estará disponível no saguão de desembarque.

Em alguns casos, como foi o nosso, o Cartão não é disponibilizado antes e o preenchimento é feito pelo próprio agente de imigração, de maneira informatizada, no momento de passagem pelo Controle de Fronteiras. Nesses casos, o viajante apenas assina o Cartão Migratório no local indicado e o agente de imigração o entrega uma parte do Cartão onde consta o carimbo com a sua data de entrada no território russo.

Agora vem a parte mais importante: as autoridades migratórias russas exigem a devolução do Cartão Migratório no momento da partida do território russo, portanto é necessário mantê-lo até o fim da viagem. A recomendação da Embaixada Brasileira em Moscou é manter consigo o Cartão durante todo o período de permanência em território russo, em caso de requisição pelas autoridades locais. Eu não sei se é a regra, mas nos dois hotéis em que nos hospedamos o Cartão Migratório foi solicitado no check in, então mais um motivo para tê-lo sempre em mãos.

Não se esqueça do Registro Migratório 

De acordo com a Embaixada do Brasil em Moscou, qualquer estrangeiro deve realizar o Registro Migratório junto às autoridades locais russas, dentro de até 7 dias úteis, para cada cidade por onde passar. Se você estiver hospedado em hotel, albergue, pensão ou alojamento, o próprio estabelecimento é responsável pelo seu Registro Migratório. Agora se você estiver hospedado em Airbnb ou com um amigo, é importante assegurar que o anfitrião realize o Registro Migratório.

Os hotéis que ficamos em Moscou e São Petersburgo nos entregaram o comprovante do Registro Migratório e nós guardamos até o final da viagem. Para mais informações, consulte o site da Embaixada do Brasil em Moscou.

Roteiros

Belo Horizonte e a minha memória afetiva

Eu só fiz nascer em Minas Gerais. Vivi quase a totalidade dos meus 30 anos em Brasília. Ainda assim, creio que todo meu modo de ser é mineiro. Estudos comprovam: nunca perdi um trem (nem ônibus, nem avião – e olha, vocês sabem que eu pego muitos). Sempre acho que a melhor estratégia é comer pelas beiradas. É provável que a minha única falha de currículo seja não gostar de queijo minas, mas aí entram outras questões de cunho palato-textural que realmente aqui não vem ao caso.

Talvez esse modo de ser venha do fato de até os 14 anos o único lugar fora de casa que eu conhecia era basicamente Araguari, minha pequena cidade natal no triângulo mineiro (e, vale dizer, duramente injustiçada pelas piadas das cidades vizinhas).

Com o passar dos anos, o meu mundo ficou maior. Mas, à exceção de um final de semana prolongado em Ouro Preto,  Araguari continuava sendo a minha referência exclusiva de Minas Gerais. Até que ano passado fui a Inhotim e aproveitei o resto do fim de semana para, enfim, conhecer Belo Horizonte.

Como mineira de cidade pequena, sempre associei o sotaque, as expressões, as comidas, o modo de ser mineiro a um lugar interiorano e pequeno. Ir a BH me deu uma sensação muito curiosa de estranhamento de encontrar todas essas referências culturais em uma metrópole.

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O Mercado Central aflorou toda a minha memória afetiva: cheiros, cores e sabores que há tempos eu não revisitava.

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Para continuar a sessão nostalgia, fomos em um lugar que poderia muito bem ser chamado de templo do deus pão de queijo: a Pão de Queijaria. Lá você pode comer sanduíche de pão de queijo com recheios tipicamente mineiros, sorvete com crumble de pão de queijo, milkshake de doce de leite, entre outras maravilhosidades.

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O tempo na cidade foi curto, mas conseguimos visitar outros dois lugares clássicos dos roteiros turísticos por BH. A Praça da Liberdade, que abriga um conjunto de museus em seu entorno: o Museu das Minas e dos Metais, o Espaço do Conhecimento da UFMG, o Centro Cultural do Banco do Brasil – CCBB, entre outros.

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Fizemos uma pausa no CCBB, que além de exposições, ainda tem uma filial do Café com Letras que me fez ter vontade de morar em BH só para curtir a programação cultural.

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E, no fim do dia, fizemos uma última parada para conhecer a Igrejinha da Pampulha, o ícone maior de BH.

Mais do que BH, naquele fim de semana eu visitei a minha própria infância.

 

 

 

Roteiros

O dia que não choveu em Inhotim

Fazia assim uns dois anos que ensaiávamos ir juntas à Inhotim. Daí teve prova, férias de uma, pós-graduação, férias de outra, aniversário, trabalho até que conseguimos um final de semana livre em dezembro para, enfim, voar para BH e, de lá, passar um dia flanando pelo maior centro de arte ao ar livre da América Latina.

E eis que em uma sexta-feira, no taxi rumo ao hotel o taxista dá o veredito: o google disse que vai chover amanhã.

Além das galerias e obras de arte contemporânea, outro grande atrativo de Inhotim é justamente apreciar o seu vasto acervo botânico. E qual seria a graça de ver tudo isso na chuva?

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Para a nossa sorte, não choveu. Ao contrário, fez um lindo dia, que tornou os jardins e os seus reflexos nos vários lagos presentes no Instituto ainda mais bonitos.

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O Instituto Inhotim fica no município de Brumadinho, em Minas Gerais, há cerca de  60km de Belo Horizonte. Para quem não quer alugar carro, é possível ir de ônibus pela viação Saritur. Os horários são limitados, mas existem boas opções para chegar na hora de abertura do Instituto e outro para voltar no horário de fechamento.

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No Instituto, é possível adquirir um passe de transporte coletivo ou alugar o seu próprio carrinho. Nós decidimos fazer tudo a pé para apreciar os caminhos. Mas, para quem pretende rodar o parque inteiro em um dia só, o carrinho coletivo pode ser uma opção interessante.

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Dentro do Instituto, existem opções de restaurantes e cafés para todos os bolsos. Nós almoçamos no Restaurante Oiticica e achamos ótimo. Além da vista maravilhosa, o buffet é bastante variado e tem um bom preço.

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Ultimamente, sempre que sei que terei pouco tempo para conhecer um lugar, evito pesquisar demais sobre ele para evitar aquela frustração de não conseguir “ver tudo”. Dessa vez, a falta de pesquisa foi mais devido à falta de tempo do que a uma estratégia anti-frustração, mas funcionou mesmo assim.

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Chegamos no parque, pegamos um mapa e escolhemos uma rota para começar. Para quem quer se planejar melhor, é possível também baixar o aplicativo do Instituto e montar roteiros personalizados.

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Fomos andando pela rota escolhida e dedicando mais tempo às atrações que mais chamaram a nossa atenção.

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Com exceção das bolinhas da Yayoi Kusama, todas as outras obras foram uma grata surpresa para mim, que não sabia muito bem o que ia encontrar por lá. Mas, se por um lado eu não sabia o que esperar das obras de arte, por outro, tinha grande expectativa quanto ao jardins.

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Dedicamos um tempo especial para os jardins, para percorrer um a um e apreciar as diferentes espécies, texturas, formatos e cores.

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O jardim que eu mais tinha vontade de conhecer era o desértico, que foi inspirado nas paisagens desérticas do México, e reúne espécies originárias de desertos e das regiões áridas brasileiras.

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Vale a pena também conferir o Vandário (à esquerda), um espaço com 350 orquídeas do grupo das vandáceas, provenientes do Sudeste Asiático e da Austrália. Para quem não resiste a orquídeas, é possível visitar também o Largo das Orquídeas (à direita), que possui cerca de 17 mil orquídeas.

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No final da tarde, paramos para tomar um café e descansar em um dos icônicos bancos feitos com troncos de árvore presentes em várias partes do Instituto . Afinal, nessa brincadeira de ficar flanado entre galerias e jardim, foram uns 12 km de caminhada.

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Retornamos no final do dia à Belo Horizonte satisfeitas com tudo que vimos e, ao mesmo tempo, cientes de que, se voltarmos um dia, Inhotim ainda vai ter muitas outras surpresas para nos revelar 🙂

 

Roteiros

24 horas em Assis: o que fazer na cidade de São Francisco

Se eu pudesse pedir algo à minha memória – que a burocracia insiste em cotidianamente desgastar – eu pediria para não esquecer tudo que vivemos em Assis.

Assis é um daqueles pedacinhos do mundo que te dá vontade de largar toda a pretensão de conhecer    157 países e viver por lá.

A maioria dos visitantes opta por fazer um bate-volta desde Roma ou Florença e passar o dia por lá. De fato, a cidade é bem pequenininha, mas eu duvido que uns dias a mais na cidade deixariam alguém entediado.

Nós, para fugir do calor abrasivo de agosto por aquelas bandas, decidimos partir de Roma no meio da tarde, pernoitar e curtir as horas mais frescas do dia seguinte em Assis.

Andar de trem na Itália deveria ser considerado uma atração por si só: à medida que nos distanciávamos do subúrbios de Roma, fabricas e viadutos davam lugar à Itália rural. Ao se aproximar das primeiras cidades da Úmbria, a paisagem que parecia uma planície sem fim, passou a incorporar pequenos morros, alguns deles cobertos por pequenas cidades fortificadas, dignas de ilustrarem livros de historia medieval.

Chegamos em Foligno e, lá, pegamos outro trem para Assis. Em 15 minutos já podíamos avistar a cidade sobre uma colina.

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Chegamos lá encima a tempo de apreciar a paisagem mudar de cor à medida que o sol ia se pondo.

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Ficamos num pequeno hotel próximo à Basílica de São Francisco e lá já pudemos testemunhar algo que iria marcar todas essas 24 horas de viagem: a simpatia e a hospitalidade das pessoas que nos atenderam nessa pequenina cidade.

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Uma das coisas mais gostosas da Itália é aproveitar as variações gastronômicas das diferentes regiões do país e eu estava doida para descobrir o que a Úmbria tinha de melhor em termos de comida. Pedi uma indicação ao recepcionista do hotel e ele nos sugeriu o Ristorante Da Cecco, um pequeno estabelecimento familiar, localizado a poucos metros do hotel.

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Provamos as trufas negras, uma especialidade da região,  de sabor bem forte e único. Sabe aquela sensação de estar provando algo absolutamente trivial na região, mas que em qualquer outro lugar do mundo seria uma iguaria rara e caríssima?

Foi no Da Cecco que provamos a melhor sobremesa na Itália, de acordo com o juri mais qualificado de sobremesas: a minha mãe. Um Semifredo de Pistache incrível, que o calor absurdo de agosto tornou ainda mais incrível. Saímos de lá com a convicção de que teríamos poucas refeições em Assis, mas todas elas haveriam de ser no Da Cecco.

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No dia seguinte, saímos para passear antes mesmo de tomar café porque queríamos aproveitar ao máximo a cidade antes do calor se instalar.

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E nesse ponto, eu tenho que agradecer ao calor pela experiência fantástica que a nossa fuga nos proporcionou. Andar cedinho por Assis nos permitiu explorar a Assis pacata, de poucos moradores,  ruas vazias habitadas naquele momento apenas pelos gatos. Que presente encontrar tantos gatos na cidade de São Francisco!

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Começamos o dia por aquela que é considerada a principal atração de Assis: a Basílica de São Francisco.

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A Basílica de São Francisco começou a ser construída logo após a canonização de Francisco em 1228. Naquela época, a colina a oeste da cidade de Assis em que a igreja foi construída era conhecida como Colina do Inferno. Hoje, esse local é apelidado Colina do Paraíso.

A Basílica, na verdade, é composta por duas igrejas: a Basílica inferior foi terminada em 1230 e a igreja Basílica superior, de estilo Românico e Gótico italiano, finalizada em 1253. Ambas igrejas são decoradas com afrescos dos maiores artistas da época, como Giotto. Em 1997, Assis foi atingida por dois terremotos que danificaram fortemente a Basílica, que ficou fechada por anos para restauração. Em 2000, a Basílica foi considerada Patrimônio da Humanidade.

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A Basílica é enorme, mas de estilo simples e austero. O que eu vimos lá dentro nunca vou conseguir compartilhar com a precisão dos detalhes que a cena merece. Freis e freiras franciscanas faziam as suas primeiras preces do dia, aproveitando a tranquilidade das primeiras horas da manha quando as excursões e os fieis ainda não chegaram.

Após visitar a Basílica, fomos ziguezagueando pelas ruelas da cidade e conhecendo os seus principais atrativos.

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Outra Basílica que decidimos visitar foi a de Santa Clara, de estilo gótico italiano, também de formas simples e austeras.

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Mas nem só de turismo religioso vive a cidade. Para os amantes de história, a cidade abriga atrações do Império Romano, como o Templo de Minerva, e o Fórum Romano, acessível pelo Museu Arqueológico da Cidade.

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Próximo ao Templo, vale visitar a Piazza Del Comune, considerada uma das praças mais bonitas da Itália, cheia de lojinhas e restaurantes.

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Para quem curte fazer um esforço físico extra, vale visitar a Rocca Maggiore, uma fortificação do século XIII, construída para proteger Assis das guerras contra Perúgia. Não fomos até lá porque ficamos com preguiça de subir o morro estava quente demais, mas quem já foi diz que a vista é estonteante.

Espero voltar um dia. Afinal, ainda tenho muitos pratos do Da Cecco para provar.

Viagens

Trastevere: um dos bairros mais lindinhos de Roma

Os outros signos do zodíaco que me desculpem, mas quando Deus fez Roma, meus amigos, ele a fez para os librianos.

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Essa combinação de ruas estreitas e sinuosas, com casinhas em 50 tons de ocre cobertas por plantas é a materialização de tudo que a minha alma libriana sempre quis.

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Tudo bonito, mas com um toque de bagunçadinho – ou bagunçadão, a depender da sua posição no zodíaco.

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E, se tem um lugar em Roma que reúne todas essas qualidades, esse lugar é o Trastevere. O bairro, localizado na margem oeste do rio Tibre, esteve por muito tempo fora dos limites de Roma. Não por acaso, seu nome – Trans Tiberim – significa além do Tibre, em Latim.

Como tudo em Roma, para além da beleza, as ruas sinuosas do Trastevere carregam muita história. O bairro abrigou pescadores, escravos de Roma Antiga recém libertos. Séculos depois, o Trastevere foi habitado pela comunidade síria e por judeus. Posteriormente, a comunidade judaica migrou para a margem leste do Tibre, mais próxima ao centro da cidade. Na década de 1970, marcada pela efervescência cultural e política na Itália, o Trastevere foi morada de escritores, artistas, músicos, ativistas e comunista.

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É talvez desses últimos moradores que o bairro carregue a herança boêmica, sendo hoje conhecido pelos viajantes por abrigar inúmeros restaurantes, cafés e barzinhos descolados.

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A única certeza que eu tinha quando marquei a viagem para Roma é que eu iria me hospedar por lá. Eu não pesquisei transporte, distância das atrações, tudo o que eu queria era acordar e sair por aquelas vielas.

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E nesse aspecto eu fui bem atendida, o nosso hotel ficava numa rua que era praticamente o tipo ideal de rua fofinha em Trastevere e era um prazer acordar todo dia e sair caminhando pelas vielas vazias, ver os cafés e padarias abrindo aos pouquinhos.

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O Trastevere não é um bairro residencial, totalmente local e afastado do boom turístico, mas ele te dá um gostinho local com a conveniência de estar relativamente próximo das atrações, coisa que nenhum hotel na beira da Fontana de Trevi vai te dar, nem se você acordar às 7h da manhã.

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Durante o dia, alguns grupos de turistas e seus guias começam a aparecer, mas é a noite que o bairro parece ganhar mais movimento turístico, quando as pessoas deixam o centro para jantar por lá. Mesmo com o burburinho turístico, você sempre pode encontrar uma ruela tranquila para chamar de sua.

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Eu não sei se o Trastevere é o bairro ideal para você se hospedar em Roma, mas posso garantir que você não pode deixar de visitá-lo!

Comer bem

Romeow – o bistrô felino de Roma

O Romeow não é o tipo de lugar que você vai encontrar flanando por Roma. Ele fica em Ostiense, uma região residencial um pouco mais afastada do centro e, portanto, menos visitada pelos turistas.

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Li sobre o bistrô no Romeing, um blog bacanérrimo sobre Roma, e fiquei com muita vontade de conhecer. Desde que visitei o meu primeiro cat café, em Montreal (veja o post aqui aqui) estou sempre em busca de novas experiências gastronômico-felinas.

O Romeow tem todas as características que eu imagino em um bistrô: é pequeno, intimista, bem decorado, tem boa música e um menu bem conciso, mas muito criativo. Todas as opções são vegetarianas ou veganas e dá para tomar café, almoçar ou jantar.

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Pad Thai do Romeow

Seis gatos passeiam livremente pelo bistrô, que foi todo construído pensando neles. Há prateleiras, cestos, caixas, tudo para deixar os bichanos à vontade.

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Diferente de outros estabelecimentos com animais, ele não é um lugar que torna os bichos um espetáculo, eles ficam lá, integrados no ambiente, às vezes completamente camuflados.

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Ficamos sozinhas no bistrô por um tempo e, aos poucos, foram chegando outros clientes, a maioria deles estrangeiros, provavelmente atraídos pela experiência de comer em um bistrô de gatos.

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Apesar de ficar um pouco mais afastado do centro, é muito fácil chegar no Romeow. Ele fica próximo à estação de trem Ostiense e do metrô (estação piramide). De quebra, ainda dá para passar no Eataly para sobremesa depois, que fica ali pertinho (e é o maior do mundo :O)

 

 

Comer bem

Onde comer em Roma: massas, cafés, sorvetes e mais

À primeira vista, comer bem na Itália não parece ser uma tarefa complicada, não é? Acontece em cidades com grande fluxo de turistas – como é o caso de Roma,  a proliferação de restaurantes voltados para turista acaba dificultando um pouco essa missão.

Não pretendo dizer que um restaurante turístico é necessariamente ruim, mas em um país com tanta tradição gastronômica, chega a ser um desperdício arriscar não comer bem. Como dizem os próprios italianos:

La vita è troppo breve per mangiare e bere male

E, olha que na maioria dos casos, o menu turístico nem chega a ser mais barato do que o menu de um restaurante comum,  o negócio é realmente pesquisar algumas boas opções próximas dos seus pontos de interesse na cidade e na hora que a fome apertar já saber para aonde ir.

Eis aqui a minha contribuição para a listinha dos futuros visitantes da Cidade Eterna:

Se você estiver perto do Vaticano: La Zanzara Bistrot

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Cacio e Pepe no La Zanzara

O La Zanzara é um restaurante moderninho e descolado no bairro Borgo Vitorio, bem perto do Vaticano. Fica aberto do café da manhã ao jantar. O menu oferece várias opções da gastronomia romana, além de saladas e petiscos. No almoço, fomos de cacio e pepe, uma massa com molho de queijo e pimenta que é típico de Roma.

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Acabamos voltando outro dia para o café, que, aliás, foi o melhor capuccino da viagem.

Se você estiver na Estação Termini: Mercato Centrale

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Café da manhã tipicamente romano: capuccino e cornetto

Descobri o Mercato Centrale pelo Instagram da Giulia (@omgsomuchcaffeine), que aliás, tem dicas gastronômicas ótimas de Roma. O Mercato fica dentro da Estação Termini e oferece opções para tomar café, almoçar, jantar ou beber. Fomos para tomar café da manhã (delícia, por sinal), mas bateu um sério arrependimento de não ter ido almoçar ou jantar, porque as opções pareciam muito boas.

Se você estiver em Campo del Fiori: Obica Mozzarela

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Conheci o Obica por acaso em Milão (veja mais sobre ele aqui). Desde então fiquei com vontade de voltar para provar as tão famosas burratas de lá. Encontrei uma filial do Obica no Campo del Fiori e foi a oportunidade perfeita para provar a burrata e os presuntos e salames da casa. Além dos petiscos, o menu também tem pizzas e outras massas.

Se você estiver em Trastevere: Ristorante Sette Oche in Altalena

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Bom, se você estiver em Trastevere, boas opções de restaurantes e bares não vão faltar. Antes mesmo de eu pesquisar as boas opções por lá, fiz esse achado espontâneo bem próximo ao hotel que ficamos. O Sette Oche in Altalena é um restaurante com opções tradicionais da cozinha romana, mas com um clima mais jovem e descontraído, tem mesinhas na calçada e também um espaço interno, que lembra uma taverninha. Gostei tanto que voltei duas vezes.

Se você estiver na Estação Ostiense: Eataly

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O Eataly (do inglês EAT, comer, e ITALY, Itália) é um grande mercado que reúne alimentos italianos de qualidade, além de utensílios de cozinha, livros e outros artigos relacionados à gastronomia.  Hoje existem 38 filiais do Eataly pelo mundo e a de Roma é simplesmente a maior delas. Além de ser um excelente local para comprar comida italiana para estocar dar de presente, o Eataly também oferece várias opções para almoçar e jantar. O de Roma, por exemplo, tinha restaurantes especializados em massas, peixes, carnes, queijos, além de cervejarias, docerias, sorveterias e por aí vai.

Mas vamos agora ao que realmente importa: o sorvete

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A minha teoria sobre os sorvetes italianos é que eles são muito bons para você desperdiçar seu tempo e dinheiro (e calorias) tomando um sorvete que não seja simplesmente um dos melhores. Veja bem, eu não disse o melhor, porque isso é bem controverso e muito pessoal, se for um dos melhores, já está valendo.

Na minha primeira ida a Itália, gostei muito da gelateria Grom. Dessa vez, acabei encontrando poucas filiais em Roma e nem provei, mas esse é um dos que eu recomendaria. Outra gelateria bem popular é a Venchi, que também tem chocolates e crepes.

Fora estes, li boas recomendações de duas gelaterias:

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A primeira foi a Gelateria del Teatro, onde provamos o sorvete de chocolate branco com manjericão (estranho, mas boom). Uma boa pedida é passar por lá quando estiver indo visitar o castelo e a ponte Sant´ Angelo.

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Provamos também o sorvete do Il Gelato de San Crispino, que ficou especialmente famoso após o livro “Comer, Rezar e Amar” da Elizabeth Gilbert. Além dos sabores tradicionais, lá é possível encontrar opções mais criativas como o gelato de canela com gengibre e o de mel. Gostei dos dois 🙂

 

 

 

 

Roteiros, Viagens

Um roteiro pelo Jalapão: parte 3

Eu contei para vocês nos posts anteriores como foram os primeiros dias da nossa mini mini expedição de 3 dias pelo Jalapão.

Para alguns, o terceiro dia da viagem começou com a subida da Serra do Espírito Santo. Esse é um dos atrativos mais famosos da região, que não estava incluso no passeio de 3 dias, mas foi ofertado como opcional devido à grande demanda do grupo.

Créditos: amigo Vinícius que acordou às 2 AM para ter essa vista

Créditos: amigo Vinícius que acordou às 2 AM para ter essa vista

Para assistir o nascer do sol na Serra, a trilha começa às 3h da manhã. Como íamos ficar sem dormir na noite seguinte por causa do voo de volta para Brasília, optamos por não fazer o passeio. É claro que os amigos apareceram com fotos deslumbrantes da vista da Serra. E é claro que eu me arrependi, né? Mas é fácil se arrepender quando você sabe que vai dormir 8 horas na noite seguinte, né não?

Crédito: Vinícius Amaral

Crédito: Vinícius Amaral

Para os que não subiram a Serra, o primeiro passeio foi visitar a Cachoeira da Velha, que não é uma cachoeira qualquer, mas sim uma meeega cachoeira.

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Lá nos foi ofertada a possibilidade de fazer um rafting pela Novaventura Rafting. Eu nado pouco, morro de medo de barquinhos frágeis sobre águas turbulentas, então nunca fez parte dos meus sonhos fazer um rafting do lado de uma cachoeira gigante. Mentalmente, disse “não, obrigado” e nem escutei o resto das informações.

Mas o nosso grupo se animou e eu me animei, ancorada na ideia de que “se o meu amigo que não sabe nadar vai, eu também posso”, o que racionalmente não faz sentido algum, pois só significa que nos afogaríamos juntos.

A empolgação começou a dar lugar ao pânico quando começaram as instruções de segurança. A frase “o que você deve fazer se você cair do bote” me lembrou que eu poderia, de fato, cair do bote.

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Aprendendo as instruções de segurança. Créditos: Novaventura Rafting

Mais do que isso, me lembrou que além de não saber nadar, eu sou o tipo de pessoa que cai do bote. Ou pior, eu sou tipo de pessoa que bate o remo nos coleguinhas e o derruba o bote.

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Pareço determinada, mas era medo mesmo. Créditos: Novaventura Rafting

Mas não deu tempo de aventar todas as possibilidades de desastres que eu poderia cometer, quando vi já estávamos no bote prontos para começar.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

O prêmio para quem se submete faz o rafting é ver ângulos espetaculares da cacheira do Rio Novo.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Não consigo descrever quão única é a sensação de estar debaixo de uma queda d´água dessas.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Tão emocionante que, por alguns minutos, eu esqueci o que tínhamos pela frente: as corredeiras

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Era hora de colocar em prática todos os códigos e instruções e não cair do barquinho. A sensação de ter uma queda d´água pela frente é desesperadora, mas ao mesmo tempo bem mais segura do que eu imaginava antes de fazer o rafting.

Créditos: Novaventura Rafting

Créditos: Novaventura Rafting

Contrariando todos os meus cenários trágicos, durante a descida das corredeiras,em nenhum momento eu caí ou sequer achei que iria cair. Mal havia tomado gosto pela coisa, já avistamos a prainha do Rio Novo.

Apesar de parecer uma anti-propaganda do rafting ou da empresa, a intenção é justamente o contrário. Só topei fazer porque achei o serviço muito profissional e seguro (e porque eles deram estatísticas de acidentes, e eu sou facilmente impressionada por dados haha) e, ao fazer, confirmei a minha impressão. Recomendo com certeza!

Depois de terminarmos o rafting fizemos um lanche rápido e pegamos à estrada rumo à Palmas. E o resto da história é todo aquele perrengue que não aparece nas fotos:  2 horas de sono, voo promocional de madrugada, correria pra chegar no trabalho. Mas, vai dizer que não vale a pena? 🙂

 

 

 

 

 

Roteiros

Um roteiro pelo Jalapão: parte 2

Como eu contei no primeiro post sobre o Jalapão, o nosso primeiro dia de viagem foi bem intenso em horas de trepidação na estrada, intercaladas com paradas para conhecer os atrativos ao longo do caminho.

O segundo dia foi o oposto: bem menos horas de trepidação e mais tempo nos atrativos. Começamos o dia com uma visita ao fervedouro Belavista, que mais parecia uma jacuzzi feita pela natureza (muito melhor do que as jacuzzis feitas pelo homem, não?)

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Fervedouro Belavista

Mas nem tudo na vida pode ser assim tão perfeito, então tinha algumas espécimes humanas com uma caixa de som portátil ouvindo música enquanto curtiam o fervedouro. Eu não preciso dizer o que tocava a caixa de som, porque está implícito o que ouve alguém que carrega uma caixa de som para um fervedouro, não é?

Como o número de banhistas  é limitado, rola uma espécie de rodízio para entrar no fervedouro, então tivemos a nossa chance de curtir o lugar sem música.

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Fervedouro Belavista

O segundo atrativo do dia foi a Cachoeira da Formiga. Certamente é uma das cachoeiras mais lindas em que já estive, fui enfeitiçada pela água esverdeada e transparente e fiz algo que alguém que não sabe nadar nunca faz: entrei sem nem pensar na profundidade e tive que usar todo o meu nado cachorrinho para me segurar em alguma borda.

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Cachoeira da Formiga

Mesmo sendo feriado, as atrações estavam tranquilas. A exceção foi a Cachoeira da Formiga, que estava lotada de locais curtindo o feriado, o que era uma cena alegre de ser ver, os moradores da região curtindo as belezas da sua terra.

Tivemos bastante tempo para curtir a Cachoeira da Formiga porque o nosso ônibus quebrou. Aliás, se tem algo certo em uma viagem para o Jalapão é que o seu ônibus vai quebrar em algum momento – ou em vários momentos. Vai ser o ar condicionado, o pneu, o freio ou todos eles.

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O 4X4 da expedição

Eu mesmo só fiquei sabendo pelos amigos que haviam me indicado a empresa que o ônibus deles tinha quebrado depois de fechar a nossa expedição. Pensei em ficar abalada com a informação, mas a minha amiga foi logo me dizendo que o das outras empresas também quebraram naquele dia e, como um bom ser humano, o fato da tragédia ser compartilhada amenizou a minha própria potencial tragédia, algo do tipo: “se todo mundo está lascado, que mal faz você estar?”

A primeira vez pode ser um pouco chocante, mas as operadoras de turismo costumam estar preparados para esse tipo de ocorrência, já que são realmente muitos quilômetros de estrada de chão e de areia.

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Pneu furado na volta para Palmas

Ainda antes do almoço, fizemos uma parada na comunidade quilombola do Mumbuca. Os quilombolas são descendentes de africanos escravizados que mantém tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. No Brasil, existem cerca de 3 mil comunidades certificadas pela Fundação Palmares e o Mumbuca é uma delas. A comunidade, com cerca de 200 habitantes, é como uma grande família formada por remanescentes de quilombolas e indígenas que habitavam a região.

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Árvore genealógica da Comunidade do Mumbuca

A Comunidade do Mumbuca vive da agricultura de subsistência e do artesanato feito com capim dourado. Todo ano, em setembro, é realizada a Festa da Colheita do Capim Dourado, promovida pela Associação dos Artesãos Extrativistas do Povoado do Mumbuca. A festa celebra o começo do período de coleta do capim dourado, que somente é autorizada pelos órgãos ambientais entre os dias 20 de setembro e 30 de novembro. Na edição desse ano, os moradores lançaram a marca Mumbuca, agora o artesanato produzido na comunidade poderá ser identificado mundo afora.

É de se esperar, então, que o Mumbuca seja o melhor local para comprar artesanato feito com capim dourado. Além de ter uma grande variedade de peças, você compra diretamente da comunidade, o que é bom para eles e bom para você, já que os preços são bem mais baixos do que os das lojas das cidades.

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Artesanato feito com Capim Dourado na Comunidade do Mumbuca

A forma como é conduzida a visita ao Mumbuca é uma das poucas críticas que eu tenho ao roteiro da expedição. Acho que teria sido muito importante que os organizadores do passeio contassem antes da visita a história do povoado, pois senão a visita ao local se torna uma mera parada para comprar artesanato e os viajantes de várias partes do país que passam diariamente por lá perdem uma valiosa chance de entender o que significa aquele lugar.

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Uma das ruas da Comunidade do Mumbuca

Saindo de lá, partimos para o almoço na propriedade do fervedouro do Buritizinho, onde tivemos mais uma refeição caseira maravilhosa.

Companheiro de almoço

Companheiro de almoço

De quebra, ainda sobrou um tempo para visitar rapidamente o fervedouro, que é lindo e com forma e tonalidade bem diferente dos outros que havíamos visitado.

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De lá, seguimos para mais algumas horas de trepidação rumo às famosas dunas do Parque Estadual do Jalapão para assistirmos o pôr do sol. Antes de chegar às dunas, tivemos uma bela visão da Serra do Espírito Santo, que é também um dos principais atrativos da região (cenas dos próximos capítulos).

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Vista da Serra do Espírito Santo

As dunas fazem todo o seu entorno parecerem um grande oásis no meio de tanta areia. Lá de cima é possível ver a Serra do Espírito Santo de outro ângulo.

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Vista da Serra do Espírito Santo a partir das dunas

Quase sem luz natural, fizemos uma pequena trilha de volta ao carro e retornamos à Mateiros para o jantar e assim terminou o nosso segundo dia 🙂

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No próximo post, eu conto como foi o nosso terceiro e último dia 🙂